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Genealogia de Maria Ortiz
Fonte:
Revista do Instituto Histórico e Geográfico
do Espírito Santo, nº 57 (2003).
Maria
Ortiz (1603-1646)
Maria Ortiz teria nascido em Vitória, a 14 de setembro
de 1603, filha dos imigrantes espanhóis Juan Orty y
Ortiz e Carolina Darico. Esses imigrantes teriam chegado ao
Espírito Santo em 1601, em uma das várias levas
migratórias promovidas por Felipe II (1598-1621), à
época da União Ibérica (1580-1640).
No imaginário capixaba, Maria Ortiz ocupa lugar de
destaque, compondo com Domingos Martins (1781-1817), Caboclo
Bernardo (1859-1914) e outros, além do próprio
Vasco Fernandes Coutinho (c.1495-1561), uma espécie
de Panteão de Heróis.
A heroína, em 1625, contava com 21 anos de idade quando
ocorre a invasão holandesa em solo capixaba, no bojo
da tentativa de dominação batava, iniciada em
Salvador (BA), no ano anterior.
O capitão holandês Piet Pietersz Heyn (1577-1629)
aporta em Vitória em Março de 1625, e aguarda
o momento propício para o desembarque.
A pequena Vitória se prepara para resistir ao invasor
com todas as forças que possui, as quais não
eram muitas.
Já estaria Maria planejando sua ação
heróica, ou foi obra apenas do acaso, decidido de cho-fre,
o furor despejado contra o batavo invasor?
Conta a lenda que, os invasores, após chegarem à
terra, em frente à hoje Escadaria Maria Ortiz (à
época, Ladeira do Pelourinho), e afugentar a pouca
resistência encontrada, lançam-se morro acima,
buscando atingir o paço municipal, para se apossar
da vila, e estabelecer-se nela.
Mas, ao atingirem pouco mais da metade da empreitada, em um
local onde a ladeira se afunilava, em frente a sua janela,
eis que são surpreendidos por um turbilhão de
água fervente, que, aliado a paus e pedras atirados
das janelas vizinhas, incentivados por gritos de comando da
heroína, que deixou ferver o sangue andaluz, põe
os holandeses em desabalada carreira, morro abaixo, pon-do-os
em fuga. Ainda aos gritos, açula os soldados e os populares,
e, com um tição à mão, põe
fogo à peça de artilharia aposta próxima
à sua casa, disparando contra os invasores. Poucos
os que chegaram ao navio sem qualquer ferimento. A ação
surpreendente dá tempo ao donatário Francisco
de Aguiar Coutinho (?-1627) de fortalecer as defesas da vila,
organizando militares e civis para um novo confronto.
Mas, derrotados, humilhados e desanimados, os batavos levantam
ferro quase de pronto, pondo-se ao largo, encaminhando-se
à Bahia.
Reconhecendo o valor da ação, Coutinho, em carta
ao Governador Geral Diogo Luiz de Oliveira, em junho de 1625,
assim relata:
“Na repulsa dos invasores audaciosos é de justiça
destacar a atitude de uma jovem moça que, astuciosamente,
retardou o acesso dos invasores à parte alta da vila,
por eles visada, permitindo assim, que organizássemos
com os homens e elementos de que dispúnhamos, a defesa
da sede. Essa jovem se tornou para todos nós um exemplo
vivo de decisão, coragem e amor à terra. A ela
devemos esse valioso serviço, sem o qual a nossa tarefa
seria muito mais difícil e penosa. O seu entusiasmo
decidido fez vibrar o dos próprios soldados, paisanos
e populares na defesa e perseguição do invasor
audaz e traiçoeiro”
Pouco mais se sabe da vida de Maria Ortiz. Segundo Eurípedes
Queiróz do Valle , a heroína veio a falecer
em Vitória a 25 de maio de 1646, antes de completar
43 anos de idade.
O exemplo de Maria Ortiz, como bem disse o donatário
Francisco de Aguiar Coutinho, foi por demais contagiante,
eletrizando o povo, soldados e tantos quantos habitavam a
pequena vila de Vitória, em 1625. Um exemplo de coragem
e de amor à terra, o que bem pouco temos visto nos
dias de hoje, quando interesses pessoais e, na maioria dos
casos, escusos, preponderam sobre causas mais nobres e de
interesse coletivo. Possa, por ocasião do IV Centenário
de nascimento de sua maior heroína, o capixaba pensar
mais no bem comum, no bem de sua terra, acima de qualquer
interesse pessoal, acima de qualquer interesse escuso. Lembrem-se
do exemplo de Maria Ortiz.
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