| NOBREZA
CAPIXABA
Fonte:
Revista do Instituto Histórico e Geográfico
do Espírito Santo, nº 58.(2004)
Autor: Paulo Stuck Moraes
Ao
contrário do que cita Eurípedes Queiróz
do Valle (O estado do Espírito Santo e os espírito-santenses,
páginas 42 a 44, 3ª edição, 1971),
o Espírito Santo não teve mais que sete representantes
agraciados com títulos de nobreza. Pode, inclusive,
ser contestado esse número, uma vez que alguns deles
não eram nascidos em terras capixabas, apesar de terem
fortes ligações com a solo espírito-santense.
Os capixabas comprovados são apenas três (barões
de Aimorés, Monjardim e o terceiro de Itapemirim),
havendo dúvidas quanto ao barão de Guandu (pouco
provável) e ao barão de Timbuí (bastante
provável). Os outros dois eram um paulista e um fluminense
(primeiro e segundo barões de Itapemirim, respectivamente).
Quanto ao segundo barão de Itapemirim, considerando
que, quando do seu nascimento, Campos dos Goytacazes ainda
estava incorporada ao Espírito Santo, podemos considerá-lo
capixaba, apesar de a cidade de seu nascimento hoje pertencer
ao vizinho estado do Rio de Janeiro.
As citações de do Valle incluem barões
que tiveram o título marcado por nomes de localidades
capixabas (mera coincidência), sem, no entanto, qualquer
ligação com a então província.
O barão de Castelo (Manoel Luiz Rabello), era fazendeiro
na região de Santa Maria Madalena (RJ). O barão
de Conceição da Barra (José Rozendo de
Carvalho) era nascido em Minas Gerais, tendo falecido em São
João Del Rey, e foi conceituado chefe político
naquela província. O primeiro barão de Guandu
(Ignácio Antonio de Souza Amaral - falecido em 1878)
era fazendeiro (Fazenda Olaria, em Iguaçu) fluminense.
Já o barão de Vila Velha (Joaquim Augusto de
Moura) deve a sua denominação ao antigo nome
de Livramento (BA), cidade para a qual fez vultosa doação
para a instrução pública local.
As personalidades que podem ser consideradas da nobreza capixaba
são as seguintes:
1º
Barão de Itapemirim (1846-1860)
Joaquim Marcellino da Silva Lima
(São Paulo (SP), c.1780-Itapemirim (ES), 18.XII.1860)
Fazendeiro
e político capixaba, de origem paulista. Veio para
o Espírito Santo em 1802. Possuía terras que
acompanhavam o rio Itapemirim, sertão a dentro, atingindo
até a região de Alegre. Em 1820, recebe em sua
residência, em Itapemirim, a comitiva comandada pelo
sargento-mor Manoel José Esteves de Lima, que partira
de Mariana (MG), com o intuito de explorar a região
sul espírito-santense. Sendo vice-presidente da província,
exerceu a presidência interinamente em diversas oportunidades:
de 28.XII.1844 a 13.XII.1845, de 03.V.1846 a 27.V.1846, de
02.VIII.1849 a 09.VIII.1849, de 01.VIII.1853 a 04.II.1854,
de 15.VII.1855 a 08.III.1856 e de 15.I 1857 a 18.VI.1857.
Deputado provincial (1844-1845), (1846-1847), (1848-1849),
(1852-1853). Presidiu a Assembléia Legislativa Provincial
em 1853. Recebeu o título de Barão a 15.XI.1846.
Foi elevado a Barão com honras de grandeza (único,
na província) a 31.XII.1849. Teria falecido de desgosto,
por D. Pedro II ter preferido se hospedar em um vizinho (e
adversário político), quando da sua visita ao
Espírito Santo, no início de 1860.
Barão
de Timbuí (1874-1883)
Olindo Gomes dos Santos Paiva
(?, ?-?, 19.VIII.1883)
Político
capixaba. Pesquisas genealógicas recentes indicam que
talvez seja irmão da mãe do barão de
Aimorés, o que o faria nascido em São Mateus,
nos primeiros anos do século XIX. Deputado provincial
(1870-1871), (1872-1873), (1874-1875). No seu ato de nomeação
é citado por relevantes serviços prestados à
humanidade, à linha telegráfica do norte e em
relação à Guerra do Paraguai. Agraciado
com o título em 16.IX.1874
2º
Barão de Itapemirim (1888)
Joaquim Antonio de Oliveira Seabra
(Campos dos Goytacazes (RJ), 1828-Rio de Janeiro (RJ), 23.XI.1888)
Político
e comerciante capixaba de origem fluminense. Vereador em Cachoeiro
de Itapemirim (1867-1870). Exerceu a segunda vice-presidência
da província do Rio de Janeiro. Casado com uma filha
do primeiro Barão de Itapemirim, foi agraciado com
o mesmo título (o segundo desse nome), a 16.V.1888.
Barão
de Aimorés (1889-1893)
Antonio Rodrigues da Cunha
(Conceição da Barra (ES), 1834-São Mateus
(ES), 31.VII.1893)
Proprietário
rural na região de São Mateus e Nova Venécia,
onde fundou a Fazenda do Centro. Foi casado, em primeiras
núpcias, com uma filha do primeiro barão de
Itapemirim, e, em segundas núpcias, com uma irmã
do barão de Rio das Flores. Agraciado a 24.VIII.1889
Barão
de Monjardim (1889-1924)
Alpheu Adelpho Monjardim de Andrade e Almeida
(Vitória (ES), 20.IV.1836-Vitória (ES), 06.VI.1924)
Militar
e político capixaba. Filho do coronel José Francisco
de Andrade e Almeida Monjardim. Na condição
de vice-presidente da província, presidiu-a, interinamente,
nos períodos de 19.II.1878 a 04.IV.1878, 02.I.1879
a 07.III.1879, 19.VII.1880 a 06.VIII.1880, 12.II.1882 a 02.IV.1882,
17.III.1884 a 01.V.1884, 29.I.1885 a 03.III.1885, 28.VII.1885
a 21.VIII.1885 e 18.VII.1889 a 19.VII.1889. Deputado provincial
(1864-1865), (1866-1867), (1868-1869), (1888-1889). Deputado
à Assembléia Geral (1881-1884). Presidente (primeiro
eleito, na República) do estado, no período
de 07.VI.1891 a 18.XII.1891. Deputado federal (1909-1912).
Agraciado a 24.VIII.1889
2º
Barão de Guandu (1889-?)
João Bernardes de Souza
Proprietário
rural na região de Castelo. Foi tenente-coronel da
Guarda Nacional, exercendo o cargo na estação
Santa Helena, em Castelo. Agraciado com o título em
25.IX.1889. Casado com uma neta do Barão de Cocais
3º
Barão de Itapemirim (1889-1916)
Luiz de Siqueira da Silva Lima
(Itapemirim (ES), 10.IV.1844-Rio de Janeiro (RJ), 09.XI.1916)
Magistrado
e político capixaba. Filho do primeiro Barão
de Itapemirim. Agraciado com o título de Barão
de Itapemirim (o terceiro desse nome), em 25.IX.1889. Vereador
em Cachoeiro de Itapemirim (1877-1882). Deputado provincial
(1862-1863), (1884-1885), (1886-1887). Senador (1900-1908).
Levy Rocha (Crônicas de Cachoeiro), citava um 4º
barão de Itapemirim (na realidade, o encaixa como segundo),
que não existiu, pois não havia sucessão
hereditária na nobreza brasileira. Trata-se do filho
homônimo do primeiro barão. O título só
era concedido por decreto imperial, e esse segundo Joaquim
Marcellino da Silva Lima não foi com ele agraciado.
Além disso, deixa no condicional a existência
dos outros dois, que, de fato existiram, face a existência
dos respectivos decretos de nomeação.
Em São Mateus, o filho do barão de Aimorés,
também homônimo do pai, ficou conhecido como
Tonico Barão, apesar de nunca o ter sido, posto que
já se encontrava o Brasil na República, por
ocasião do falecimento do barão de Aimorés.
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