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Moqueca Capixaba

Heranças dos índios aos capixabas

Em todo o Brasil, somos conhecidos por "capixabas". "Capixaba" significa, na língua tupi-guarani, "plantação", "roçado", "lavoura", "preparação da terra para plantar". Aparentemente é uma forma de tratamento sem sentido, mas assim ficou estabelecido, no transcurso do tempo. Lembra-nos que herdamos traços da cultura indígena.

De norte a sul do Estado, nomes de cidades, distritos, vilas, bairros, avenidas, rios, montanhas e picos também não nos deixam esquecer as nossas origens. É uma verdadeira aula de língua ameríndia. Alguns poucos exemplos: Cariacica, Guaçuí, Ecoporanga, Guarapari, Ibitirama, Mucurici, Camburi, Guriri, Jucutuquara, Jucu, Piúma, Iconha, Itapemirim, Meaípe, Itaoca, Itaipava, Itapuã, Aghá, Muqui, Mochuara, Itaperuna, Apiacá, Iriri, Marataízes, Carapina, Itapecoá, etc...

Na culinária, o pirão de peixe e a "moqueca capixaba" são dois dos nossos principais pratos típicos. Devem ser preparados nas panelas de barro. Tudo - a iguaria e o utensílio - é tradição nativa.

No interior do Estado, em pequenos sítios, é requente a realização da coivara. É ainda comum, nos pequenos balneários de nosso litoral, a realização do "arrastão", que é um tipo de pesca artesanal praticada pelos "maratimbas". "Maratimba" é como chamamos o "caboclo capixaba", isto é, o biótipo humano resultante da miscigenação do branco com o índio - corresponde aos "caiçaras" ou "mamelucos" de São Paulo. Tais termos, embora de uso coloquial, devem ser evitados, pois no fundo, têm conotações preconceituosas e racistas.

A influência indígena vai mais longe. A medicina natural (homeopatia), típica dos índios, é corriqueiramente utilizada. No Espírito Santo, houve um caso inesquecível, em 1986. Augusto Ruschi, pesquisador de beija-flores e orquídeas em Santa Tereza, estava gravemente enfermo. Submeteu-se, por isso, a um ritual de pajelança à base de ervas medicinais e defumadores de floresta. O fato virou notícia no mundo inteiro.

Fonte: História do ES - uma abordagem didática e atualizada 1535 - 2002
Autor: José P. Schayder

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