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Antiga capela localizada próxima à Igreja do Rosário. Torcemos pela sua restauração, assim como vem acontecendo com outras casas na Prainha.
Prainha - 2008.
Foto de Mônica Boiteux.

A casa dos Vicentinos

Consta que em 1913 passou por Vila Velha um padre lazarista da ordem fundada pelo próprio São Vicente de Paulo, a Congregação da Missão (CM).

Esses padres chamam-se lazaristas por que em Paris foi na Gare de Saint lazaire que eles iniciaram grande atividade de socorro aos pobres.

Então Frederico Ozanan, professor universitário da Sorbonne viu no método de São Vicente de Paulo em atender os pobres, muito bom e pedagógico e fundou a Sociedade de São Vicente de Paulo, onde participam principalmente os leigos, em que enfatizam a caridade em ação. Em cada bairro fazem conferências sobre os mais diversos assuntos procurando conscientizar a população, daí que nos bairros chama-se Conferência São Vicente de Paulo.

Pois bem, esses movimentos da Igreja Católica foram trazidos da Europa para o Brasil e a Sociedade de São Vicente de Paulo, um deles.

Daí ter chegado a Vila Velha o referido padre, que de passagem fundou a Sociedade São Vicente de Paulo na Prainha, usando o Hotel João Nava para fazer as reuniões. No mesmo salão do referido hotel onde tudo acontecia, mais tarde em 1940, seria fundado ali o Dispensário do Pobres São Judas Tadeu, outra iniciativa de caridade, que na época enfatizava ajudar as mães solteiras.

Pois bem, havia uns terrenos vagos ao redor do Hotel João Nava, onde inclusive, cultivavam hortaliças.

Com o crescimento da Sociedade São Vicente de Paulo em Vila Velha, animaram-se e compraram o terreno de João Nava e iniciaram a construção que lá está, exceto o que existe nos fundos.

Em 1935 no 4º Centenário do ES, inauguraram a referida sede.

Em meados dos anos 70, com o crescimento de Vila Velha, as moradias ficando cada vez menores e muitos morando já em apartamentos (onde os condomínios via de regra proíbem velórios) estava ficando difícil as famíias zelarem por seus mortos.

Assim, quando houve um acidente de carro em que morreram 3 pessoas, pediram que fossem velados na Casa São Vicente de Paulo, pois inclusive um era vicentino.

Como nessa época o movimento religioso católico estava já muito concentrado no Santuário do Divino Espírito Santo, e a própria Casa São Vicente de Paulo com pouco movimento, os vicentinos viram no uso da referida sede como capela mortuária uma fonte de renda e a arrendaram para uma funerária.

Sr. Ladislau Cassaro ajudava em todos os velórios e tomava conta da capela, como muitos passaram assim a ver.

Os vicentinos fizeram então uma puxada nos fundos onde passaram a se reunir.

Houve uma reforma no início dos anos 90 quando substituíram o forro de madeira por gesso e o piso de friso de madeira por cerâmica.

Por volta do ano 2000 o movimento dos vicentinos havia crescido bastante no município, em vários bairros, e decidiram separar do Conselho Central de Vitória. Ciaram um Conselho Central de Vila Velha, de acordo com a estrutura da Sociedade São Vicente de Paulo que existe em todo Brasil, e que tem orientação da casa mãe em Paris.

Como o recém criado Conselho Central precisava de mais espaço, eles pediram que a funerária parasse de ali fazer velórios, e a PMVV teve de, em regime de urgência, criar uma capela mortuária entre a Toca e o Bairro Ilha dos Aires de Baixo, para atender a população.

No vizinho Bairro Cristóvão Colombo tem uma capela mortuária,bem como em alguns outros.

Com a interrupção dos velórios na casa São Vicente de Paulo um aspecto folclórico se perdeu do que já vinha firmando tradição na Prainha.

Por: Roberto Brochado Abreu - Presidente da Casa da Memória de Vla Velha (Maio de 2008)