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Antônio Ferreira Coelho

“Filho de José Ferreira Coelho e Emilia Leopoldina Silva Coelho. Nasceu em Recife, PE, no dia 21 de setembro de 1860. Iniciou o estudo primário no Colégio “Bom Conselho” dirigido por Antônio Augusto Ferreira Lima; completou o curso de Humanidades no Colégio “São José” dirigido por Augusto Higino de Miranda. Matriculou-se na Faculdade de Direito de Recife, PE, em 15 de março de 1880 e recebeu o grau de Bacharel em 19 de março de 1884, antes de completar 23 anos de idade.

Ainda cursando o segundo ano de faculdade, em 1881, foi oficial de Gabinete do Governador da província do Rio Grande do Norte, Dr. Arthur Corrêa de Araújo. Colaborou em vários jornais e revistas no período acadêmico. Foi redator do “Binóculo” de propriedade de Seixas Borges e de “Opinião” de Thomas Aroxa. Foi redator e proprietário do “Eschola” e do “Vigilante”. Gostava de jornalismo e colaborou com outros jornais em Vitória, ES e Jornal do Brasil, RJ, escrevendo artigos veementes.

Exerceu as funções de promotor público na Comarca de Macau, RN, (1884-85). Foi Juiz Municipal e de Órfãos na Comarca de Tubarão, SC, (1885-89) e Juiz de Direito da Comarca de Maragogi, AL, (1889-91). Transferido pelo Governo Federal para Comarca de Benevente, ES, (hoje município de Anchieta), ali permaneceu de 1891 a 1892, passando depois para Comarca de Viana, ES, em 1892, onde ficou pouco tempo por ter sido designado para instalar a comarca de Barra de São Mateus, ES. Ali permaneceu até 1895 quando daí foi nomeado para Juiz da Corte de Justiça, em Vitória, ES.

Em 24 de julho de 1896, pela resolução 46 da própria Corte de Justiça, segundo a constituição do Estado do Espírito Santo, Muniz Freire, foi nomeado Ministro da Corte de Justiça. Em 28 de fevereiro de 1899 foi nomeado pela referida Corte Delegado da mesma ao Congresso Jurídico Americano, convocado pelo Insitituto da Ordem dos Advogados do Brasil, realizado no Rio de Janeiro. Tomou parte em outro Congresso em 1905.

Em 1906 foi comissionado pelo Governo do Estado de Vila Velha de Toca (hoje esta região seria da Padaria Jodima na rua Luciano das Neves até ao IBEUV na mesma rua até a rua Salaminho), e ali construiu uma aprazível vivenda de verão, onde se refugiava para escrever suas obras, principalmente o Código Civil Comentado, e também ali recepcionava, no dia de Santo Antônio, os amigos do seu numeroso circulo de relações.

Essas festas estendiam-se por vários dias. Um gramofone, de corneta vermelha enchia os ares com fanhosos discos da Casa Edison. Vez efios espirituosos da roda de “ciranda-cirandinha”. E na álacre mocidade dos desafios, já se revelavam os grandes vates da terra, os cronistas suaves da elegância e da vida social, os renomados intelectuais do mundo Capichaba. Agora era o violão romântico que gemia na pérgola em semi-penumbra, onde a luz de prata da lua, dava mais realce a noitada de arte. E, depois a festa, se bandeava para os salões, sempre no meio de alegria, música e inteligência. Noutras épocas do ano havia presépio, festa da Lapinha, festa do Boi, dos reis Magos, um famoso teatrinho e as animadas pastorinhas, com seus cordões vermelho e azul e as torcidas inveteradas.

Ferreira Coelho introduziu, naquele recuado tempo em que a vida se circunscrivia mais no âmbito estritamente familiar, muitos dos costumes tipicamente nortistas. Ele foi um bem humorado plantador de brasileidade. Dentre suas diversas atividades culturais foi fundador e patrono de uma cadeira na Academia Espírito-santense de Letras.

Texto de Paulo Siqueira Rangel
Fonte: “Antônio Ferreira Coelho, o meu avô paterno” escrito em 1996.
 
Contribuição de Roberto Abreu, Presidente da Casa da Memória de Vila Velha.

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