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A Máquina do tempo - José Carlos Simonetti Jr.

Nesse sobrado O IHGES funcionou até a década de 60

A história é o prato principal dos associados do Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo; conversar com essas pessoas é uma viagem no tempo, para o passado e para o futuro.

Uma visita a sua sede desmancha qualquer idéia de uma sala embolorada, com cheiro de mofo e idosos senhores contemplando inutilmente fotos e documentos de remotos passados. O Instituto é hoje, sem sombra de dúvida, a mais ativa das nossas instituições culturais.

No mês de abril o Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo realiza uma grande festa em torno de sete publicações editadas diretamente pelo Instituto ou apoiadas por ele (foto abaixo da matéria). Toda essa agitação é apenas mais uma de suas atividades.

O Instituto vem atuando cada vez mais próximo da comunidade. É uma biblioteca com 3.500 volumes, o museu Casa de Elmo Elton, revistas, livros, cursos, tudo isso sem que os consócios deixem de se reunir todas as quartas-feiras para decidir rapidamente as coisas sérias e partir para o café com biscoitos.

Quem melhor traduz o espírito dessas reuniões é o secretário do Instituto, Miguel Depes Tallon, famoso por redigir as atas das sessões em tempo real, ou seja, quando a sessão acaba, a ata está pronta: "O mais importante do Instituto é a convivência. Conhecem-se pessoas, trocam-se idéias, experiências. O grande momento é o capixabíssimo cafezinho com biscoitos depois das reuniões."

Essa história começou há muito tempo

Fundado em junho de 1916, com o explícito objetivo de comemorar, no ano seguinte, os 100 anos do arcabuzamento de Domingos Martins, o IHGES é obra principalmente do pernambucano Carlos Xavier Paes Barreto que, radicado no Espírito Santo, não quis deixar passar em branco a data comemorativa do principal herói de sua terra natal que, por acaso do destino, nasceu no Espírito Santo.

Na segunda década do século, Vitória era uma pequena cidade que pouco tinha de capital. Apesar de uma vida cultural agitada, com regulares espetáculos teatrais, dois jornais e inúmeras publicações culturais, comemorativas, humorísticas, etc., Vitória não tinha ainda nenhuma associação que reunisse os intelectuais da província.

A fundação do Instituto mobilizou a sociedade capixaba, ansiosa por um local onde se reunir para discutir os temas mais palpitantes do estado.

Com esse charme de primeira instituição cultural do estado, o Instituto logo em 1923 ganha do governo a sua sede, no parque Moscoso, região central e nobre da cidade.

Instalado num simpático sobrado, onde antes funcionava o Clube dos Boêmios (principal ponto de encontro durante a década de 10), os consócios do Instituto conviviam com o cheiro de legumes e verduras que subia da Cooperativa dos Funcionários Públicos, no térreo, e os livros sofriam com a chuva que vazava por quase todo o teto.

Isso até 1980, quando o Instituto negociou o terreno da sede para que fosse construído um dos prédios mais modernos de Vitória, com um curioso elevador de carros que instala os automóveis no mesmo andar do apartamento, como numa garagem de uma casa. Na negociação, o Instituto ficou com um apartamento e a sobreloja onde funciona a sede atual, com a biblioteca e o museu Casa de Elmo Elton.

Encontro de amantes

O atual presidente do IHGES, Renato Pacheco, resume as atividades do Instituto em três pontos: "Ele reúne os amantes do Espírito Santo, briga pela preservação da nossa memória e divulga a cultura capixaba."

Na preservação, Renato Pacheco lembra que a construção de um prédio em 1986, ao lado do Arquivo Público Estadual, rachou as suas paredes. O Arquivo não conseguia se mobilizar com a agilidade necessária. Foi aí que o Instituto entrou em cena: telegrafou ao governador, conversou com autoridades, entrou na justiça e conseguiu embargar a obra, que só pôde prosseguir depois de reformado o Arquivo e de existirem condições de segurança garantindo a preservação do prédio.

A divulgação da cultura capixaba acontece através de publicações e cursos. A Revista do Instituto Histórico é a mais antiga publicação ainda em circulação do estado: o primeiro número saiu a 76 anos, em 1917.

Cursos e outras histórias

No início de 1992, o Instituto passou a contar com uma fonte regular de recursos. A assinatura de um convênio com a prefeitura de Vitória garante um repasse mensal da ordem de 47 milhões de cruzeiros.

Renato Pacheco faz questão de destacar a figura do ex-vice prefeito Rogério Medeiros na consolidação do convênio: "A idéia foi do Rogério: era uma forma de garantir ao Instituto condições de exercer as suas atividades, e prover a prefeitura de uma assessoria permanente não só nas áreas de história e geografia. O Instituto tem em seus quadros excelentes pesquisadores de literatura, arquitetura, biologia e outras áreas."

No ano passado, o Instituto já promoveu vários cursos para professores. Os mais importantes foram um para os professores da rede municipal de Vitória, e um para professores de 10 municípios capixabas, coordenado pelo prof. Domingos de Azevedo, com patrocínio da Aracruz.

Para 1993, muitos projetos em ação. São dois cursos de pós-graduação, um de história do Espírito Santo, com o Instituto Nelson Abel de Almeida; e um de arquivos, em associação com a Usp. Isso além de um grande projeto envolvendo a Pró-reitoria de Extensão da Ufes, para oferta de mais de 20 cursos abertos à comunidade.

Na sede do Instituto estão terminando os trabalhos de catalogação da biblioteca, especializada em temas capixabas, e do museu Casa de Elmo Elton, que além de uma bela coleção de móveis do século XVIII e XIX, conta também com uma curiosa e vasta coleção de autógrafos reunidos por Elmo Elton.

A expectativa é de que, até abril, já esteja tudo pronto para que a biblioteca e o museu fiquem constantemente abertos ao público.

Já marcado está um simpósio sobre sistemas e formas de governo coordenado pelo ex-governador Christiano Dias Lopes Filho, no dia 7 de abril.

Com toda essa atividade, o Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo é realmente uma máquina do tempo onde podemos viajar na história de nossos antepassados, conhecer histórias emocionantes de desbravadores deste vilão farto, histórias divertidas da boemia capixaba, e podemos viajar também para as novas preocupações da Grande Vitória metrópole, nas novas conquistas da tecnologia e do bem estar do homem.

 

Nota do Site: O Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo estará, no ano que vem (2016), comemorando o seu Primeiro Centenário.

O IHGES é instituição mais antiga do Estado.

É realmente uma máquina do tempo!

Viva Domingos Martins!

Viva Carlos Xavier Paes Barreto!

Viva os 99 anos de fundação do IHGES!

 

Fonte: Revista Você – UFES – Ano I Nº 9, março, 1993
Autor: José Carlos Simonetti Jr.
Compilação: Walter de Aguiar Filho, agosto/2015



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