Anchieta no Convento da Penha (1594)

Editor: Morro do Moreno - publicada: 07/12/2010

Um registro precioso da passagem do “Apóstolo do Brasil” no Convento da Penha foi feito por Simão de Vasconcelos, em sua grande obra de meados do século XVII.

O jesuíta Simão que esteve à frente de quase todos os cargos da Companhia de Jesus no Brasil, inclusive o de Provincial, nasceu em Portugal em 1597 e veio a falecer no Rio de Janeiro no dia 29 de setembro de 1671.

Foi ele o autor de um grande livro – “A vida do venerável Padre José de Anchieta”, editado em Lisboa – oficinas de João da Costa, no seguinte ao da sua morte, isto é, em 1672.

O livro foi dedicado a Francisco Gil de Araújo, capitão donatário da Capitania do Espírito Santo, entre 1674 e 1687, na colônia portuguesa do Brasil.

Em 1674, Gil Araujo, adquiriu a Capitania do Espírito Santo a Antônio Luís Gonçalves da Câmara Coutinho, herdeiro de Vasco Fernandes Coutinho, pelo valor de 40 mil cruzados.

Sua administração foi marcada por um grande impulso que foi dado à capitania, aí tendo permanecido de 1678 a 1682. Durante a sua administração concluiu-se a construção do Forte de Nossa Senhora do Carmo, reedificou-se o Forte de São João e edificou-se o Forte de São Francisco Xavier de Piratininga (localizado na área do Exército em Vila Velha) na vila do Espírito Santo, para proteger a entrada da baía de Vitória.

Em 1687, com o falecimento de Francisco Gil Araújo, Manuel Garcia Pimentel, seu filho, sucedeu-o na donataria após confirmação da herança por carta datada de dezembro de 1687. Este, no entanto, nunca chegou a visitar as terras capixabas.

O Jesuíta Simão Vasconcelos revela-nos em seu livro que Anchieta esteve no Convento da Penha e alí realizou o ofício sagrado da missa no ano de 1594 e que já naquela época, era contínua a romaria de devotos que ocorria à famosa ermida.

Transcrevendo as suas próprias palavras, respeitando o arrevesado das frases:

“Há uma ermida formosa, sustentada no cume de um calvo penedo, que quase compete com as nuvens, na mesma Capitania, com meia légua da Vila. É romaria contínua de devotos, que vão alí ter suas novenas à Virgem S. Nossa, cuja invocação tem. Aqui com espanto grande foi visto José, em presença de muitos, ali se achavam e foram testemunhas do caso, enlevado com êxtase admirável e fora de sentidos, no meio da missa, depois de alevantar a hóstia e cálice”.

Fontes:

1) Nobertino Bahiense (1951) – O Convento da Penha – Um templo histórico, tradicional e famoso 1534 a 1951. 1º Lugar no “PRÊMIO CIDADE DE VITÓRIA – 1951”.
2) Wikipédia, a enciclopédia livre – Francisco Gil de Araújo

Material pesquisado e adaptado por Walter de Aguiar Filho (2010).

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