Morro do Moreno: Desde 1535
Site: Divulgando há 16 anos Cultura e História Capixaba

A primeira mãe capixaba

Capa do livro - Estudos de Cultura Espírito-Santense, Autor: Getúlio Marcos Pereira Neves. Vitória, 2006

Lia eu, certo dia, a origem da palavra Capixaba quando a minha familiar voz fanhosa interrompeu-me a leitura, para dar-me o seu amistoso – ‘Iane Coema, Cunhã!

- Bom dia, minha velha, respondi-lhe. Que tens hoje para contar-me de tuas lindas histórias?

Vim contar-te, Cunhã, a história de Capixaba, a primeira mãe dos filhos desta Terra.

E continuou:

“Capixaba foi a primeira Mãe dos filhos da minha raça e da tua raça.

- Por que ela recebeu esse nome? Perguntei-lhe.

Ouça-me: quando os brancos invadiram a nossa terra, veio também um jovem e belo guerreiro, que se apaixonou pela nossa mais linda princesa, que ia ser esposa do mais valente guerreiro de nossa tribo.

Por desígnio de Rudá, o amor uniu aqueles dois jovens e, fruto dele, nasceu uma linda menina de pele e de cabelos diferentes da ‘cunhatain’ da nossa tribo.

Sua pele não era branca como a do guerreiro, nem vermelha como a da filha das selvas. Seus cabelos eram da cor da flor de Ypê, que embeleza as nossas matas. Era a primeira mameluca que nascia em nossas terras...

O guerreiro ultrajado não perdoou a noiva pérfida e tudo fez para que ela fosse condenada pelo tribunal do velho cacique.

Muitas luas já haviam passado e cada vez mais aumentavam os sofrimentos de mãe e filha.

Aquela criança, estigmatizada pela cor dos cabelos e da pele, de dia para dia, mais aumentava o ódio do bravo guerreiro e toda a tribo a considerava como um mau espírito que atraía a ira de Tupã.

Para livrar a filha da terrível pena que lhe estava destinada, a infeliz mãe fugiu.

Era uma linda noite. Coma filha nos braços, protegida pelos raios de Jaci, conseguiu alcançar a beira da praia onde encontrou, como por encanto, uma leve piroga.

Sempre abraçada à filha, a mãe selvagem entrou na embarcação e começou a remar com toda a força que ainda lhe restava. O mar jogava com furor suas ondas, como querendo alcançar a Mãe da Noite. A princesa das selvas, sempre a remar, afrontava a fúria das ondas, até que seus braços cansados soltaram os ‘apecuiatás’. As ondas teriam tragado a embarcação, se Yara não as dominasse com o seu mavioso canto, conduzindo-a, depois, para uma ilha desconhecida.

Mal sustentando a filha, a pobre mãe desembarcou na ilha deserta, onde só se ouviam os pios do Urutau e Curupira, vigiando as matas.

Famintas e fracas, mãe e filha choravam. Desceu, então, o gênio da noite e lhes fechou as pálpebras... Nas asas do sonho, desceu a Senhora da Terra da Cruz e estendeu o seu manto de luz sobre a terra banhada pelas lágrimas das infelizes filhas das selvas e disse:

- Tua filha chamar-se-á Capixaba. Ela cultivará as plantas que vão nascer na várzea, junto ao Mar, irrigadas pelas lágrimas de teus olhos. Esta planta foi cultivada por Avati, a quem Sumé ensinou a preparar o ‘Cauim’ para aplacar a sede do esposo. Ela será, também, o alimento dos filhos de tua filha.

Quando o clarão do dia apagou o clarão de prata da lâmpada de jaci, a jovem mãe acordou com os gritos alegres da filha, que mostrava toda a planície coberta de uma planta desconhecida – era uma roça de milho.

Suas folhas, muito longas e delgadas, eram de um bonito verde, onde brilhavam, como gotas de orvalho, as lágrimas da pobre mãe; de suas hastes saíam lindas espigas, que ostentavam nas pontas cabelos vermelhos como os cabelos de Capixaba. Seus grãos eram vermelhos como a pele das filhas da Terra morena. Era o milho que nascia, pela primeira vez, na Terra bendita, fertilizada pelas lágrimas da primeira MÃE CAPIXABA.”

 

Fonte: Estudos de Cultura Espírito-Santense
Autor: Getúlio Marcos Pereira Neves. Vitória, 2006
Compilação: Walter de Aguiar Filho, março/2012 

Variedades

Depoimento de Homero Massena

Depoimento de Homero Massena

ADEUS - Jones Santos Neves. Para os que me conheceram como pintor mineiro, de Barbacena, ignoram que filho de capixaba para aqui fui transportado aos seis meses de idade

Pesquisa

Facebook

Leia Mais

O Dia Internacional da Mulher - Origem

Queremos registrar aqui o nosso agradecimento a todas as mulheres que contribuem com este site, seja enviando fotos especiais e antigas, textos, ou sugerindo matérias através do nosso Fale Conosco. Comemoramos esse dia com vocês, pois sabemos que fazemos parte da vida de um grupo de mulheres especiais

Ver Artigo
A História do Carnaval

Foi em fins do século XIX e início do séc. XX que o carnaval do Brasil começou a conquistar fisionomia própria: nessa época já declinava o carnaval europeu

Ver Artigo
Fim da era dos chafarizes - Por Celso Caus

Primeira década do século XX – Captação das águas na cabeceira do Rio Duas Bocas e construção do primeiro reservatório da capital

Ver Artigo
Uma mensagem de Natal

A Mamãe Noel de Vila Velha me traz de volta o sentido de Natal, ao colocar uma roupa vermelha e um gorro vermelho e se transformar em puro encantamento

Ver Artigo
Cachaça Thimotina - Agroturismo Cultural

Fundada em 1915, por Francisco Thimóteo Dias, a Thimotina é considerada entre os apreciadores, uma das cachaças de maior qualidade do Brasil

Ver Artigo