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A casa dos Vicentinos
Consta
que em 1913 passou por Vila Velha um padre lazarista da ordem
fundada pelo próprio São Vicente de Paulo, a
Congregação da Missão (CM).
Esses
padres chamam-se lazaristas por que em Paris foi na Gare de
Saint lazaire que eles iniciaram grande atividade de socorro
aos pobres.
Então
Frederico Ozanan, professor universitário da Sorbonne
viu no método de São Vicente de Paulo em atender
os pobres, muito bom e pedagógico e
fundou a Sociedade de São Vicente de Paulo, onde participam
principalmente os leigos, em que enfatizam a caridade em ação.
Em cada bairro fazem conferências sobre os mais diversos
assuntos procurando conscientizar a população,
daí que nos bairros chama-se Conferência São
Vicente de Paulo.
Pois
bem, esses movimentos da Igreja Católica foram trazidos
da Europa para o Brasil e a Sociedade de São Vicente
de Paulo, um deles.
Daí
ter chegado a Vila Velha o referido padre, que de passagem
fundou a Sociedade São Vicente de Paulo na Prainha,
usando o Hotel João Nava para fazer as reuniões.
No mesmo salão do referido hotel onde tudo acontecia,
mais tarde em 1940, seria fundado ali o Dispensário
do Pobres São Judas Tadeu, outra iniciativa de caridade,
que na época enfatizava ajudar as mães solteiras.
Pois
bem, havia uns terrenos vagos ao redor do Hotel João
Nava, onde inclusive, cultivavam hortaliças.
Com
o crescimento da Sociedade São Vicente de Paulo em
Vila Velha, animaram-se e compraram o terreno de João
Nava e iniciaram a construção que lá
está, exceto o que existe nos fundos.
Em
1935 no 4º Centenário do ES, inauguraram a referida
sede.
Em
meados dos anos 70, com o crescimento de Vila Velha, as moradias
ficando cada vez menores e muitos morando já em apartamentos
(onde os condomínios via de regra proíbem velórios)
estava ficando difícil as famíias zelarem por
seus mortos.
Assim,
quando houve um acidente de carro em que morreram 3 pessoas,
pediram que fossem velados na Casa São Vicente de Paulo,
pois inclusive um era vicentino.
Como
nessa época o movimento religioso católico estava
já muito concentrado no Santuário do Divino
Espírito Santo, e a própria Casa São
Vicente de Paulo com pouco movimento, os vicentinos viram
no uso da referida sede como capela mortuária uma fonte
de renda e a arrendaram para uma funerária.
Sr.
Ladislau Cassaro ajudava em todos os velórios e tomava
conta da capela, como muitos passaram assim a ver.
Os
vicentinos fizeram então uma puxada nos fundos onde
passaram a se reunir.
Houve
uma reforma no início dos anos 90 quando substituíram
o forro de madeira por gesso e o piso de friso de madeira
por cerâmica.
Por
volta do ano 2000 o movimento dos vicentinos havia crescido
bastante no município, em vários bairros, e
decidiram separar do Conselho Central de Vitória. Ciaram
um Conselho Central de Vila Velha, de acordo com a estrutura
da Sociedade São Vicente de Paulo que existe em todo
Brasil, e que tem orientação da casa mãe
em Paris.
Como
o recém criado Conselho Central precisava de mais espaço,
eles pediram que a funerária parasse de ali fazer velórios,
e a PMVV teve de, em regime de urgência, criar uma capela
mortuária entre a Toca e o Bairro Ilha dos Aires de
Baixo, para atender a população.
No
vizinho Bairro Cristóvão Colombo tem uma capela
mortuária,bem como em alguns outros.
Com
a interrupção dos velórios na casa São
Vicente de Paulo um aspecto folclórico se perdeu do
que já vinha firmando tradição na Prainha.
Por:
Roberto Brochado Abreu - Presidente da Casa da Memória
de Vla Velha (Maio de 2008)
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