Fotos

Publicidade

A pirâmide metálica

Durante a Segunda Guerra Mundial, como todas as outras cidades do território nacional, Vila Velha foi chamada a participar da coleta de metais a que se convencionou chamar de Pirâmide Metálica. Consistia na doação espontânea de objetos de metal sucateados - ferro, alumínio, bronze, cobre, etc... -, que eram depositados sob vigília pública em determinado ponto adrede escolhido, para serem depois recolhidos, refundidos e reciclados, sendo tranformados em artefatos de guerra para os aliados.

O calor da campanha era contagiante. Homens, mulheres, crianças, jovens, pessoas de todas as idades, atendendo ao chamamento patriótico, carreavam os metais inservíveis e até mesmo aqueles em uso, como panelas de ferro e de alumínio, às vezes com os olhos marejados de lágrimas ou brilhando pelo dever cumprido, e jogavam-nos na pirâmide que se avolumava dia a dia.

Quanto aos metais nobres, como o ouro e a prata, na forma de jóias, deles se despojaram muitos brasileiros canelas-verde, sendo recebidos e catalogados por uma comissão previamente designada para guardar tão significativas oferendas. Até casais abriam mão das suas alianças de casamento. Era um espetáculo comovente. Aqueles que nada tinham para oferecer reuniam-se e escarafuchavam o lixão à cata de algum metal jogado fora antes da campanha.

Foi assim que, num desses dias de arrecadação, dois jovens de mais ou menos 13, 14 anos de idade, compenetrados e certos do dever cumprido, apresentaram-se diante da pirâmide com as camisas presas à cintura, trazendo, retirados de um antigo depósito de lixo situado nas proximidades do Centro e enfiados numa vara comprida que era sustentada nos seus ombros desnudos e suarentos, um na frente e outro atrás, mais de meia dúzia de penicos velhos com pouca louça branca esmaltada, vendo-se neles o puro ferro.

O momento da oferta foi risível, mas não desprezado. E lá, junto a tantos outros objetos de metal, foram depositados na pirâmide os inconfundíveis penicos.

O local em que se instalou a pirâmide metálica de Vila Velha foi a praça Duque de Caxias, quando dela apenas existia um projeto, sendo então um campo aberto, melhor dizendo, mais areal do que campo, voltado para a rua Sete de Setembro, beirando o que seria hoje a esquina da rua Cabo Aylson Simões.

Essa participação e constribuição comunitária e outros acontecimentos anteriores despertaram no povo vila-velhense o alto espírito cívico de amor à pátria, com o seu moral elevadíssimo. Pelos nossos irmãos tombados nos campos de batalha na longínqua Itália, em terra, no ar, no mar, nessas operações ou fora delas, não havia sentimentos de revolta propriamente declarados, buscando-se culpados, porque conhecíamos a todos por tais desditas. Embora lamentássemos com tristeza a perda de muitos, e, mais ainda, os seus familiares, nós e eles nos sentíamos orgulhosos desses heróis que deram suas vidas por uma causa que se acreditava justa, por um mundo livre e melhor, liberto das tiranias e atrocidades da guerra.

 

Fonte: Ecos de Vila Velha
Autor: José Anchieta de Setúbal, Vila Velha/2001
Compilação: Walter de Aguiar Filho, dezembro/2011

Conteúdo

Canais Monumentos Cidades do ES Cidades do ES
AMAMOR
Aventura
Bairros
Bonde
Cidades do ES
Colégio Marista de Vila Velha
Convento da Penha
Culinária Capixaba
Curiosidades...
Ecologia
Editorial
Entrevistas
Escritores Capixabas
Especiais
Genealogia Capixaba
História do ES
Imigração no ES
Livros Capixabas
Matérias de Edward DAlcântara
Matérias de Roberto Abreu
Matérias Especiais
Monumentos
O ESPORTE NA HISTÓRIA DO ES
Personalidades Capixabas
Porto de Vitória
Prainha
Recantos Escondidos
Religiosos do ES
Variedades
Vila Velha
A História da Marinha em Vila Velha
A Igreja de São Tiago
A Igreja e o Convento de Nossa Senhora do Monte Carmo
Arquitetura rural em Santa Teresa
Arte indígena em Anchieta
Capela de Nossa Senhora das Neves
Casa da Memória
Catedral Metropolitana de Vitória
Convento da Penha
Escadaria Maria Ortiz
Escadaria São Diogo
Farol de Santa Luzia
Fortificações - Estado da Capitania em 1682
Igreja de Nossa Senhora do Rosário
Igreja de São Gonçalo
Igreja de São Gonçalo – Vitória ES
Igreja do Rosário é restaurada
Inauguração da Ponte de Linhares
Maciço do Penedo
Marca Morro do Moreno
Mestre Álvaro
Monte Aghá
Monumento a Domingos Martins
Monumento a Florentino Avidos
Monumento a Henrique Moscoso
Monumento a Jerônimo Monteiro
Monumento a Onça
Monumento a Vasco Fernandes Coutinho (1º Donatário da Capitania)
Monumento ao Ano Internacional da Paz
Monumento ao Expedicionário
Monumento ao Índio (Araribóia)
Monumento ao Trabalho
Monumento do Sesquicentenário da Polícia Militar do Estado do Espírito Santo
Museus no Espírito Santo
O Exército: 38º BI.
Obelisco da Praça dos Namorados
Palácio das Águias é restaurado
Parque Moscoso
Por quê o nome do viaduto é Caramuru?
Praia do Ribeiro
Prainha: 400 Anos
Santuário de Nossa Senhora das Neves
Teatro Melpômene
Terceira Ponte
Terrenos pertencentes ao patrimônio da Penha
Roteiros de Guarapari
25 de Julho
A CIDADE DE ANCHIETA
A cidade de Vila Velha
A Estrada de Venda Nova do Imigrante a Castelo
A praça Duque de Caxias de Vila Velha
Alfredo Chaves
Anchieta
As Belezas de Matilde
Baixo Guandu
Barra do Jucu
Barra do Riacho
Cachoeiro de Itapemirim
Caparaó
Carta revela tesouro de jesuítas
Colatina
Divino de São Lourenço
Do pouso do Riacho a Linhares
Domingos Martins
Dores do Rio Preto
Fazenda em Castelo
Guaraná
Guarapari - turismo e folclore
Guarapari e Perocão
Ibatiba
Iconha
Iconha - Crônica de Rubem Braga (1951)
Iriri - sua origem
Itaguaçu
Itapemirim
Itaúnas
João Neiva
Lave a alma nas cachoeiras
Linhares
Manguinhos
Marataízes
Marechal Floriano
Matilde
Meaípe
Mercado Municipal de Vila Velha
Mimoso do Sul
Muqui
O calendário e Vila Velha
Parati
Passagem do Imperador pela vila de Santa Cruz
Pedra Menina


Colunistas

ROBERTO ABREU

Vila Velha já teve um serviço de auto falantes “A voz de Vila Velha”. Por Roberto Abreu. Leia mais!

 

EDWARD D'ALCÂNTARA

Foi grande o legado de Antônio Athayde para Vila Velha. Vejas as principais obras. Por Edward D'Alcântara.

Parceiros
JOSÉ ROBERTO SANTOS NEVES
COMPANHIA DO VÍDEO
MÔNICA BOITEUX