Site: Como iniciou sua carreira de ator?
Alvarito: Comecei a fazer teatro em Jardim América, já como diretor. Eu estava na igreja, assistindo uma encenação de uma peça que seria representada na Semana Santa, um colega pediu minha opinião, eu dei, ele achou que eu entendia do negócio e me colocou como Diretor da peça.
Virei especialista em Semana Santa, dirigi peças no Estado inteiro, São Roque, aquela montagem imensa que tinha lá.
Na UFES, por força do inglês da Inglaterra, que estudávamos, começamos a montar pequenas cenas. Teve um ano que nós montamos um espetáculo. Minha sala tinha 30 mulheres e só eu de homem. A idéia do Professor Gilson Sarmento era montar um espetáculo com pequenas cenas, de várias épocas do teatro inglês, e feitas por uma mulher e um homem. Quando montamos, eu fiz todos os personagens masculinos, como Romeu, fui o Petrucchio da “Megera Domada”, fiz vários papéis, e as meninas se revezavam.
Renato Saudino, um diretor de teatro, me viu fazendo esse trabalho e me chamou para fazer teatro em Vitória. E aí eu comecei a fazer teatro e nunca mais parei. No ano passado eu completei 30 anos de poesia e esse ano eu estou completando 30 anos de teatro.
Site: Quais são as dificuldades para o ator capixaba?
Alvarito: O teatro infantil tem menos dificuldade hoje, existe um mercado para o teatro infantil. Eu criei há alguns anos o “Grande Festival de Teatro Infantil no ES”, que já está no seu 8º ano. Há 4 anos eu me afastei do Festival, mas meus irmãos continuam tocando o projeto,
Em 2005 os espetáculos foram vistos por 33 mil pessoas em Vila Velha e Vitória. O público infantil é um público mais viável. O grande desafio está em a gente conseguir seduzir o adulto, a gente sabe que é um público mais difícil. Mas acho que é um trabalho de resistência cultural, que nós, artistas, temos que encarar. Nesse momento eu estou montando uma peça chamada “Morto por 30 dias”, é uma comédia, foi o meu texto mais recente premiado em concurso.
Site: Qual o gênero que o capixaba gosta mais?
Alvarito: Ele gosta mais da comédia. Mas eu acho que a gente não pode abrir mão da qualidade, pensar que quem faz comédia faz qualquer comédia. A comédia tem que ser de bom gosto, de bom nível, uma comédia que leve a raciocinar um pouco. E também não podemos abrir mão do bom drama, onde contam temas da ordem do dia. Acho importante que nós tenhamos espetáculos também trágicos, ou com carga de dramaticidade muito grande.
Não é tanto a questão do gênero, mas do assunto que são discutidos, que são necessários. Por exemplo: As doenças sexualmente transmissíveis, a questão social dos jovens, o jovem de periferia, a violência contra a criança que é cada vez maior, ao invés de nos tornarmos mais carinhosos com as crianças, cada vez mais se pratica abusos contra crianças, enfim são vários assuntos que eu acho que são necessários e que o artista capixaba tem que trabalhar isso.
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