Morro do Moreno: Desde 1535
Site: Divulgando há 16 anos Cultura e História Capixaba

Afonso Cláudio – Por Levy Rocha

Afonso Cláudio

Nenhum escritor já exerceu tanta influência sobre os seus co-estaduanos como Afonso Cláudio. A sua "História da Literatura Espírito-Santense", editada em Portugal, em 1913, é ainda o melhor roteiro crítico-literário, um bom paradigma e "safa-onça" das conferências de última hora, na terra de Domingos Martins.

A "Insurreição do Queimado", cuja primeira edição foi impressa na tipografia d'A Província do Espírito Santo, em Vitória, no ano de 1885 e a segunda edição na Tipografia Ypiranga, de Petrópolis, no ano de 1927, constitui o rico manancial que serviu, como fonte, a Francisco Eugênio de Assis, no seu estudo: "Levante dos Escravos no Distrito de S. José do Queimado"; inspirou o Dr. José Paulino Alves Junior, na conferência "O Caudilho Negro", pronunciada em Vitória, no ano de 1942; foi indispensável ao Prof. Wilson Lopes de Rezende, na elaboração da tese "A Insurreição de 1894 na Província do Espírito Santo", apresentada ao Congresso de História Nacional, no ano de 1949; orientou a O.C.M., no seu trabalho "A Revolta do Escravo: Dois Episódios —1849 — A Insurreição do Queimado", publicado no Jornal do Comércio, de 24 de novembro de 1957, e ainda foi de utilidade para a Profa. Stella de Novaes analisar a escravidão no Espírito Santo, considerando o Desembargador Afonso Cláudio "o primeiro autor de trabalho profundo sobre o fato".

Afonso Cláudio metodizou o estudo da literatura capixaba; esmiuçou temas, com penetração analítica; foi historiador, crítico, folclorista, etnologista, sociólogo e jurista respeitado. O seu estudo das tribos negras importadas honraria a qualquer escritor de renome.

Pena é que toda a obra do insigne espírito-santense esteja mais do que esgotada, passando a raridade nas bibliotecas públicas e particulares.

Lembrando de comemorar o transcurso do centenário de nascimento do grande capixaba, a Profa. Judith Freitas de Almeida Melo publicou, no Rio, em 1959, um ensaio biográfico, lançamento da Pongetti, com o título "Afonso Cláudio-". Tanto quanto lhe facultaram os dados coligidos, não muito copiosos, a autora descreveu a infância do perfilado na fazenda de Mangaraí (Cachoeiro de Santa Leopoldina), onde ele nasceu a 2 de agosto de 1859; procurou seguir sua trajetória como estudante da Faculdade de Direito do Recife, onde ele teve como colegas de quarto, Clovis Bevilacqua e Martins Júnior; foi discípulo de Tobias Barreto e contemporâneo de Silvio Romero, de cujas idéias abolicionistas, filosóficas e republicanos haveria de sentir influências. No terceiro capítulo, o livro deriva para descrição geográfica da cidade de Afonso Cláudio mas a autora acertou a bússola, voltando a focalizar as atividades desempenhadas pelo Desembargador Afonso Cláudio de Freitas Rosa na advocacia, na magistratura e no magistério.

Quanto à obra científica e literária do ilustre capixaba, as notas e observações são muito in-completas. Houve omissão da atividade do poeta que é apenas recordado como declamador em salões de festas e como teatrólogo responsável pela encenação da peça de sua autoria: "O Remorso", no Teatro Melpomene, de Vitória.

Nas últimas páginas do livro a biógrafa de seu progenitor fez o registro de um pseudo lapso que teria acontecido na Primeira Exposição do Livro Capixaba, que a Associação Espírito-Santense realizou, na Biblioteca Nacional, em outubro de 1957: a omissão de dois livros. Mas o engano pode ser publicado. Um dos livros, a "História da Literatura Espírito-Santense", teve destaque numa vitrine, não o exemplar do acervo pertencente àquela Biblioteca e sim um da minha estante, que mandei encadernar ricamente em vermelho e dourado. O outro livro: "A Insurreição do Queimado", embora presente noutra vitrine, ocultava-se numa encadernação conjunta, obtida de empréstimo na Biblioteca Municipal de Petrópolis, da qual fazia parte o opúsculo "Biografia do Dr. João Clímaco", Edição da Tipografia do Instituto Profissional, Rio, 1902, que mereceu a preferência dos expositores por sua raridade.

Somos de opinião que a melhor maneira de homenagearmos a Afonso Cláudio seria a promoção do lançamento das suas obras completas. Algumas, já impressas, como "Trovas e Cantares Capixabas", ficaram raríssimas e outras, como "História da Propaganda Republicana no Espírito Santo", necessitam, urgentemente, ser publicadas, por dever de justiça e reconhecimento ao grande mérito do autor.

 

Fonte: De Vasco Coutinho aos Contemporâneos
Autor: Levy Rocha,1977
Compilação: Walter de Aguiar Filho, dezembro/2015

Personalidades Capixabas

Desembargador Augusto Botelho

Desembargador Augusto Botelho

Augusto Affonso Botelho nasceu em 06/01/1886, filho de João Affonso Botelho e Francisca do Lago Botelho, descendência lusa e espanhola, natural de Pernambuco, cidade de Olinda, patrimônio cultural da humanidade...

Pesquisa

Facebook

Leia Mais

Surge ao longe a estrela prometida – Jerônimo Monteiro

No Campinho, brejo e mangue, o quartel de Polícia mostrava-se imponente

Ver Artigo
Carlos Fernando Monteiro Lindenberg (Nêni) e os Monteiro

Nêni recebeu da avó Riqueta, em 1919, uma função: “fazer o levantamento da escrita” da Fazenda Monte Líbano

Ver Artigo
Jerônimo Monteiro - Capítulo III

Nasceu Jerônimo a 4 de junho de 1870, na casa-grande inaugurada em 1869, no batizado de Helena

Ver Artigo
Zacimba Gaba – Princesa, Escrava e Guerreira

Zacimba, que havia, “ainda mocinha”, cruzado o Atlântico naquelas precárias embarcações que traziam até 500 escravos, sabia muito bem o que devia representar a liberdade para o seu povo

Ver Artigo
Francisco Gil Araújo - Por Nara Saletto

Francisco Gil de Araújo nasceu na Bahia, filho de um rico mercador, Pedro Garcia, e de Maria de Araújo, descendente do famoso Caramuru

Ver Artigo