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Maria Nilce
Maria
Nilce foi a mais importante colunista social de Vitória.
Sua coluna diária no Jornal da Cidade era lida por
milhares de pessoas. Não havia concorrentes para ela.
Em seu jornal cresceram outros colunistas sociais como Tão
Mendes (in memorian), Nirlan Coelho, Carlos Vaccari, Jorginho
Santos, Geraldo Bulau e Cesar Viola.
Sentia uma intensa
vontade de viver. Era do tipo de pessoa que não podia
pensar em parar jamais e por isso sempre estava fazendo alguma
coisa, sentindo a vida e vibrando com tudo. Não havia
meio termo para ela. Costumava confessar-se alegre, extrovertida
e dinâmica, conseguindo tudo o que queria, e jamais
ter encontrado portas fechadas. “Quem trabalha não
conhece fracassos”, afirmava.
Maria Nilce
nasceu em 23 de julho de 1941, na fazenda Fundão dos
Índios, distrito de Timbuí, em Fundão,
Espírito Santo. Filha de Tertuliano Tauríbio
dos Santos e Ana Cleta dos Santos. Era a nona filha de uma
prole de onze. Casou-se com o jornalista Djalma Juarez Magalhães
em 29 de abril de 1961 e veio morar em Vitória, onde
teve quatro filhos: Fernanda, Milla, Juca e Paloma.
Começou
sua vida profissional em 1967, escrevendo uma coluna social
diária no jornal A Tribuna, intitulada “M.S.M”,
galgando rapidamente o sucesso devido à sua versatilidade
e espírito irônico, que de certa forma provocaram
uma transformação naquele tipo de jornalismo
provinciano de Vitória. Ela também produziu
e apresentou, durante um bom tempo, o programa Coisas e Gente
Muito Importante, na TV Vitória.
Ainda na televisão,
Maria Nilce foi a primeira mulher-jornalista a aparecer no
vídeo em âmbito nacional, integrando o júri
do Chacrinha na Hora da Buzina, apresentado aos domingos na
TV Globo, Rio de Janeiro. Em 1969 saiu de A Tribuna para,
junto ao esposo, comprar o Jornal da Cidade, que se tornou
muito importante para Vitória.
Escreveu vários
livros: Eu, Maria Nilce, uma autobiografia; Crônica
de uma ilha muito doida; Como o Diabo gosta; entre outros
de crônicas de suas viagens ao exterior e sobre destaques
e personalidade de Vitória.
Os seus desfiles
de moda e festas beneficentes agitavam a ilha. A cronista
Carmélia Maria de Souza escreveu que as festas da sociedade
de Vitória só começavam a existir depois
que Maria Nilce chegava.
Todos a consideravam
diferente. Até ela. Muita gente temia o seu temperamento
expansivo de quem diz tudo o que quer. “Muitos me acham
esnobe, sofisticada, requintada. Considero-me a pessoa mais
simples do mundo. Começando pelo nome Maria. Gosto
de andar de calça Lee e camiseta Hering, mas também
uso um longo rebordado no Libanês.”
“Muitos
nessa cidade julgam-se com o direito de analisá-la,
exaltá-la e até criticá-la. Os que analisam
não possuem o conhecimento necessário capaz
de discernir entre o seu temperamento extrovertido e sua alma
simples, imersa em profundos devaneios. Os que a exaltam ainda
assim não conhecem a verdadeira Maria Nilce. A que
longe dos brilhos dos salões e dos aplausos se transforma
em moça simples de Fundão dos Índios,
que com méritos reais conquistou um merecido lugar
de destaque na sociedade. O arrebatamento de alguns diante
de sua beleza impede-os de enxergar a Maria Nilce que realmente
me arrebata, com sua amizade, com seu imenso coração,
com sua lealdade e com sua honradez intocável. As pessoas
em evidência, como ela, estão sempre sujeitas
à malícia e antipatias fora de propósitos”.
Assim a definiu seu esposo Djalma Magalhães.
Em 5 de julho
de 1989, a jornalista Maria Nilce foi baleada e levada às
pressas para o Hospital das Clínicas. Vítima
de crime encomendado, ela foi covardemente assassinada na
rua Aleixo Neto, Praia do Canto, quando saía de uma
academia de ginástica, onde se exercitava todas as
manhãs, Seu corpo foi sepultado no mesmo dia, no Cemitério
Jardim da Paz. O crime nunca foi esclarecido, assim como os
culpados também não foram punidos.
Por:
Carlos Benevides Lima Júnior, historiador.
Livro: Escritos de Vitória – Personalidades de
Vitória.
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