| Imigração
no ES
Fontes:
- Novo
Atlas Escolar do Espírito Santo - Neida Lúcia
Moraes
- História do Espírito Santo - Uma abordagem
didática e atualizada - 1535 - 2002 - José P.
Schayder
- IPES
Enquanto durou o tráfico de escravos, a emigração
européia era muito difícil porque o trabalho
livre não podia concorrer com o trabalho escravo. Depois
da proibição do tráfico, em 1850, começamos
a recorrer aos imigrantes brancos para suprir as necessidades
da lavoura.
Na
Europa, por essa mesma época, o excesso de população
se transformava em problema para muitos países. Um
excesso de população representa dificuldade
na procura de espaço para trabalhar e manter a vida.
Por
meio de contratos, assinados pelos colonos ainda na Europa,
o governo capixaba comprometia-se a lhes conceder:
1
- Transporte
2 - Hospedagem provisória em Vitória e nas colônias
3 - Assistência médica por 2 anos
4 - Um lote de terras que chegava a 60 hectares
5 - Meios de subsistência por 6 meses
6 - Instrumentos de trabalho indispensáveis à
lavoura: enxadas, foices, facões e machados.
7 - Sementes e mudas de milho, feijão, batata e abóbora
8 - Um casal de porcos, 2 galinhas e 1 galo.
Algumas
dessas promessas foram quebradas.
Ainda
assim, os imigrantes se estabeleceram e começou a ser
formada a população que habita o Espírito
Santo. Somos formados por portugueses, africanos,
principalmente de Açores, alemães,
suíços, luxemburgueses,
tiroleses, austríacos,
belgas, italianos, holandeses,
gregos, espanhóis,
sírios e libaneses.
Esses dois últimos não foram para a lavoura.
Fixaram-se nas cidades, principalmente no litoral, e dedicaram-se
ao comércio.
O
imigrante procura o mesmo paralelo geográfico de onde
saiu ou aquele da mesma latitude no outro hemisfério.
O paralelo 20º marca, no Brasil, o limite da colonização
européia.
No
Espírito Santo, o Rio Doce, um pouco ao norte, na latitude
média de 19º30', foi o limite efetivo. A colonização
Sul e Centro-Européia que, aproximadamente, atravessava
o paralelo 20º, se fixou principalmente às margens
do Rio Doce.
Os
italianos foram os que vieram em maior número. A música
"Noi siamo partiti" é conhecida de muitos
descendentes das famílias italianas:
|
Noi
siamo partiti
Nós
partimos (= saímos)
Noi
siamo partiti daí nostri paesi
Nós saíamos de nossos países
Noi
siamo partiti com grandi onori
Partimos com grandes
honras
Trenta
sei giorni di macchina e vapore
Trinta e seis dias (viajamos) de vapor
E
nella merica noi siano arrivati.
E chegamos à América.
Merica,
Merica, Merica
América, América, América
Cosa
rara la sta Merica
Coisa rara (deve ser) esta América
Merica,
Merica, Merica
América, América, América
Un
bell mazzolino di fior
(Deve ser parecido com) um belo ramalhete
de flores. |
|
E
nella Merica noi siano arrivati
E chegamos à América
No
abbiam trovato ne paglia e ne feno
Não achamos nem palha e nem feno
Abbiam
dormito sul nudo terrno
Dormimos sobre a nua terra
Come
le bestie che vano riposar
Como animais que vão repousar
Ala
Merica l'e lunga l'arga
A América é comprida e
larga
E
l'e composta di Boschi e montagne
É formada de bosques e montanhas
E
coll'industria di boschi e mantagne
E com a indústria (=com o material
oriundo) dos bosques e montanhas
E
coll'industria dei nostri italiani
E com a indústria (=trabalho,
operosidade) dos nossos italianos
Abbiam
formato paesi e citta
Construímos vilarejos (=aldeias)
e cidades. |
Os
principais focos de imigrantes do Espírito Santo são:
Alemães
Santa
Maria de Jetibá, Santa Leopoldina, Domingos Martins
e Marechal Floriano.
Italianos
Nova
Venécia, Santa Leocádia, São Mateus,
São Gabriel da Palha, Vila Valério, São
Domingos do Norte, Rio Bananal, Baixo Guandu, Itapira, Colatina,
Baunilha, Itaimbé, Acioli, Cavalinho, São João
de Petrópolis, João Neiva, Itaguaçu,
Ibiraçu, Itarana, Santa Teresa, Fundão, Santa
Cruz, Afonso Cláudio, Venda Nova do Imigrante, Conceição
do Castelo, Muniz Freire, Araguaia, Matilde, Alfredo Chaves,
Castelo, Vargem Alta, Iconha, Anchieta, Rio Novo do Sul e
Muqui.
Libaneses
Alegre,
Cachoeiro de Itapemirim e Mimoso do Sul.
Todos
esses povos foram ativos trabalhadores e deixaram sensíveis
influências na cultura do Espírito Santo.
No
mapa ao lado saiba como percorrer as estradas que cortam o
Espírito Santo para que você conheça de
perto a sua origem. |