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Administração do Bispado – Por Nobertino Bahiense

Construção da estrada de rodagem do Convento da Penha, governo de Florentino Avidos em 1928.

A 18 de dezembro de 1898, a Internunciatura expediu de Petrópolis o seguinte Rescrito, entregando à direção do Bispo do Espírito Santo, o Santuário da Penha e o Convento de São Francisco:

"N. 927

Internuntiatura In

Apostólica Brasilia

NOS DOCTOR JOSEPH MACCHI

Dei et Apostolicae Seis Gratia

Archiepiscopus Thessalonicensis

 

Internuntius Apostolicus Et Legatus Extraordinarius. Universis et singulis quorum interesse poterit, praesentium litterarum virtute, notum facinus atque testemus quod. SSmus. Dnus. Nr. Leo, div., prov., P. P. XIII preces Exmi. ac Rmi. Episcopi Sancti Spiritus in Brasilia benigno excipiens, et prae oculis habens sive illarum animarum bonum sive pauperrime filhas Dioceseos, incrernentum, praehabito etiam favorabili voto Moderatorum Franciscani Ordinis et pleno consensu, unum alterumque Conventual cidem Ordini S. Francisci pertinentium tum nempe qui prope Victoriam prostat et audit de Nossa Senhora da Penha, tum qui in eadem civitate Victoriae extat et titulam sibi praesefert Sancti Francisci, eiusdem Exmi. ac Rmi. Epicospi omnimodae iurisdictioni, tempore Sanctae Sedi beneviso subiecit, ac cios pastorali sollicitudini commo-davit una cum Ecclesiis, ipso Sanctuario da Penha, comprehenso, Oratoriis, Coemeteriis, bonis patrimonialibus, praediis, redditibus, iuribus et onerebus adnexis, vel quo-modolibet at praefatos Conventus spectantibus, cum libera quoque potestate bona haec omnia admiministrandi, iisque, utendi fruendique in utilitatem quidem suae dioceseos, quavis exceptione remota.

Datam Petropolis dia 18 mensis Decembris an. 1898. L. I. S.

(Assignado) Joseph, Arciep. Thessalonicensis Int. Aplicus M. Sibilia, Auditor."

 

O 1.° Bispo do Espírito Santo, D. João Batista Corrêa Néri, ao assumir a direção do Convento da Penha, encontra-o fechado. Administrava-o o Frei João do Amor Divino Costa, já então no Convento de Santo Antônio, no Rio de Janeiro onde D. João Néri o procurou pessoalmente. Não o convenceu de lhe vir entregar o Convento, como deliberaram as superiores autoridades eclesiásticas. Diante dessa recusa e ainda fechado o Convento, constatou-se estarem as suas chaves entregues ao sacristão João Ramiro, residente em Vila Velha.

Desse modo se infere que, em certos períodos, a Penha esteve fechada, administrada à distância, tendo como guarda apenas João Ramiro.

Diante da deliberação da Internunciatura Apostólica, a 14 de março de 1899, o Bispado do Espírito Santo tomou posse da Penha, sendo então lavrado o respectivo auto de posse, nos termos que se seguem:

"AUTO DE POSSE — Aos quatorze de março do ano do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de mil oitocentos e noventa e nove Sua Exma. Revma. o Sr. Bispo Diocesano em presença das testemunhas Ovídio dos Santos, substituto do Juiz Seccional, Adrião Nunes, despachante da Alfândega e clérigos Samuel Fragoso, Blanco Y Gonçalez e eu Joaquim Mamede da Silva Leite, escrivão ad hoc de posse de um Rescrito Pontifício procedente da Internunciatura Apostólica nos E. U. do Brasil, datado de dezoito de dezembro de mil oitocentos e noventa e oito...assumiu a jurisdição da Penha...

E não havendo administrador legal no dito Convento exigiu de João Ramiro as chaves do Convento e Santuário de Nossa Senhora da Penha e penetrando nos mesmos declarando tomar deles posse em virtude do ato apostólico e como bispo diocesano a quem d'ora em diante pertencia a exclusiva e plena jurisdição em tais bens eclesiásticos. Em seguida mandou proceder ao arrolamento de tudo que encontrou em ditos edifícios. Para constar e produzir todos os efeitos mandou lavrar este auto que vai por sua Exma. Revma. e testemunhas presentes assinado. E eu Joaquim Mamede da Silva Leite, escrivão ad hoc o escrevi. Penha 14 de março de 1899.

João Néri — Bispo Diocesano

Ovídio dos Santos

Adrião Nunes Pereira

João Blanco Y Gonçalez."

 

A partir de 1899 e já tendo encarregado do santuário o Padre Joaquim Mamede da Silva Leite, a igreja passa a ter serviço religioso diário, permanecendo aberta das 6 às 18 horas, recomeçando em abril desse ano as festas da Penha, dentro e fora do templo.

Coube ao capelão Joaquim Mamede da Silva Leite curvar-se ante a ciência, mandando colocar três pára-raios no Convento, logo após a última investida da natureza quando, na noite de 7 para 8 de janeiro de 1900, depois de horas tempestuosas, caem novos raios sobre o mesmo.

Os pára-raios protetores foram colocados por José de Sousa Pacheco.

Pouco tempo permaneceu D. João Néri como Bispo do Espírito Santo, pois já a 7 de abril de 1901, de Campinas, no Estado de São Paulo, mandava aos capixabas a sua histórica Carta Pastoral de despedida.

A ATUAÇÃO DO SEGUNDO BISPO — Ao iniciar o seu episcopado em 1902, o grande e saudoso capixaba que foi D. Fernando de Sousa Monteiro, estimula as romarias à Penha e contrata o artista francês Augusto Roner para raspar a camada de gesso lamentavelmente colocada anteriormente no altar-mor e nas paredes, envernizar e dourar as esculturas, restaurando as pinturas, trabalho esse prosseguido pelo hábil marceneiro Pinim em 1909, consertando o que estava quebrado na capela e nas dependências do Convento.

Em setembro de 1910, após entendimentos de D. Fernando e o Comendador Cícero Bastos, abençoa-se o altar de mármore oferecido por este.

Coube a esse preclaro e piedoso espírito-santense obter do Vaticano a declaração que se segue e na qual se colocou toda a Diocese do Espírito Santo sob a proteção da Santíssima Virgem Maria, sob o título popular da Penha:

"PEDIDO FEITO PELO BISPO D. FERNANDO AO PAPA"

Despacho

"Do Espírito Santo no Brasil"

Desde os tempos mais remotos os fiéis cristãos da Diocese do Espírito Santo acompanham com grande cuidado (carinho) o exercício da devoção à Santíssima Virgem Mãe de Deus sob o título popular da Penha, cuja imagem pintada num quadro de madeira, foi primeiramente exposta à veneração pública no ano de 1558, e em seguida colocada no templo sobre um alto monte (situado à entrada do porto de Vitória) generosamente construído e dedicado à Imaculada Mãe de Deus sob o título de Penha da Cidade de Vitória que é a sede episcopal da célebre Diocese. Por motivo dessa insigne piedade e como a Diocese do Espírito Santo ainda não gozasse de um celeste Patrono, o clero e o povo relembram o decreto de Urbano VIII, de 23 de março de 1630, escolhendo a Santíssima Virgem Maria, sob o título da Penha, como sua principal Protetora junto a Deus e apelam com suplicantes votos, para o Revmo. Sr. Dom Fernando de Souza Monteiro, Bispo do Espírito Santo, para que consiga essa confirmação apostólica do Santíssimo Padre Pio X. Por conseguinte, essa piedosa súplica, sendo deste modo exposta ao abaixo assinado — Cardial Prefeito da Sagrada Congregação dos Ritos, por sua suprema autoridade constituiu e declarou a Santíssima Virgem Maria, sob o título popular da Penha, principal padroeira de toda a Diocese do Espírito Santo, no Brasil; com todos os privilégios e honras, atribuídas à mesma padroeira, que competem por direito aos principais patronos; assinado na festa da mesma Santíssima Virgem Maria da Penha, segunda-feira depois da oitava da Páscoa, conforme entrou em voga o memorável costume de celebrar a mesma festa nesse mesmo lugar.

A não ser que se mande o contrário.

Dia 27 de novembro de 1912

(as.) Card. Martinelli — Prefeito

Pedro Lafontaine."

Pela primeira vez e isto já em janeiro de 1913 e ainda no episcopado de D. Fernando, são cunhadas "lembranças", cruzes, terços, medalhas, etc., da Penha.

Três anos depois, a 23 de março de 1916, o Espírito Santo, o clero e o Convento da Penha se cobriam de luto com o falecimento de D. Fernando de Souza Monteiro.

O TERCEIRO BISPO DO ESPÍRITO SANTO — Foi sucessor de D. Fernando, o ilustre paulista D. Benedito Alves de Souza e a ele coube inaugurar a luz elétrica no santuário e na ladeira, em 1917, aprovar a Associação de Nossa Senhora da Penha para as Vocações Sacerdotais e conceder à Penha o título de "Episcopal Santuário Nossa Senhora da Penha", em 21 de abril de 1919.

QUARTO BISPO DO ESPÍRITO SANTO — Tendo-se retirado do Estado D. Benedito, foi o mesmo substituído na Diocese do Espírito Santo pelo Bispo D. Luís Scortegagna na gestão do qual se passou a ver novamente os franciscanos na Penha, desde 2 de fevereiro de 1942.

CAPELÃES

Na administração do Bispado, foram seus capelães:

1 — Padre Joaquim Mamede da Silva Leite

2 — Monsenhor André Casela

3 — Padre João Maria Cochard

4 — Padre Luís Cláudio de Freitas Roza

5 — Padre José Joaquim Pereira Gomes

6 — Padre Camilo Loureiro Bento

7 — Padre José Ledwin.

NOVAMENTE FRANCISCANOS

De 1942 em diante, novamente ali estão os franciscanos na seguinte sucessão:

1 — Frei Luís Wand

2 — Frei Gil Maria

3 — Frei Valentin Tambosi

4 — Frei Calixto Fruet

Frei Gil Maria, deixou o Convento da Penha para, como Capelão, acompanhar o nosso Exército à Itália, na segunda guerra mundial.

Em 1950, a situação dos franciscanos na Penha, não é muito clara para o público, pois que pertencendo o Convento à Diocese os frades auferem apenas as vantagens do movimento religioso, pois o cofre que, no santuário, recebe os óbolos do povo, está sob o controle absoluto do Bispado para onde é conduzido todo o produto.

 

Fonte: O Convento da Penha, um templo histórico, tradicional e famoso 1534 a 1951
Autor: Norbertino Bahiense
Compilação: Walter de Aguiar Filho, abril/2018

Convento da Penha

João de Laet

João de Laet

Auguste de Saint Hilaire no seu livro “SEGUNDA VIAGEM AO INTERIOR DO BRASIL – ESPÍRITO SANTO”, registra: “João de Laet que escrevia em 1633 descreveu melhor a baía do Espírito Santo que os modernos. Eis, com efeito, como se exprime:“

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