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Os Jesuítas e o Palácio
Anchieta
No
Espírito Santo, o primeiro superior da Ordem Jesuítica
foi Pe. Afonso Brás, que começou a construir
o Colégio de São Tiago (atual Palácio
Anchieta) em 1551. Só ficou dois anos na capitania,
sendo substituído por Pe. Brás Lourenço
(1525-1605) que continuou a construção do colégio
e da igreja de São Tiago em material resistente (antes
era uma palhoça). Também dariam origem a Araçatiba
e a Aldeia Velha, na proximidade do rio hoje chamado de Piraqueaçu
antes de Apiaputanga. Brás Lourenço assumiu
em 1553 e ficou até 1564 como Provincial.
O
colégio recebeu o nome de São Tiago por ter
sido inaugurado no dia deste santo, 25 de julho de 1551. Era
uma palhoça igual às outras construções
do lugar. Teve a primeira chamada para matrícula em
4 de maio de 1552, recebendo a visita do Governador Geral
do Brasil, thomé de Souza e do padre Manoel da Nóbrega.
Os
padres deveriam corrigir os costumes dos colonos e controlar
a ferocidade dos índios pela persuasão, tarefa
difícil, mas que nessa Capitania foi executada com
grande proveito.
Padre
Brás Lourenço esforçou-se na construção
do Colégio de São Tiago, como Provincial da
Ordem Jesuítica; também criou inúmeras
fazendas e aldeias de catequese. Deve-se ao Pe. Manoel Paiva
(? - 1584), Provincial do Espírito Santo de 1564-1584,
a maior parte da construção do colégio,
levantando as bases em grossas muralhas. A primeira conclusão
desse colégio (sucederam-se várias reformas
e reconstruções) parece ter-se dado em 1587,
quando era Provincial da Capitania o padre José de
Anchieta. Este dizia ter sido o Espírito Santo o lugar
onde a Companhia de Jesus mais prosperara no Brasil.
A
construção do colégio e da igreja contou
com grande apoio dos colonos, que ajudarfam de todas as maneiras
com braços, materiais e dinheiro, pois achavam a iniciativa
positiva. Para isso organizavam e acalmavam os índios
os concentravam es espaços pré-determinados.
Padre
Anchieta era o reitor do Colégio de São Tiago.
Duas vezes por mês, ia de Reritiba a Vitória,
a pé, usando o caminho geral, que era a praia. Havia
feito poços de água potável em Ponta
da Fruta, Guarapari e Praia dos Castelhanos. Sempre passava
pela região de Barra do Jucu, que ficava no caminho.
Anchieta
teve ativa participação na História do
Brasil; na fundação das cidades do Rio de Janeiro
e de São Paulo; na Santa Casa de Misericórida
do Rio; em colégios e igrejas. Catequizou e alfabetizou
curumins, foi historiador das nossas fundações,
iniciador da literatura e poesia brasileiras, autor da primeira
gramática Tupi, nosso primeiro teatrólogo à
moda européia. Fez papel de enfermeiro, médico,
construtor, cientista, embaixador, entre outras atividades.
Os
jesuítas prestaram também importantes serviços,
no campo da agricultura, com técnicas e instrumentos
raros na época. Ajudaram a introduzir inúmeras
espécies vegetais no Barsil, como o côco, jaca,
fruta pão, manga, vindos da Índia, e carambola,
vinda da China.
O
Colégio de São Tiago mereceu atenção
especial nesse trabalho, como epicentro e núcleo irradiador
de nossa colonização, gerando vários
sub-núcleos, como as aldeias já citadas. Apesar
do esforço dos jesuítas, a colonização
só avançou cerca de 5 léguas para o interior,
até inícios do século XIX. Isto por falta
de vontade política, e também por falta de braços,
ferramentas e dinheiro para implementar essa colonização.
No
Espírito Santo, os jesuítas tiveram papel importantíssimo
na formação da sociedade, como agentes integradores
das culturas européia, aborígene e africana.
Apesar dos negros serem escravos, influenciaram muito em nossa
formação, gerando sínteses muito interessantes
no contato entre esses três núcleos culturais,
visíveis em nossas diversas manifestaões, como
a crença em São Benedito e São João,
o congo, o carnaval, as lendas, comidas, remédios naturais,
Bandeira do Divino, Folias de Reis, entre outras. Após
mais de 200 anos de presença no Brasil, os jesuítas
foram expulsos em 1760, por terem bens, terras muito cobiçadas
pelos colonos e mão-de-obra a seu serviço.
Em
1759, o Marquês de Pombal (1699-1782) baixa um decreto
expulsando os jesuítas do Brasil e levando suas propriedade
a leilão público. Suas terras foram divididas
entre os cortesãos e palacianos subalternos. Os índios
foram para a mata ou voltaram a ser escravizados ou utilizados
em serviços públicos, sem remuneração.
Livro:
A História da Barra do Jucu
Autor: Homero Bonadiman Galvêas.
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