Lembrei-me desta história por causa da melancólica participação do Brasil na Copa do mundo de 2006. O escrete canarinho chegou à Alemanha com honras de superfavorito, mas em nenhum momento justificou a fama ou correspondeu às expectativas, sendo derrotado com toda justiça pela França nas oitavas-de-final, adiando o sonho nacional de acrescentar mais uma estrela às outras cinco já colecionadas.
O time brasileiro jogou um futebolzinho burocrático, medíocre, sem sal, desinteressado, como se fôssemos nós os franceses, a desfilar nos gramados o nosso ar blasé. Entretanto, não temos o charme dos habitantes da Riviera, que visitam o Louvre em qualquer fim-de-semana, carregam suas baguetes debaixo do sovaco, fazem biquinho para falar e não precisam tomar banho porque há em cada praça uma fonte jorrando Chanel nº 5; não, esta atitude não combina com nossa tradição terceiro-mundista de quem precisa, como dizia o Amaral, correr atrás da bola como quem corre atrás de um prato de comida.
Não vou falar da decepção com a perda da taça, nem da teimosia do Parreira (excelente pintor!) em escalar como titulares jogadores que estavam em condições técnicas e físicas visivelmente inferiores à dos reservas; um ou dois dias depois da catástrofe, que já se anunciava desde os primeiros jogos do Brasil, eu já havia esquecido a Copa do Mundo.
Fonte: Vagas lembranças de um quase atleta.
Autor: Paulo Marreco
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