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A gruta do ermitão e os montinhos de farinha

Entrada da Ladeira das Sete Voltas

No sopé do morro da Penha, no lado da enseada de Vila Velha, está a chamada "gruta de Frei Pedro Palácios". "Conta-se por tradição que nesta espécie de gruta morava Palácios enquanto não se construiu o hospício no cume do morro, tendo por únicos companheiros um preto que o servia, um cachorrinho e um gato."

"Este devoto homem [o capitão Melchior de Azevedo] o ajudou com particular cuidado nas obras das suas capelinhas, e já quando Fr. Pedro se achou mais envelhecido, lhe deu um negrinho, seu escravo, para assistir com ele no retiro do monte.

Para passar a noite, lhe mandava o seu devoto fazer cama, como a hóspede, mas ele a aceitava só por obséquio seu, e não para descanso do corpo; porque, quando já recolhidos todos, e feitos os seus costumeiros exercícios, se deitava no chão, pondo à cabeceira algum tronco ou pedra, ou outra qualquer dureza que se lhe oferecia à mão.

"Esta mesma era sua cama na ermida de São Francisco do Monte, aonde de ordinário assistia ao pé do altar do Santo; sobre uma tábua áspera passava os breves intervalos da noite, que lhe restavam da oração e mais exercícios, com uma pedra dura por cabeceira.

"Por companheiros mudos mas fiéis da sua solidão, conservou por todo o tempo que ali viveu, um gato e um cachorrinho, e quando saía aos seus exercícios de esmola ou doutrina, tantos dias determinava estar ausente, quantos montinhos de farinha lhes deixava ali e falando com eles, lhes dizia, apontando-lhes os montinhos de farinha: Irmão Gato (assim o tratava e mais ao companheiro), eu hei de estar tantos dias fora; aqui ficam estas rações para vós outros ambos; uma para cada dia, e esta última a haveis de comer depois que eu aqui chegar; e assim o faziam. E assim o depôs a testemunha André Gomes que, sendo rapaz, acompanhava ao Servo de Deus nas saídas que fazia à doutrina das missões e aldeias, dizendo que vindo muitas vezes de fora com ele, completos os dias, achavam ainda a última ração, e na mesma forma que ficara, a qual com a sua chegada, chegando-se também a ela os dois companheiros, então a comiam."

 

Autor: Guilherme Santos Neves
Fonte: História Popular do Convento da Penha - 3ª edição, 2008 
Compilação: Walter de Aguiar Filho, abril/2014 

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