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Ilha Maria Catoré

Ilha Maria Catoré de frente para a Marinha, foto de 1936

É uma ilha que fica em frente da EAMES – Escola de Aprendizes de Marinheiros do ES, na Prainha, desprovida de vegetação.

Tem ponta de pedra submersa que avança para dentro do canal ameaçando a navegação (será dinamitada no próximo derrocamento que a CODESA licitar).

Curiosamente por estar na baía de Vitória, e a margem sul dessa ser a divisa dos Municípios de Vitória com o de Vila Velha, juridicamente a ilha pertence a capital.

A toponímia que nos chegou talvez seja a da versão que o nonagenário Ubaldo Senna nos passou:

Essa ilha era gêmea com a Ilha da Forca (hoje anexada à EAMES) e ali havia uns argolões onde uma senhora chamada Maria Catoré ou Maria dos Pontões, amarrava suas embarcações (pontões). Daí seria o nome.

Outra seria de origem bem mais antiga, pois conta-se que as almas penadas dos executados na Ilha da Forca, por ali apareceriam a noite e essa toponímia já era citada antes do uso pela Maria dos Pontões.

Essa Maria dos Pontões era herdeira de alguém que com essas embarcações de casco de ferro, puxadas por pequeno rebocador, fazendo uso até de vela, trazia areia monazítica e ilmenita de Guarapari para Vila Velha.

Esses pontões atracavam no “Cais de Dona Celeste” em frente da casa da Família Shalders e do tanque de captura de peixes, para ali desembarcar a areia.

Essa areia seguia em vagonetas do tipo das usadas em minas de carvão, sobre trilho até a usina de beneficiamento de areia monazítica, que existia num galpão onde hoje é o Colégio Godofredo Schneider.

No final do Século XIX na Europa e nos Estados Unidos o uso de partículas radioativas havia começado para fabricação de ampolas de Raio X, pois foi em 1896 que Henri Becquerel desenvolveu pesquisas com o urânio depois intensificadas por Pierre e Marie Curie. Roentgen descobriu o raio X em 1895.

Pois bem, ali nesse galpão (que vi já desativado após nele também funcionar a Fábrica de Balas), a areia passava por uma centrífuga e as partículas com maior concentração de radiotividade eram acondicionadas em sacas e exportada por uma firma estrangeira pelo porto de Vitória.

Quem sabe se o urânio usado no Projeto Manhattan que fabricou as bombas que destruíram Hiroxima e Nagasaqui se não tinham areia de Guarapari, beneficiadas na Prainha?

As almas penadas de Maria Catoré poderão esclarecer esses fatos... Quem viver verá e lerá outras crônicas ou as relerá das já feitas no passado sobre a lendária Maria Catoré.

 

Fonte: Roberto Brochado Abreu. Membro da Casa da Memória de Vila Velha, 2009

Toponímia: Toponímia é a divisão da onomástica que estuda os topônimos, ou seja, nomes próprios de lugares, da sua origem e evolução; é considerada uma parte da lingüística, com fortes ligações com a história, arqueologia e a geografia.

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