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Ponta da Fruta

Localidade do Município de Vila Velha Estado do Espírito Santo.

A toponímia Ponta da Fruta refere na certa porque ali há uma ponta, um cabo, que marca uma mudança de direção do litoral, e provavelmente era um local onde se encontrava facilmente algum tipo de fruta. Essa ponta fica justamente onde da Rodovia do Sol para quem segue para o sul, avista uma igrejinha, no alto de uma colina.

No período colonial, antes da existência do canal do Rio Marinho, que interligou a bacia do rio Jucú com a do Rio Marinho, o trajeto terrestre de Guarapari para Vitória, consistia em passar o rio Una em Perocão e a seguir pelo atual parque Paulo César Vinha, e chegar a Ponta da Fruta, que era um pequeníssimo povoado de quem vivia predominantemente da pesca e de algum cultivo. Bem próximo já há referência ao povoado do Morro da Lagoa.

O pesquisador de nossa história Levy Curcio Rocha, escreveu uma crônica sobre a Ponta da Fruta, em que se refere ao Padre Anchieta que quando de suas andanças hospedava-se via de regra na casa de certa família Gaia na Ponta da Fruta, cuja transcrição será feita em tempo oportuno.

Saint Hilaire, pesquisador francês por ali passou por volta de 1816 e cita as cabanas esparsas que havia no pequeno promontório chamado Ponta da Fruta. A pessoa poderia andar pela areia da praia, mas como é mais cansativo, sempre nessas situações com o uso freqüente do itinerário surge trilhas paralelas à praia, nas restingas, em terreno mais firme, o que facilita inclusive o trânsito de montarias. Dali o caminhante seguia para a Barra do Jucú, onde transpunha o rio e se direcionava para onde fica hoje a foz do Rio Aribiri que deságua na baía de Vitória, tendo ao lado o sítio dos Santinhos próximo do que hoje se denomina Cavalieri, onde há uma colina perto do citado curso d água, e mais à frente, já na foz, à direita, existe a Pedra Dágua (atualmente ocupada pela Penitenciária) e dali atravessava para o Forte de São João em Vitória, passando de canoa para o outro lado da baía de Vitória, onde fica o ginásio de esportes do Clube Saldanha da Gama.

As montarias atravessavam a nado na maré propícia. Em 1816, Hilaire relata que ao atravessar o rio Jucú, se direcionou para Vila Velha, e chegou a achar que estava em trilha errada de tão tomada pelo mato que estava. Voltou, perguntou, e confirmou a orientação.

Seguiu de novo e mais a frente se direcionou para a esquerda numa encruzilhada que encontrou conforme informaram, para chegar à margem sul da baía de Vitória no sítio de Santinhos, para dali atravessar como fez para o Forte de São João.

Ficou denotado que nessa época quem fosse da Barra do Jucú para Vitória, preferiria subir o rio Jucú de canoa, e usando o canal dos Jesuítas, passar para a bacia do Rio Marinho e chegar por sua foz na baía de Vitória em frente da Ilha de Vitória, onde hoje está a cabeça das 5 pontes do lado do município de Vila Velha.

Por conta disso o mato acabava tomando conta da trilha do percurso terrestre pouco usado, e menos usado ainda por conta da diminuta população, e assim ficava tendo pouca ligação com Vila Velha, o mesmo ocorrendo com o pessoal da Ponta da Fruta.

Tal quadro só veio se modificar em meados do século XX quando foi feita a estradinha de rodagem de Vila Velha para a Barra do Jucú e dali para a Ponta da Fruta. Nota-se que falar de Ponta da Fruta, sempre vai se tocar na vizinha Barra do Jucú, bem como no Morro da Lagoa. E para os vila velhenses de mais de cinqüenta anos, vem a lembrança, por exemplo, de Augusto Italiano, família Góes Coutinho, e muitas outras. Até seu "Zezeu " Queiroz era filho de Ponta da Fruta!

A festa das canoas sempre será recordada, que costuma acontecer nos primeiros dias de cada ano. A principal Escola do povoado leva o nome de uma integrante da família Góes. Outro filho ilustre de Ponta da Fruta é o Desembargador Jorge Góes Coutinho que já foi Presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Espírito Santo. Ponta da Fruta vem crescendo muito, a partir da abertura da Rodovia do Sol, asfaltada em 1976.

Tem ao sul o bairro Nova Ponta da Fruta, ocupando a restinga da praia do Sol, terminando na "foz" não permanente do "Riacho" Doce, nossa divisa com o Município de Guarapari. O IBGE cita que esse curso d'água, como o Chury ou Xury, muitas vezes já não tinha há décadas, volume suficiente em grande parte do ano para alcançar o mar.

Por: Eng° Civil Roberto Brochado Abreu. Fundador e membro da diretoria Membro da Casa da Memória de Vila Velha. (09/12/2009)

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