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Enchente de 1960
Autor:
José Anchieta de Setúbal
Livro: ECOS DE VILA VELHA
Ano: 2001
Em março de 1960 Vila Velha sofreu uma das maiores
enchentes da sua história, dentre as incontáveis
que se registravam anualmente, com o transbordamento das águas
do Rio Jucu. Mais famosa do que essa só a enchente
centenária, ocorrida no ano de 1935. No entanto, a
enchente de 1960 se destacou em relação à
anterior porque as regiões afetadas com a subida das
águas estavam mais povoadas, o que exigiu das autoridades
imediatas providências para socorro dos flagelados.
O
Grupo Escolar Vasco Coutinho suspendeu as atividades para
alojar as vítimas da enchente. O prefeito da época
Tuffy Nader, decretou estado de calamidade pública,
tomando as medidas cabíveis para o caso em socorro
à população. O povo mobilizou-se fornecendo
colchões, agasalhos, alimentos, etc. O Comando de 3º
BC colocou homens e viaturas à disposição
para ajudar nos salvamentos, responsabilizando-se também
pelo fornecimento de refeições diárias
aos desabrigados alojados no Grupo Escolar.
Vila
Velha, por assim dizer, ficou embaixo d’água.
Numa visão panorâmica do alto do Convento
até à beira das partes altas do loteamento Praia
da Costa, abrindo em leque no sentido sul – um só
lago a perder de vista na imensidão das suas planícies,
interrompido por algumas elevações e pela faixa
do litoral. Era muita água e nela se podia mesmo navegar
com embarcações de pequeno porte.

Foto aérea
da Enchente. Na foto aparece o Colégio Marista em destaque.
Acervo: Edward Athayde d'Alcântara.
O
furor das águas tornara caudaloso o rio da Costa, principalmente
sob a ponte Nova. O vão sob a ponte, cada vez mais
pressionado por redemoinhos que forçavam para o outro
lado, tornou-se impotente, sendo arrancado da sua base em
meio a formidável estrondo. Com a queda da ponte Nova
virou-se mais uma página da história de Vila
Velha, cujos moradores perderam importante via de comunicação
com a Praia da Costa. Alguma providência urgente deveria
ser tomada para restabelecer, mesmo que provisoriamente, tão
importante elo de ligação.
Para
isso a Prefeitura contou com a participação
sempre solícita do saudoso companheiro de Rotary e
ex-governador do nosso distrito, Roberto Viana Rodriguez.
Engenheiro civil e diretor do DNOS – Departamento Nacional
de Obras e Saneamento – que executava uma obra no canal
cortando o rio da Costa para, encurtando-lhe o percurso, facilitar
o escoamento das águas até o mar, engendrou
este homem público uma ponte sustentada por cabos de
aço, colocando-a no lugar da que fora destruída,
até que se estabelecesse uma passagem definitiva.

Os
manilhões que aparecem na foto foram utilizados no
aterro que nivelou a Champagnat.
Acervo: Edward Athayde d'Alcântara.
Outras
providências foram adotadas para que tal desastre não
se repetisse. No rio Jucu foram realizadas obras para contenção
de suas águas, como a construção de dique
de terra batida no local sujeito a transbordamentos, uma espécie
de estrada que as águas desse rio, mesmo durante as
enxurradas mais fortes, não ousariam transpor.
Essa
importantíssima obra exige constantes monitoramentos
e cuidados, pois se uma chuva forte e intermitente forçasse
o rompimento do dique, certamente centenas de milhares de
pessoas ficariam desabrigadas ou isoladas em suas moradias.
Seria o maior flagelo por que passariam Vila Velha e o Estado
do Espírito Santo.
Passado
o furor da enchente e desfeitas as medidas paliativas de acesso
à Praia da Costa, no vão da ponte ruída
foram colocados manilhões e sobre eles um aterro. Mais
tarde essa cobertura se estenderia, mais ou menos em nível
com a estrada, até a Rebentação, fazendo
desaparecer a ladeira que antecedia a chegada à Praia
da Costa. O resultado desse aterro perdurará para sempre,
haja vista que todas as ruas transversais à avenida
Champagnat são desniveladas em relação
a ela.
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