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* ENTREVISTA COM ALVARITO MENDES FILHO - 9/05/06 **
09/05/2006

Site: Afinal, Vasco Coutinho aportou na Prainha ou na Praia do Ribeiro, aos pés do Morro do Moreno?
Alvarito: Na pesquisa que eu fiz, ele desembarcou na beirada do rio, na foz do rio da Costa (atual Valão). Não faz sentido o desembarque na Prainha, eles chegavam aonde tinha água doce, que era a água que eles usavam para fazer comida. Essa foi a pesquisa que eu fiz e encontrei. Todo mundo fala que é Prainha. Eu não estou aqui para criar uma celeuma.

No meu livro, tem um trecho que Vasco fala: “Vamos desembarcar aonde?” “Ali, perto daquele monte, que vou dar o nome de João Moreno, Morro do Moreno, tem um riacho de água potável, então vou ficar ali”. Em resumo é mais ou menos isso. Se você procurar no livro, vai ver essa cena. Aquela prainha teria sido onde eles desembarcaram, fizeram uma paliçada para se proteger contra os índios, ergueram uma capelinha em homenagem a um santo. A pesquisa que eu fiz indicou isso. Quando eu pesquisei era lá. E faz mais sentido.

Site: O que é mais característico da cultura de Vila Velha, na sua opinião?
Alvarito: O congo marca bem a cultura de Vila Velha. É um elemento ímpar na nossa cultura. Mas eu acho que tudo que a gente faz no ES, em Vila Velha, acaba tendo um sotaque nosso.

O nosso teatro é um pouco diferente do que se faz no resto do país. Falta a gente reconhecer e valorizar.

O pessoal do congo reclama com uma certa razão. As propagandas captam uma imagem do congo, para mostrar que é uma empresa genuinamente capixaba. E daí? Em que o pessoal do congo se beneficiou com esse reconhecimento? Nada.

É preciso que além do reconhecimento tivesse disponibilidade de apoiar essas manifestações no que elas precisam para sobreviver. É óbvio que todo mundo precisa de algum recurso. O grupo vai viajar, é preciso contratar um ônibus, o lanche, é o uniforme que está rasgando, velho, precisa comprar tinta para fazer a casaca, o tambor, que são os elementos usados no congo. Então esse reconhecimento tem que vir junto com o patrocínio.

Uma vez eu fiz uma avaliação do nosso entorno. Nós temos aqui a Bahia do lado, bem afro, Rio e São Paulo, duas portas para o mundo e Minas, aquela coisa bem regional. Nós ficamos meio perdido, sem saber quem somos. Por outro lado, às vezes temos vergonha de falar das nossas coisas, coisas positivas, enquanto: qual é a cultura da Bahia? A preguiça. Qual á cultura que São Paulo vende? O brega. O que o Rio vende? A malandragem, o malemolejo. Minas até que é mais valorizada, em termos de valores éticos. Nós aqui temos coisas excelentes e que às vezes ficamos um pouco calados, não divulgamos com uma certa vergonha, enquanto os outros põem a boca no mundo e dizem: Isso aqui é meu! Vem festejar comigo!

O nosso povo tem até virtudes maiores que os outros, mas ainda não se firmou nacionalmente e nós ficamos aqui meio retraídos, como se estivéssemos com vergonha desse aspecto cultural nosso.

Site: Quais são os projetos para a área cultural de Vila Velha para esse ano?
Alvarito: No dia 23 de maio, que é a Colonização do Solo Espírito-Santense, vamos ter eventos cívicos, desfiles das forças armadas e das escolas. A proposta para esse ano é que seja na Rua Castelo Branco, terminando lá na Prainha. Vamos ter eventos culturais e artísticos, o palco está montado no Parque da Prainha, onde foi o palco da Festa da Penha.

Perto do arco do Parque da Prainha, será montado o Circo Cultural. Nesses dois espaços vamos ter uma série de eventos culturais, shows, com um nome nacional, uma banda. Nós estamos vendo 4 nomes que são: Skank, Paralamas do Sucesso, Seu Jorge ou Cidade Negra. Será um dos quatro. Além deles, teremos Alexandre Lima com Gabriel Pensador, que virá como convidado do Alexandre, no outro dia a Banda Casaca, e no outro dia devemos ter o Marcelo Ribeiro e Banda ou a Orquestra Filarmônica do Estado. Entremeando esses shows, teremos a apresentação de bandas que participaram do Festival Bandas Novas. As mais bem premiadas irão se apresentar dessa vez.

Os eventos começarão dia 20 e irão até dia 23 de maio

Estão previsto também outros eventos, como os Jogos da Colonização, com a garotada do futebol, o Janc está nos apoiando e também jogos de futebol de salão adulto. Queremos incluir o esporte na programação.

No Circo Cultural iremos prestigiar música e outras manifestações culturais e artísticas, como o pessoal da arte circense, a literatura, teatro, congo, capoeira, contadores de histórias e oficinas de artes temáticas. É lá que conseguimos prestigiar a arte e cultura de uma forma mais ampla. A inclusão do circo, a lona, quando fizemos a Festa da Penha, foi um grande ganho para o artista local e para o público. É um evento para a família como um todo. Tem bola-mania para as crianças, cinema, blues para os jovens e congo, que é para todo mundo.

Nós estabelecemos esse ano o molde para a Festa da Penha, deu resultado e queremos continuar. O canela-verde tem tudo para ter uma auto-estima lá em cima. Temos uma vocação turística maravilhosa, vocação para a cultura, arte, esporte. Vila Velha é um município muito viável. Temos que trabalhar para que todos esses eventos aconteçam em Vila Velha.

Quando eu assumi a Secretaria Adjunta de Cultura, eu chamei a atenção do Prefeito para o fato de que o saneamento básico, a educação, são fundamentais para a vida da pessoa, são vitais, agora a maioria dos municípios que aparecem com uma boa imagem Brasil afora, são aqueles que investem em cultura e esporte. Qual é aquela cidade que tem um Festival de Cinema? Aquela que tem o melhor carnaval com ritmos axés? E aquela cidadezinha no ES que tem um Festival de Forró? O Município que tradicionalmente tem escritores que nascem lá? Dentro do próprio município, se você perguntar qual é aquele bairro que tem uma característica cultural e artística mais forte? Todo mundo sabe que é Barra do Jucu, que estamos falando de Cachoeiro, enfim.

Dentro da administração pública, investir em cultura é um bom senso do governante, uma característica de visão.

Eu acredito muito na cultura de Vila Velha, no potencial que ela tem para o turismo. O turista não quer só praia e boteco. Ele quer saber o que está rolando na cidade, qual é o artista daqui. Nós fizemos muito sucesso com a Tenda da Cultura no verão porque colocamos os nossos artistas para se apresentar lá. A turistada ficou encantada. Não só a turistada, mas também o nosso munícipe que começou a ir e se sentir bem.

É uma forma de prestigiar o que é nosso e prestigiando o que é nosso, estamos prestigiando o nosso visitante. Não tenho a menor sombra de dúvida disso.

>> Clique aqui e leia trecho do livro "Vasco Fernandes Coutinho", de Alavarito Mendes Filho.

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