Morro do Moreno: Desde 1535
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A origem do nome Morro da Manteigueira

Casa da Manteigeira que deu o nome ao morro - Fonte: Edward DAlcântara

A construção deve ser do final do século XIX; pela sua forma ficou conhecido como Manteigueira ou Casa da Manteigueira, um antigo solar que tinha fama de ser assombrado pelos espíritos de dois amantes, conforme conta Maria Stella de Novaes no seu livro Lendas Capixabas.

O material usado na construção parece ser do final do século XIX ou início do século XX, porque os jesuítas deixaram o Espírito Santo em 1759, em obsevância ao alvará passado em Lisboa no dia 19 de janeiro deste ano para a expulsão dos padres da Companhia de Jesus do reino de Portugal como de suas possessões. Em 1925 esta propriedade já constava como pertencente à firma Hard Rand & Cia., conforme plantas topográficas em meu poder.

Zeladores da propriedade.

Reportando os fatos vivenciados por um morador, meu conhecido desde criança, nascido no lugar Glória em 1928, ali cresceu, casou e residiu até bem pouco tempo atrás. Jofre, ou professor Jofre como é conhecido em Vila Velha, é filho do senhor Manoel Martins de Abreu, casado com dona Maria Lucas de Abreu, já falecidos, que tinham seu comércio na esquina da Rua Santa Terezinha com a Avenida Jerônimo Monteiro no bairro da Glória.

Em conversa, me informou que sempre soube ser o morro conhecido como Morro da Manteigueira, e, quando criança brincava lá e nos arredores da antiga casa em forma de manteigueira e na adolescência a visitou algumas vezes.

O primeiro zelador do imóvel foi o senhor João Gomes casado com dona Lola, amigos e fregueses da venda do senhor Abreu.

Após João Gomes foram zeladores do imóvel um senhor de nome Messias e esposa que vieram do Rio de Janeiro a serviço da firma Hard Rand & Cia.

O último administrador do imóvel foi o senhor Henrique Marques que residiu em uma casa ao lado da caieira do senhor Joaquim Freitas.

Sem grande responsabilidade sobre o imóvel, o senhor Queiroz (falecido), avô de dona Aracy, casado com o ex-combatente Manoel Correia, foi administrador da fábrica de cal (caieira) e quando observava algum movimento estranho no morro comunicava à firma Hard Rand & Cia.

As lendas

As lendas que se prendiam a casa eram passadas pelos pais das crianças para evitarem suas idas a um local isolado sujeito a mordida de cobra ou mesmo acidentes causados por quedas uma vez que o lugar é cheio de precipícios, pedreiras além do estuário de rio onde há correnteza. Falava em luzes vistas à noite, o que deve ter acontecido alguma vez por alguém deste mundo. Jofre Abreu desconhece esta afirmativa porque nunca as viu. Dizem que a construção era do tempo dos jesuítas, fatos não verídicos, porque os viajantes que embarcavam em Pedra d’Água falam somente em uma cabana num morrinho donde via o rio Aribiri. 

Conta à historiadora Maria Stella de Novais

Houve no inicio da colonização, segundo uma lenda capixaba, um grande amor transformado em tragédia entre um português e uma índia filha de um grande guerreiro Goitacá chamado Iuramatã.

A bela índia Iara, filha do cacique aguardava conforme o costume tribal, a decisão do conselho dos pajés, em escolher um pretendente para desposá-la.

O português, João-Maria (este era o seu nome) tinha por costume pescar no estuário do rio Aribiri, celeiro de alimentação dos robalos e demais peixes que subiam o rio para a piracema.

Um dia, ao contornar o Penedo e se aproximar da margem do sítio Pedra d’Água, divisou uma bela e jovem índia banhada ao luar, estirada sobre uma laje à margem do rio. Encantado, João se aproximou e ao ser visto pela índia, esta, fugiu e embrenhou-se na floresta. O jovem português, intrigado, fez da aventura, um hábito, e toda à tarde para lá se dirigia em busca da bela jovem. A freqüência fez com que Iara se aproximasse nascendo assim o primeiro grande amor entre as duas raças. Subiram à encosta do morro e de lá Iara mostrou o domínio do seu povo e a aldeia com suas malocas.

Este amor às escondidas um dia foi descoberto, e em uma cilada foram capturados e levados ao conselho tribal, sendo julgados e condenados à morte.

Os índios da aldeia armaram um amontoado de troncos e galhos e sobre eles colocaram os corpos abraçados e crivados de flechas dos dois amantes. No local de suas cinzas mandou o pajé construir uma palhoça.

Desse romance entre a mulher índia e o colono luso, resultou a lenda de uma “assombração” para a Casa da Manteigueira, assim denominada um antigo solar, erguido em Jaburuna, sobre uma colina fronteira ao mar. Era um elegante sobrado que segundo a mesma lenda, não podia ser habitado, porque alta noite, os espíritos de João-Maria e Iara fechavam e abriam portas ruidosamente, andavam pelos corredores e salões..., gemiam, profundamente, conforme os ciclos da lua.

A casa desapareceu, há pouco tempo. Constituía uma curiosidade, para os viajantes, na passagem dos barcos, pelo canal de acesso ao Porto de Vitória.

 

Fonte de pesquisa: Maria Stella de Novais - “Lendas Capixabas” - 1968 - Editora F. T. D. SA. – São Paulo
Autor: Edward Athayde D'Alcântara
Compilação: Walter de Aguiar Filho, julho/2013 

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