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Perocão.
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Perocão

O último reduto dos pescadores artesanais de Guarapari que ainda conserva suas características de vilarejo é o Perocão. A explicação de antigos moradores é que a vila não ganhou tanta publicidade como Meaípe. “Isso foi bom para nós porque ainda temos sossego, mantemos as tradições e conservamos nosso cais na rua central”, diz o proprietário do Restaurante do Nem, Otto Barbosa de Aragão, mais conhecido pelo nome que emprestou ao restaurante: Nem.

A região de Perocão sempre teve fama de ser o porto pesqueiro mais perigoso, com 15 baixas ou ilhas, obstáculos naturais que desafiam os navegadores. A arte da pesca artesanal é passada ainda de pai para filho. Cerca de 60 pescadores receberam esta herança e permanecem aplicando velhas técnicas quando enfrentam o mar. São 60 embarcações que se revezam no atual cais, construído há aproximadamente 20 anos. Houve vários projetos de aterro para alargar a rua, mas os moradores sempre resistiram.

Se hoje a vila de pescadores ainda é rústica, em outros tempos foi literalmente primitiva. Antes da antiga ponte de madeira, havia somente uma pinguela, o que tornava impossível o acesso de carros. Nem lembra que quando chegou a Perocão há 20 anos, o número de pescadores era bem menor. As mulheres assavam peixe na rua para vender aos turistas. O cais abrigava somente barcos de boca aberta (sem casario) de três a cinco metros. Hoje as embarcações de até oito metros já pescam em alto mar.

No verão, os turistas preferem se instalar na vizinha Santa Mônica, que concentra principalmente mineiros e capixabas do interior. Por ser a única vila de pescadores, o Perocão atrai também visitantes interessados em algo mais típico ou em saborear os frutos do mar e as moquecas do tradicional restaurante do Nem. Por lá, as crianças fazem a festa com os 45 pássaros criados em cativeiro – tucanos, azulões, sabiás, melros, papagaios, periquitos, canários, trica-ferros, entre outros.

Fonte: A Gazeta 26 de setembro de 1994

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