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Adolfinho, tipo popular - Por Elmo Elton

Cemitério de Santo Antônio 1940

Alto, forte, feio, lento, morava no bairro de Santo Antônio, então o "paraíso" de inúmeros tipos populares. Tinha cabeça raspada, andava sempre descalço, mas de roupa limpa. Fazia biscates.

Era do conhecimento público que ensandecera pegando touro à unha para o Matadouro Municipal, localizado no Porto de Santana. Numa dessas ousadas pelejas, levara tamanha chifrada na cabeça, que, daí para diante, nunca mais teve juízo perfeito.

A característica principal de Adolfinho era salientada no carnaval, quando preparava, com desvelo, uma "burrinha" que iria ficar famosa nos festejos momescos de Santo Antônio e centro de Vitória. Nesses dias, encarnava-se na burrinha, virava a própria burrinha, era a burrinha.

Em certo carnaval, depois de umas boas pingas (só bebia nessa época), sentiu-se mais burrinha que das outras vezes e começou a empinar-se e a rinchar como o dito animal. De repente, mandou que os que o circundavam saíssem da frente que a burrinha iria derrubar uma cerca próxima. Dito e feito. Desembestado contra o cercado de madeira, aquela massa de carne humana rompeu com todo o madeirame, zurrando e dando coices. Acabou machucadíssimo, sendo levado para o hospital vizinho, desfalecido.

Era educado. Falava pouco, voz dócil. Um ingênuo. No final da vida, andava com o auxílio de duas muletas, já que as pernas mal lhe aprumavam o corpo pesado. Faleceu, um traste humano, na década de 60. (Informação de Marco Del Maestro.)

 

Fonte: Velhos Templos e Tipos Populares de Vitória - 2014
Autor: Elmo Elton
Compilação: Walter Aguiar Filho, fevereiro/2019

Literatura e Crônicas

Krikati, Tio Clê e o Morro do Moreno

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