Morro do Moreno: Desde 1535
Site: Divulgando há 16 anos Cultura e História Capixaba

Ano de 1504 – Por Basílio Daemon

Cristóvão Jaques, descobridor da costa do ES

1504. Neste ano do dia 4 a 8 de julho foi descoberta a província do Espírito Santo pelo hábil e destemido navegante Cristóvão Jaques. Tendo partido de Lisboa comandando seis caravelas ou naus, a 10 de junho [julho, no original] de 1503, a mandado de el-rei D. Manoel, a explorar toda a costa da terra de Santa Cruz e nela fincar marcos, assentar padrões, fazer sondagens, levantar cartas, verificar rumos, e especificar posições topográficas, chegou à ilha de Fernando de Noronha, depois de ter a frota sofrido grande temporal, mas tão infeliz que uma das caravelas, a de nome São Lourenço, naufragou de encontro aos recifes, salvando-se unicamente a tripulação e desaparecendo quatro caravelas, três das quais nunca mais delas se houve notícia. Daí partiu Cristóvão Jaques e ao nono dia encontrou a caravela de que era comandante Américo Vespúcio; continuando assim juntos a viagem chegaram à baía de Acejutibiró ou da Traição. Desceram após para o sul as duas caravelas, vindo a surgir depois de dezessete dias de navegação, no dia 1º de novembro do dito ano, na baía de Todos os Santos, nome dado por Cristóvão Jaques a essa paragem, como atestam muitos escritores, em atenção à festividade que a igreja celebra nesse dia; tendo ancorado as duas caravelas ali permaneceram dois meses e quatro dias a fazer reparos, investigações e mais que tudo a ver se apareciam as três outras caravelas. Não tendo elas aparecido tornaram a fazer-se de vela a 4 de janeiro do ano de 1504, e, descendo sempre para o Sul, vieram, depois de alguns dias, aportar a Porto Seguro, descoberto três anos antes por Álvares Cabral. Ficam aí estacionados cinco meses, até que, a 28 de junho, já convenientemente providos de víveres e preparadas as caravelas ou naus, pois que há divergência nos autores nos nomes a elas dados, fizeram-se outra vez de vela e veem surgir provavelmente do dia 4 a 8 de julho na costa desta província talvez ao rio Cricaré (São Mateus), ou ao rio Doce; verificado como é de supor um destes pontos prosseguiu Cristóvão Jaques a viagem para o sul, costeando esta província e indubitavelmente saltando em terra e fincando algum ou alguns marcos ou padrões nas barras do rio Doce ou da Vitória, por serem pontos dignos da atenção do insigne navegante. Daqui prosseguiu costa abaixo indo até o estreito de Magalhães donde voltou em direitura a Portugal. Pelo que dissemos na primeira parte desta obra julgamos mais que provada a descoberta da província de 4 a 8 de julho do ano acima, para que nos alonguemos sobre tal assunto, pelo que fica aqui consignada esta data para cessação de dúvidas futuras e anacronismos. As datas sobre a viagem de Gonçalo Coelho, que partiu de Lisboa ao 1º de janeiro de 1502 e a de Cristóvão Jaques, que partiu a 10 de junho de 1503, eram bastantes para acabar esta confusão, devido isso em parte às tricas e sofismas de Américo Vespúcio em seus maquiavélicos escritos; mas destruídas ficam todas essas dúvidas à leitura do Diário de Francisco Cunha, que foi contemporâneo, autor de nota, e que ainda sessenta anos depois verificou alguns marcos fincados por Cristóvão Jaques, o que atestam ainda autores sisudos, entre eles Mariz nas Crônicas de Portugal.

 

Nota: 1ª edição do livro foi publicada em 1879
Fonte: Província do Espírito Santo - 2ª edição, SECULT/2010
Autor: Basílio Carvalho Daemon
Compilação: Walter de Aguiar Filho, maio/2019

História do ES

São Mateus adere ao movimento emancipador

São Mateus adere ao movimento emancipador

Em 1823, São Mateus aclamou o novo soberano do Brasil e seus habitantes declararam-se sujeitos ao governo capixaba 

Pesquisa

Facebook

Leia Mais

Palavras que vieram da África

A influência do negro na nossa cultura foi bastante expressiva. Os hábitos e costumes africanos penetraram no nosso cotidiano

Ver Artigo
Epidemias e Ameaças - Por Serafim Derenzi

Os franceses, que ameaçaram a costa em 1551, voltaram em 1558 ao Porto de Vitória, onde dormiram 

Ver Artigo
A febre amarela no Espírito Santo em 1850

A Providência Divina vela certamente sobre a população desta Província que, sem o seu auxílio, estaria hoje extinta por falta de recursos da medicina

Ver Artigo
Varíola, cólera, fome em meados do Século XIX no ES

Já em fevereiro de 1855, um ofício do barão de Itapemirim falava em mais de mil vítimas 

Ver Artigo
Porto de Cachoeiro foi marco de crescimento

“Mas o transporte fluvial era tão importante, que a sede da colônia veio para o porto das embarcações, o Porto de Cachoeiro, que hoje é Santa Leopoldina”

Ver Artigo