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A equipe do Governador Aristeu de Aguiar

Livro: Biografia de uma Ilha
Autor: Luiz Serafim Derenze

A pasta dos Negócios do Interior e Justiça foi dada ao Dr. Mirabeau da Rocha Pimentelconcunhado do Presidente, mas veterano de dois governos na gerência de negócios públicos. A Secretaria da presidência, ao espírito organizado de Nelson Goulart Monteiro.

As finanças, periclitantes, com a crise que se esboçava no mundo inteiro, desgastadas com as grandes obras realizadas pelo Dr. Ávidos, couberam a José Vieira Machado, gerente do Banco do Brasil, cuja carreira, vinte anos depois, culminaria como Ministro da Fazenda.

Aristeu Aguiar, como advogado do Banco do Brasil, conhecia-lhe as virtudes financistas.

Ormando Aguiar, chefe das Linhas da Estrada de Ferro Leopoldina, foi chamado para a Secretaria de Viação e Obras. Estava em voga a corrente reformista da Pedagogia moderna e Atílio Vivacqua, homem de estudo e jurista, recebeu a pasta da Instrução.

Ao experimentado nos problemas urbanos, Moacir Avidos, foi dada a Prefeitura da Capital.

O Serviço de Defesa do Café, base do mais alto interesse econômico do Estado, foi confiado a Audifax Aguiar.

Saúde Pública coube ao irmão mais velho da família, Dr. J. Dukla de Aguiar, intransigente e trabalhador. Os freqüentadores do “Café Globo” e do “Bar Petrópolis” receberam com frieza indisfarçável a nomeação do culto secretariado governamental. Eram todos inatacáveis, porém a singularidade de pertencerem, em maioria, ao grupo familiar, emprestou-lhes coloração suspeita de oligarquia.

Ormando Borges de Aguiar fez toda sua carreira de engenheiro na Estrada de Ferro Leopoldina; isso significa que se moldou ao trabalho metódico e planejado, apanágio da índole britânica. Com os cofres minguados não se apressou em dar início a obras de preço. Entendeu que era necessário, antes de tudo, conhecer os problemas no papel. As plantas municipais, levantadas por Augusto Ramos em 1908 e por Henrique Novais em 1919, mutiladas e desrespeitadas, não mais mereciam fé. O primeiro ato positivo da Secretaria de Viação foi mandar levantar a planta cadastral da cidade, dentro do rigor prescrito pela técnica.

Confiou essa operação ao professor de Topografia e Geodésia da Escola Politécnica do Rio de Janeiro, Dr. Luiz Cantanhede. Os trabalhos foram executados pelos alunos daquela Escola, superintendidas pelo assistente de Topografia, engenheiro Cantanhede Filho. A comissão de estudantes se limitou a medir, a base fundamental, em Aribiri, com 1.250 metros. A medida foi o lado fundamental da triangulação de primeira ordem que, tanto podia servir para o levantamento cadastral da Ilha, como para a carta geográfica do Estado. Jamais se praticara, no Espírito Santo, trabalho técnico com tanto rigor científico. A base foi medida entre Aribiri e Vila Velha, donde partiram os trianguladores da “Comissão do Cadastro Territorial.”

O traçado da Estrada de Ferro Sul do Espírito Santo, hoje Leopoldina, construída porMoniz Freire, por qualquer circunstância, seguiu caminho galgando a Serra do Mar. Venceu longas rampas com violentas curvas, prejudiciais ao tráfego. Não pode sobreviver. É necessário modificar-lhe a diretriz. Foi a preocupação do engenheiro Ormando Borges de Aguiar, mandando construir a Estrada do Litoral, suprimindo o péssimo percurso, embora pitoresco de Vitória a Cachoeiro. A revolução de 1930 postergou o empreendimento. Salvou-se o trecho de Araçatiba a Rio Novo, hoje em grande parte coberto pelo eixo da BR 5.

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 Aristeu de Aguiar
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