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Pregões em Vila Velha
Fonte:
Vila Velha de Outrora
Autor: Maria da Glória de Freitas Duarte - Vitória
- 1990
Em
Vila Velha, na década de 20, os vendedores ambulantes
tinham seu repertório especial para apregoarem suas
mercadorias. Este modo pitoresco de anunciar seus produtos,
na maioria das vezes, era inventado pelo anunciante (N.R.:
Como existe hoje alguns ambulantes e feiras livres).
Havia
em Vila Velha, ainda no tempo do cinema mudo, o "Cine
Cici" de propriedade do Sr. Tinininho.
Neste
cinema os seus frequentadores se deleitavam ouvindo melodias
executadas pelo saudoso violonista Tanego Barros, com sua
esposa Maria José, ao bandolim. Quanta poesia no passado!
A
tarde dos dias em que os filmes seriam exibidos, saíam
pelas ruas dois garotos portando um grande cartaz, com numerosos
acompanhamentos de meninos e gritavam:
"É
hoje no Cici... belíssimo drama em cinco atos... às
8 horas da noite..."
E
assim apregoando o filme, ganhavam entrada para o cinema.
E
o nosso vendedor de bilhetes de Loteria?
Jacob,
sírio de nascimento, vindo para Vila Velha rapazinho
com sua mãe, conhecida como "madama turca",
dedicava-se à venda de bilhetes lotéricos, aqui
e em Vitória. assim apregoava seus bilhetes:
"É
o baru bra hoje... Federa..." que, "traduzindo"
é o seguinte: É o peru pra hoje... Loteria federal...
Creoulinho
esperto e bom negociador era o nosso vendedor de miúdos
de boi. Seu pregão era cantado:
"Olha
o bucheiro...
Cabeça de boi, passarinho,
ainda tem rabadinha..."
Diogo,
pescador do século XIX assim anunciava seus peixes:
"Peixeirô...ô...ô...
É Diogo... gô... gô... " (N.R.: Seria
no ritmo da Poeira da Ivete Sangalo, dos dias atuais?)
Ah
Vila Velha! Quando seus antigos moradores imaginariam que
sua modesta cidade pudesse se metamorfosear em quase uma metrópole?
E seus pescadores, que sua Praia da Costa se transformasse
num elegante bairro residencial e que suas cabanas tão
depressa fossem substituídas por belíssimas
e modernas residências?
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