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Histórias fabulosas
Fonte:
História do Espírito Santo - Uma abordagem didática
e atualizada 1535 - 2002
Autor: José P. Schayder
A
Companhia de Jesus não foi a única ordem religiosa
a exercer atividade na Capitania do Espírito Santo,
no período colonial. A obra dos jesuítas será
complementada pela ação missionária dos
franciscanos, capuchinhos, carmelitas e beneditinos.
Das
centenas de religiosos que passaram pela capitania, entretanto,
o jesuíta José de Anchieta é o mais venerado.
Nasceu na Espanha, nas Ilhas
Tenerife, em 1534. Asmático, recomendaram-lhe os
bons ares do Brasil. Chegou à colônia
em 1553, aos 19 anos e fixou-se no Espírito Santo somente
em 1587, aos 53 anos - antes dessa data, apenas visitou esporadicamente
as terras capixabas. Dez anos depois, em 1587, faleceu, no
dia 9 de junho. Seu corpo foi conduzido por 300 pessoas durante
3 dias, da Aldeia de Reritiba (atual município de Anchieta)
até o Colégio de Santiago em Vitória
(atual Palácio
Anchieta, sede do governo do ES), onde foi sepultado.
Já na celebração do enterro, foi declarado
Apóstolo do Brasil - título que divide
com o padre Manoel
da Nóbrega, outro jesuíta.
Segundo
o historiador Serafim Leite, em 1609 grande parte dos restos
mortais do padre Anchieta foi levada para a Bahia.
Por ordem papal, foram retirados de lá e espalhados
por casas e colégios jesuítas, inclusive de
Roma. Entretanto,
há diversas versões para os fatos. Outros afirmam
que, na travessia do Atlântico, um naufrágio
provocou a perda destas relíquias.
Importa,
historicamente, que o processo de beatificação
de Anchieta foi aberto em 1617.
Em
1736, suas virtudes foram declaradas heróicas pelo
Vaticano e, em 1980,
o papa João Paulo II beatificou-o.
O
percurso por onde passou o cortejo fúnebre do jesuíta,
e que ele próprio, quando vivo, percorria a pé
todos os meses, foi transformado, em 1998, no caminho religioso
denominado Passos
de Anchieta. Acredita-se que o andarilho, repetindo
a trajetória do beato, adquire, no final da caminhada,
conforto espiritual. São, no total, 105 quilômetros.
É preciso ter fé.
Outras
histórias poderiam ser contadas, envolvendo religiosos
no Espírito Santo. São muitas, misteriosas,
verossímeis, às vezes fabulosas.
Padre,
poeta, pré-barroco
Catequista,
gramático, poeta, considerado a figura máxima
do pré-barroco brasileiro, o padre Anchieta –
Apóstolo do Brasil – era espanhol da Ilha de
Tenerife (Canárias), mas viveu parte de sua vida no
Brasil, inclusive no Espírito Santo. Veio para Anchieta
onde fundou o primeiro povoado. Uma igreja em homenagem a
Nossa Senhora da Assunção foi construída
logo nos primeiros tempos.
Estudou Humanidades em Coimbra e foi convidado para integrar
à Companhia de Jesus em 1551. Depois fez parte da comitiva
do segundo governador geral do Brasil, Duarte da Costa, que
chegou à Bahia em 13 de julho de 1553. Enviado para
a Capitania de São Vicente, fundou o Colégio
Piratininga. Aprendeu a língua tupi e construiu uma
choupana, que servia de colégio, igreja, hospital,
despensa e moradia dos jesuítas. Compôs uma gramática
e um vocabulário tupi e traduziu para o mesmo idioma
o catecismo. Isso facilitou o ensino cristão às
crianças indígenas.
Na revolta dos tamoios contra os portugueses, Anchieta foi
feito refém e ficou meses como prisioneiro. Na prisão,
escreveu o seu Poema à Virgem, em latim. Em 1595 sua
Arte de Gramática da Língua Tupi foi publicado
em Coimbra. No Espírito Santo, onde passou os últimos
dias de sua vida, estrearam oito das 12 peças teatrais
que escreveu, com fins catequéticos, em português,
castelhano e tupi. Outra obra famosa é o Poema a Mem
de Sá.
Anchieta viveu 44 anos no Brasil, dos quais oito foram dedicados
ao Espírito Santo, onde morreu no dia 9 de junho de
1597, aos 63 anos. Seu corpo foi levado pelos ìndios
de Reriritiba até Vitória, percorrendo 80 quilômetros
a pé durante três dias. Ele foi sepultado na
igreja de São Thiago, onde atualmente é o Palácio
Anchieta, que abriga seu túmulo de forma simbólica.
Fonte:
A Gazeta 26 de setembro de 1994.
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