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A voz de Vila Velha

Obra paralisada do edifício Elisa, na esquina da rua Cabo Aylson Simões com a Avenida Jerônimo Monteiro no Centro de Vila Velha

Vila Velha já teve um serviço de auto falantes “A voz de Vila Velha”.

Foi fundado na Cidade do Espírito Santo (Vila Velha) em 3 de novembro de 1951, com a finalidade de “explorar com exclusividade em todo Município do Espírito Santo, os ramos comercial, social e cultural, por intermédio de alto-falantes, na Cidade de Vila Velha, seus bairros e distritos”. Era reflexo de um certo barateamento da indústria de amplificadores, microfones e cornetas de auto falantes, que vinha viabilizando em países de terceiro mundo essa atividade de comunicação social, que havia sido largamente usada com sucesso na Alemanha de Hitler.

Muitos parques de diversão utilizavam esse meio, como os grêmios estudantis para alegrar os recreios dos alunos, como acontecia no Ginásio Marista em Vila Velha. Adquiriram aparelhagem por Cr$ 8.500,00 – (oito mil e quinhentos cruzeiros), e da renda previa-se 50% para amortizar essa dívida, 30% para despesas gerais, e 20% para desenvolver uma discoteca da Sociedade.

Não se falava ainda em fita cassete e muito menos em cd. Era ainda o tempo do vinil, e rotação 78! Constava em seu estatuto que “a sociedade é de amadorismo neste ramo, procura despertar nos elementos aproveitáveis o aprimoramento dos seus conhecimentos que, assumindo voluntariamente as diversas funções, deverão obedecer e a rigor a escala dos programas a seu cargo observando a máxima pontualidade, tanto no início quanto ao encerramento dos mesmos.”

Muitos ali atuavam para mais na frente conseguirem um teste, e caso lograssem êxito, a tornarem-se radialistas em alguma emissora da Capital, então um ramo em franco crescimento. Era a era do rádio em curso, em pleno auge.

Em 26 de julho de 1951 no quarto ano da última emancipação de Vila Velha ocorrida em 1947, quando da publicação da Constituição Estadual daquele ao, que restabeleceu a autonomia de Vila Velha, Vicente de Oliveira e Silva, usando do microfone do serviço de auto falante da Voz de Vila Velha, leu seu artigo sobre “Vila Velha e a sua emancipação política”.

A Voz de Vila Velha chegou ser mantido por certo tempo pelo Partido Trabalhista Brasileiro, na sua representação local. Pelo visto com o passar do tempo o que vingou foi o serviço de auto falantes da Congregação Mariana de Vila Velha, que passou a ter estúdio no Dispensário São Judas Tadeu, com programação diária, iniciando às 11h e encerrando por volta das 13h. Depois recomeçava das 17h até às 21h. Havia uma corneta no telhado do Dispensário na Prainha, e outra, no alto da obra paralisada do edifício Elisa, na esquina da rua Cabo Aylson Simões com a Avenida Jerônimo Monteiro no Centro de Vila Velha. Havia fio que ia da Prainha até lá!

Aos domingos divulgavam a missa das 7h da Igreja do Rosário. Frequentemente ia ao ar extraordinariamente, e davam alguma nota de falecimento, o que emocionava a todos, inclusive com música clássica, fúnebre a título de prefixo. Era um serviço de utilidade pública, davam avisos, tocavam músicas e canções a pedido, dedicavam as mesmas com frequência a jovens aniversariantes, e também liam comerciais. Um de seus locutores foi o José do Espírito Santo Barcelos, o Zezinho, que desenvolveu boa dicção, e sempre teve gosto pela atividade. Tinham uma discoteca com a maioria dos discos emprestados. Na época ainda não havia a televisão que em Vila Velha só começou a ser sintonizada mal mal em meados de 1961.

Com o passar do tempo esse novo sistema de comunicação de massa contribuiu com o fim dos serviços de auto falante permanente, que contudo persiste na ocorrência de grandes eventos, como aqui na Festa da Penha, em dia de 23 de maio e outros festejos inclusive eleitorais. Sobrevive outro, bancado pelo comércio no centro de Vila Velha, com caixas de som instalados ao longo de trecho da Avenida Jerônimo Monteiro e Avenida Champagnat.

O da Congregação Mariana funcionou até meados dos anos 70 do século XX, e marcou muito o ambiente social da Prainha e do Centro de Vila Velha, apesar de poluir os ouvidos dos vizinhos mais próximos

 

Autor: Roberto Brochado Abreu – membro da Casa da Memória de Vila Velha (23/08/2010).



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As Palmeiras da Praínha

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