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Entrevista: Memória Vilavelhense

Texto transcrito do: Jornal de Vila Velha
1991

Confira a transcrição completa de um descontraído bate-papo entre o historiador e geógrafo Willis de Faria – membro do Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo – com o canela-verde da gema Ubaldo Senna, uma das personalidades mais conhecidas e pitorescas da cidade.

Do alto de seus 79 anos de vida e amor por Vila Velha, o Sr. Ubaldo traçou uma verdadeira radiografia de assuntos pitorescos da História recente do município – da década de 20 até o final da de 50, quando mudou-se para o Rio de Janeiro.

Passava-se roupa ainda com os “maxambombas” – truculentos ferros a brasa da época colonial, os romeiros chegavam de bonde e barco a remo para louvar N. Senhora da Penha em sua festa e vivia-se num verdadeiro paraíso ecológico, na bucólica “Cidade do Espírito Santo”, antigo nome de Vila Velha.

JVV: Sr. Ubaldo, onde e quando o sr. Nasceu?
Ubaldo Senna: Nasci em 1912 na Prainha, mudando-me a seguir para a Maxambomba, onde me criei. Vila Velha, na época, chamava-se oficialmente “Cidade do Espírito Santo”.

JVV: Por que o nome Maxambomba?
Ubaldo Senna: Maxambomba é porque lá passava o córrego Inserica, freqüentado por muitas lavadeiras, que usavam ferro de passar roupa de brasa, cujo nome é “maxambomba”. Eu me criei na casa que hoje é a venda de Seu Querubino, onde meu pai era comerciante.

JVV: E os estudos?
Ubaldo Senna: Fiz o curso primário na Prainha, com o Professor Enane Souza. A famosa Professora Dª Neném, também lecionava lá. A escola chamava “Escola Masculina da Cidade do Espírito Santo”. A das meninas ficava na Rua do Sacramento, hoje Beco do Ataíde, e chamava-se “Escola Feminina da Cidade do Espírito Santo.”

JVV: Como era na época a Festa da Penha?
Ubaldo Senna: A Festa da Penha era realizada em frente ao chamado “Cais das Timbebas”. Os romeiros chegavam de bonde, de barcos de pesca a vela e a remo, vindos da Praia do Suá, Praia Comprida, e outros lugares. Alguns vinham de trem da Leopoldina e desembarcavam primeiro em Argolas. Na festa tocavam as bandas do antigo 3º BC, da Polícia, da Serra e outras orquestras (bandinhas) que existiam.

JVV: Como era Vila Velha antigamente?
Ubaldo Senna: Desde que me entendo por gente, Vila Velha tinha a Praia de Inhoá, a Prainha, Maxambomba, Matadouro, o Sítio Batalha (da família Batalha) e a Toca, que era quase toda um manguezal do filho do desembargador Ferreira Coelho. A Praia da Costa era um matagal danado, com muitas cobras e vegetação na orla de salsa de praia. A Colônia dos pescadores de Itapoã já existia e lá morava um tal de “Carlinhos Argentino”, que veio criança da Argentina e não gostava de confirmar que era argentino de nascença.

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