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A criação da Vale - Parte I (História da Vale)

Extração de minério no Pico do Cauê, em Itabira (MG), no ano de 1944

Nascimento com prazo de validade

 

No momento em que o presidente Getúlio Vargas empunhou a caneta para assinar o Decreto-Lei nº 4.352, que criava a Companhia Vale do Rio Doce, em 1º de junho de 1942, é possível que não tenha se dado conta da real importância que este ato teria para a história do Brasil – especificamente para o futuro da mineração. A Vale – ao lado da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), criada um ano antes – era mais que uma peça no tabuleiro das relações internacionais em tempos de guerra. Em breve, teria vida própria e se transformaria em uma das maiores empresas do país.

Em 1º de junho de 1942, o Brasil estava imerso em uma crise institucional que tinha como ponto central a decisão sobre a entrada do país na Segunda Guerra Mundial. Vinte dias antes, o navio mercante Comandante Lira fora torpedeado em águas brasileiras, entre o Ceará e o Rio Grande do Norte, em atentado atribuído a submarinos alemães. Nos dias que se seguiram, outros três navios brasileiros tiveram o mesmo destino – o último deles, Alegrete, exatamente em 1º de junho.

Pelas ruas do Rio de Janeiro, então capital da República, a população começava a perseguir imigrantes alemães, pichando suas residências e apedrejando seus estabelecimentos comerciais.

A instabilidade econômica resultaria também na criação de uma nova moeda, o cruzeiro, em outubro do mesmo ano. Seria a primeira modificação na moeda brasileira desde a Independência, em 1822.

Em 1942, o Brasil – que transformara “Ai que saudades da Amélia”, de Ataulfo Alves e Mário Lago, num sucesso instantâneo – precisava encontrar seu rumo. O país precisava de dinheiro, precisava nacionalizar seu minério e, diziam os parceiros comerciais americanos, precisava entrar na guerra. A Companhia Vale do Rio Doce, empresa

capaz de alavancar o fornecimento de ferro para a indústria bélica  americana, era fundamental.

Criada a partir da incorporação da Companhia Brasileira de Mineração e Siderurgia S. A. e da Itabira de Mineração S. A., trazia, no pacote de sua fundação, a manutenção, a exploração e a ampliação da Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM). No pacote viria também a Mina do Cauê – minimamente explorada durante a passagem de Percival Farquhar pela presidência da Itabira Iron Ore Company –, que se transformaria em uma espécie de símbolo dos primeiros tempos da Vale.

No artigo “O Brasil e seu minério de ferro”, publicado no Observador Econômico e Financeiro, em 1945, logo após o início das explorações, Cauê é avaliada como uma mina de alta produtividade. “Sabe-se que o minério de Cauê acha-se à "or da terra e cada tiro de explosivo faz com que se desprendam 4 mil toneladas.”

O primeiro bloco de pedra foi retirado pela Vale em 24 de outubro de 1944. Era o marco inicial de um projeto que iria além da mina em si e começaria a traçar a própria história da mineração no Brasil.

Conforme se verá a seguir, a CVRD era fruto dos chamados Acordos de Washington, em que estava prevista a participação, em cargos estratégicos, de estrangeiros no comando da Companhia. O primeiro superintendente nomeado, Israel Pinheiro, estivera em Washington na assinatura dos acordos. Em seu primeiro ato, em diligência na Vitória a Minas, Pinheiro pediu uma tesoura emprestada, cortou a manga da camisa e disse: “Agora, mãos à obra.” A frase estaria presente nos folhetos que vendiam as ações da Companhia e explica, em parte, a trajetória da empresa desde então.

No artigo 4º do Estatuto de Criação da Companhia Vale do Rio Doce (anexo ao Decreto-Lei n 4.352, de 1º de junho de    1942) estava escrito: “O prazo de duração da Companhia será de 50 (cinquenta) anos, a contar da Assembleia Constitutiva da mesma, reservada, entretanto, à Assembleia Geral, a faculdade de deliberar, a qualquer tempo, sobre a prorrogação deste prazo ou sobre a dissolução da Companhia antes do termo fixado.”

 Há 70 anos a Vale, com o fôlego de uma criança, vem contrariando as previsões de seu próprio estatuto de fundação.

 

Fonte: Vale 70 anos: Nossa História, 2012
Compilação: Walter de Aguiar Filho, junho/2013

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