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A Igreja e o Convento de São Francisco

Convento de São Francisco - Foto: Walter de Aguiar Filho

A Igreja e o Convento de São Francisco tiveram suas construções iniciadas em 1591 pelos padres Antônio dos Mártires e Antônio das Chagas. Com o tempo, receberam melhoramentos, dentre os quais sobressaem-se o de 1744, quando o frontão original foi substituído por outro maior, e o de 1784, quando a torre foi modificada e recebeu novo sino.

A irmandade de São Benedito, que se abrigava na capela do convento, destacava-se na vida da cidade com suas procissões e festas cheias de cores e sons provenientes dos sinos, da filarmônica, da banda de congo, dos foguetes e dos fogos de artifício.

No século XIX, a Ordem Terceira de São Francisco praticamente havia abandonado o Espírito Santo, deixando apenas um sacerdote encarregado das atividades espirituais e um síndico do patrimônio temporal. Nessa época começaram os atritos entre os guardiões e a Irmandade.

Num domingo de 1832, como chovia muito em Vitória, o frei Manuel Santa Úrsula proibiu que a tradicional procissão saísse com a imagem de São Benedito. Á tarde, quando a Irmandade se encontrava reunida no consistório para deliberar sobre a conveniência ou não da saída da procissão, chegou o frei. Depois de algumas ameaças e trocas de palavras ásperas, ele mandou seus escravos atirarem ao adro do convento os pertences da Irmandade e, expulsando seus membros, retirou a imagem da igreja e proibiu a saída da procissão.

No ano seguinte, o antigo guardião foi substituído pelo frei Antônio de São Joaquim, que repôs a imagem no altar. Diante do ato do novo guardião, os chefes da Irmandade agradeceram ao frei e aproveitaram o ensejo para discutir a programação da festa de São Benedito. Nova desilusão: o frei havia recebido ordens para continuar com a política do seu antecessor.

A Irmandade e os devotos passaram a conspirar contra a Ordem. No dia 23 de setembro daquele ano, a imagem de São Benedito foi roubada e mantida sob guarda na Igreja do Rosário. Nessa época, Vitória ainda não contava com jornal e as pessoas se informavam pelo disse-me-disse das ruas e balcões das farmácias, armazéns e quitandas. Boatos sobre provocações, brigas e feridos circulavam pela cidade.

Enquanto as autoridades abriam processos, os devotos de São Benedito que não concordavam com a retirada da imagem iniciaram a reestruturação da Irmandade no convento e encomendaram a Francisco das Chagas Coelho uma nova imagem do santo.

Daí surgiu a rivalidade entre as Irmandades da Igreja do Rosário e do Convento de São Francisco. A Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos apelidou os irmãos do convento de “Caramurus” ou “Rusguentos”, como eram conhecidos os integrantes do Partido Liberal. Logo em seguida, os do Rosário foram apelidados de “Peroás”, peixe de pouco valor. A cidade dividiu-se em dois grandes partidos: os “Caramurus” e os “Peroás”, que, por muitos anos, animaram Vitória com suas procissões e festas, embaladas pela música das filarmônicas e das bandas de congo.

As duas Irmandades acabaram se reconciliando nos festejos da Abolição da Escravatura. Em 1905, porém, o bispo Dom Fernando de Souza Monteiro baixou portaria reduzindo a três as procissões de Vitória, excluindo a de São Benedito. Os “Caramurus” e “Peroás”, mais uma vez, revoltaram-se contra as autoridades eclesiásticas, que estavam dispostas a expulsa-los do Convento de São Francisco.

Dom Fernando não escutou as reclamações, de modo que, em 1910, a Irmandade praticamente já não mais existia. Em 1926, o padre Leandro Del’Uonno mandou desmontar parte do Convento de São Francisco e construiu o Orfanato Coração de Jesus.

 

Fonte: Roteiro Histórico IV, PMV - Administração: Prefeito João Carlos Coser, outubro/2007
Compilação: Walter de Aguiar Filho,maio/2011

 

 

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