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Rio Jucu
Não
há muitas informações, mas sabe-se que
o rio Jucu foi responsável pela penetração
no interior dos municípios de Vila Velha, Cariacica
e Viana, no final do século XIX. Na ausência
de estradas, o rio era o meio de transporte e de comunicação.
Os jesuítas possuíam três fazendas situadas
às margens do Jucu. Foram eles que cavaram um canal
que comunicava o rio com a baía do Espírito
Santo, para transporte da produção agrícola.
Vilas
foram instaladas ao longo do rio, como de Jaguaruçu
(que significa onça grande), Tapuera, Caçaroca
e Camboapina. Os vilarejos sobreviviam do Jucu. Os homens
trabalhavam como barqueiros, pescadores ou comerciantes. Foi
assim que surgiu também a Barra do Jucu.
CONGO
Havia
mais ligação entre moradores da Barra do Jucu
com os de Viana do que com os da Capital ou mesmo de Vila
Velha. As vilas tinham seus cais e sua banda de congo. Entre
os instrumentos havia uma espécie de violino de uma
corda só, chamado rebeca, tocado geralmente pelas mulheres.
Outro instrumento diferente era a castanhola, informa o artista
plástico Kleber Galveas.
O
rio Jucu foi represado duas vezes nos anos 60. Foi isso que
inviabilizou a navegação e provocou a decadência
das vilas. Seus moradores foram procurar outra morada para
sobreviver. É o caso de Alcides Gomes da Silva, que
era barqueiro do rio e abandonou Jaguaruçu, para morar
na Barra do Jucu, quando o balneário ainda era uma
aldeia de pescadores.
Foi
“seu” Alcides quem levou a banda de congo para
a Barra. Formada por cerca de 12 pessoas, com seis a oito
tambores, tarol, reco-reco e chocalho. No final dos anos 70,
houve um desentendimento entre Alcides e o maestro da banda,
Onório Amorim, lembra Galveas. Foi aí que se
formou a banda de congo dissidente. E a Barra passou a ter
duas bandas. A da Barra do Jucu, do “seu” Alcides
(após sua morte na liderança de seu filho José
Silva), e a de Onório.
Antes
da divisão “seu” Alcides, muito pobre,
foi procurar emprego numa igreja evangélica que tinha
sido instalada na Barra. Como era líder da banda de
congo, o pastor impôs uma condição. Só
daria o emprego caso Alcides se desligasse da banda. E o líder
vendeu todos os instrumentos. “Por sorte, quem comprou
tudo foi o maior incentivador da banda: Geraldo Pignaton”
O
congo se tornou uma das marcas daquela aldeia de pescadores.
Mas a comunidade não respeitava a banda. Só
passou a dar credibilidade a partir de uma matéria
feita pelo jornalista Júlio Fabris de A Gazeta. “A
Barra era uma vila muito pretensiosa. Preto não entrava
lá”. Mas a banda sobreviveu e hoje está
associada culturalmente à Barra.
O
balneário também marcou presença no setor
de artes plásticas nos anos 70. Chegou a ter a primeira
galeria com mostra regular. Foi fundada pelo radialista Darly
Santos e o artista plástico e poeta Chenier de Magalhães.
Galveas lembra que os vernissages eram animados também
pela banda de congo. Hoje descaracterizada, a Barra enfrenta
problemas de invasão de terras em áreas nobres.
Da aldeia de pescadores restaram no máximo 10 homens
ligados à atividade.
Fonte:
Edição Especial de A GAZETA – Municípios
do ES - Vitória, segunda-feira, 26 de setembro de 1994.
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