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A Origem da Família Moneiro

Jerônimo Monteiro

O capitão Francisco de Souza Monteiro, patriarca da família, nasceu em Minas Gerais em 1823. No arraial de Paulo Moreira conheceu Bernardino Ferreira Rios, seu futuro sogro, com o qual imigrou para Cachoeiro do Itapemirim, em 1853. Com algumas economias e o dote de sua esposa Henriqueta, da qual constava uma faixa de terra à margem do Itapemirim e dois escravos para o serviço da lavoura – Faustino e Jerônima – iniciou, em 1855, a construção do que se tornaria a futura fazenda Monte Líbano.

A pobreza dos primeiros anos nos é assim descrita pela historiadora Maria Stella de Novaes: “Apressou-se o capitão Souza em levantar um rancho, perto do córrego ‘Salgadinho’... justamente na confluência do Itapemirim. Instalou-se Henriqueta nessa residência pitoresca, rodeada de mata virgem e de construção engenhosa, de modo que uma pedra saliente compensasse a falta de mobília na saleta-vestíbulo”.

Aumentando-lhe os recursos, Francisco Monteiro cuidou de adquirir mais terras e mais escravos. Aos poucos, a lavoura de café começou a produzir frutos que, levados ao mercado, transformaram-se em riqueza que é exteriorizada quando, em 1868, a família Monteiro, depois de deixar as terras baixas e alagadiças da fazenda velha, inaugura a nova construção, sólida e imponente, mais condizente com a fortuna e prestígio já alcançados:

“Um casarão de dois pavimentos (...) Na parte inferior, depositam-se ferramentas, arreios, trastes velhos. No andar superior, 22 sacadas abriam-se para o jardim, o pomar e a estrada (...) Correspondiam aos quartos de hóspedes, aposentos da família, sala de jantar, de espera, de visitas. Em retângulo, dispunham-se à direita as divisões para empregados e forasteiros(...), à esquerda continuavam a sala de café, a despensa, a cozinha e diversos quartos correspondentes às senzalas [dos escravos domésticos]. Tudo ocupava uma área enorme cujo o centro se dividia em dois planos concretizados para a secagem de café (...). O sobrado de residência da família apresentava-se guarnecido com mobília de jacarandá e consoles de mármore, piano de cauda, móveis austríacos na sala de visitas, jarrões de porcelana chinesa, castiçais com mangas de cristal, espelhos com molduras douradas e outras preciosidades de arte (...).

As instalações da fazenda Monte Líbano incluíam, além do sobrado da residência, uma casa de morada, engenho de café com ventilador, engenho de serra, duas prensas para fazer farinha, engenho de cana-de-açúcar com moenda de ferro e acessórios, moinho, tenda de ferreiro e demais pertences terreiros de café, forno de olaria, paiol para milho, paiol para café, três lances de senzalas, canaviais, 242 mil pés de café, estábulos para a cavalaria e quatro pastos para o gado.

A prosperidade econômica do capitão Francisco de Souza Monteiro era evidente. A fortuna que acumulou possibilitou-lhe educar os filhos nos melhores estabelecimentos da época, como o de Caraça em Minas Gerais. Três deles, Bernardino, Jerônimo e Fernando, fazendo jus à riqueza, à posição social e, por conseqüência, ao prestígio político adquirido pelos Souza Monteiro, tornar-se-iam importantes homens públicos, bem como muitos de seus descendentes: Jerônimo governaria o Espírito Santo no período de 1908 a 1912, Bernardino faria o mesmo entre 1916 a 1920, enquanto caberia a Fernando exercer o cargo de bispo diocesano espírito-santense, de 1902 a 1916. O neto, Carlos Fernando Monteiro Lindemberg, ao governar o Espírito Santo de 1947 a 1950 e de 1959 a 1962, dá demonstração de que ainda perdura, em nossa história recente, a força do poder político dos “senhores de terras e de escravos” do passado.


Fonte: HISTÓRIA DO ESPÍRITO SANTO – UMA ABORDAGEM DIDÁTICA E ATUALIZADA 1535 – 2002.
Autor: José P. Schayeder 
Adaptação ao texto de vilma P. Almada  – Escravismo e transição: O Espírito Santo (1850-1888). Rio Graal,1984.

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