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A Fundação de Vitória

Foto da Capela de Santa Luzia, sem data - A Capela de Santa Luzia, construção mais antiga da capital Vitória, erguida por Duarte de Lemos, 1537.

INSPIRADO pela preocupação de tornar menos precária a segurança dos seus governados, Vasco Coutinho transferiu a sede da capitania para a ilha de Santo Antônio, onde a defesa era mais fácil, protegida que estava pelas águas circundantes.

A tradição e a opinião de vários autores concordam em que a nova povoação foi fundada em 1550.(11)

Preferimos a hipótese de Afonso Arinos de Melo Franco ao escrever que, “nesta ilha, teria provavelmente Duarte de Lemos alguma humilde povoação de lavradores”.(12)

De 1550 é o predicamento de vila dado à povoação, que tomou o nome de vila da Vitória. Tal fato teria ocorrido antes de três de março daquele milésimo,(13) pois dessa data existe uma provisão passada por Antônio Cardoso de Barros, “Provedor-mor da Fazenda de El-Rei Nosso Senhor nestas partes do Brasil”, onde se lê: “Faço saber aos que esta virem, que por nesta Villa da Victoria Provincia do Espirito Santo Capitania de Vasco Fernandes Coutinho...”(14)

Em março de 1550 já estavam, pois, oficializadas perante as autoridades do governo geral a existência e a denominação da vila da Vitória. Aquela provisão lança por terra a tradição de que foi o triunfo alcançado pelos ilhéus a oito de setembro de 1551, sobre os silvícolas, que inspirou o nome de Vitória à povoação fundada na antiga ilha de Santo Antônio com o nome de Vila Nova – “por oposição ao nome de Vila Velha, com que se designava a vila do Espírito Santo”.(15)

 

NOTAS

(11) - PENA, História, 30.

(12) - Desenvolvimento, 34.

(13) - Quem sabe a instalação da vila da Vitória não ocorreu entre vinte e seis de fevereiro de 1550 e três do mês seguinte? O cotejo de duas provisões conduz a esta hipótese.

E as circunstâncias corroboram-na, como adiante se verá.

Naquele ano, Antônio de Barros, provedor-mor; Pero de Góis, capitão-mor do mar; e Pedro Borges, ouvidor geral, tinham vindo correr as capitanias do sul, por ordem (?) de Tomé de Sousa. A vinte e seis de fevereiro, “nesta Villa do Espirito Santo”, Cardoso de Barros assinou a provisão encarregando Francisco de Oliveira dos ofícios de feitor e almoxarife da capitania (DH, XXXV, 62); cinco dias depois, isto é, a três de março, agora “nesta Villa da Victoria”, o mesmo provedor-mor passou nova provisão mandando pagar a Francisco da Luz, clérigo de missa, os emolumentos de direito (DH, XXXV, 66).

Parece que o argumento merece consideração. É possível que, aproveitando a oportunidade da presença de tão eminentes funcionários no seu senhorio, Vasco Coutinho resolvesse transferir a sede da capitania para a ilha outrora dita “de Santo Antônio”.

(14) - DH, XXXV, 66.

(15) - PENA, História, 30.

– “Está esta villa [Vitória] em lugar igualmente defensavel, e commodo pera a vida humana: cercado de agoa, armado de penedia, horrivel por natureza, habitavel por arte: junto ao rio, perto da barra, senhor de pescarias e mariscos sem número. Seus arredores são terra fertil, capaz de grandes canaviaes, e engenhos: seus campos amenos, retalhados de rios, e fontes: suas mattas recendem, são delicia dos cheiros, balsamos, copaigbas, almececas, salçafrazes: seus montes estão prenhes de minas de varia sorte de pedraria, e segundo dizem, de prata, e ouro: será feliz o tempo em que saião a luz com seu parto” (VASCONCELOS, Crônica, I, 58-9).

 

Fonte: História do Estado do Espírito Santo, 3ª edição, Vitória (APEES) - Arquivo Público do Estado do Espírito Santo – Secretaria de Cultura, 2008
Autor: José Teixeira de Oliveira
Compilação: Walter Aguiar Filho, julho/2018

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