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Arborização pública em Vila Velha

Para falar da arborização de Vila Velha, temos que observa diversas fases, como na maioria das cidades do Brasil.

Na planta cadastral de 1894 o Eng° Antonio Francisco de Athayde, mostra que havia alguma arborização no largo da igreja matriz, na Prainha, depois chamado de parque Antonio Ataíde e depois Praça da Bandeira. Ali havia algumas flamboyant (espécime exótica ) que aparecem numa foto e que Milton Caldeira depois viu serem cortadas para dar lugar ao ramal da linha de bonde, que foi construído em extensão ao ponto final que era na praça Capitão Octávio Araújo.

Mostra arborização na praça Vasco Coutinho, que seria a futura praça Duque de Caxias, e na maioria das ruas que seguiam da Prainha, em trechos já adiantes, marca arborização no centro das vias, que se existiram foram retiradas ao longo do tempo, por certo para dar lugar à posteação da rede elétrica da primeira fase.

Entre a praça Duque de Caxias e o Colégio Marista havia um canteiro central com diversos pés de flamboyant, mas foi removido nos anos 60 para facilitar a passagem de veículos cada vez em maior número em direção à Praia da Costa nos domingos e feriados pela manhã.

Em Vila Velha haviam (como ainda há) muitos pés de acácia amarela, que floresce bem no final do ano e início do seguinte, sendo usada como árvore ornamental, sendo considerado que atrai sorte para os que enfeitam a casa com essas flores.

Na orla da Prainha havia umas castanheiras (originárias da Índia) e restou uma imensa que foi cortada, do meio da Av. Beira Mar, na primeira administração de Américo Bernardes da Silveira. Para compensar, nessa época o Prefeito tinha como fiel escudeiro para o setor de reforma de praças, o técnico agrícola Henrique Rímolo, que foi vereador diversas vezes.

Havia um famoso pé de fruta pão (originária da Oceania) quase em frente do atual Museu Homero Massena, uma referência para os antigos da Prainha. Depois no trecho em frente do referido Museu, quem plantou as castanheiras que lá estão, foi o “Seu” Joel, mestre construtor da EAMES.

As palmeiras da atual praça Tamandaré, palmeiras imperiais, formando uma alameda com seis unidades de cada lado, foram plantadas ao que indica pelo antigo prefeito João Tomaz de Souza Junior, por volta de 1913, conforme indica foto, em que aparecem pequenas mudas. Dessas palmeiras plantaram duas nos anos 70 do século XX no Convento da Penha, no campinho, compondo vista belíssima, já que a referência era de que originariamente onde está o altar mor, havia uma ermida entre duas palmeiras. Deveria ser duas palmeiras da mata atlântica, e a ermida por muitos anos era conhecida como “ermida das palmeiras”.

D. Pedro II, quando de sua visita ao Convento em 1860 chegou a ver por detrás do altar mor, restos de grelhos das referidas palmeiras, que talvez por uma pesquisa botânica possa indicar de que espécime era. As outras palmeiras que vão crescendo no Campinho foram plantadas depois. Elas são cientificamente identificadas como roystonea olareacea, em homenagem ao botânico Roy que as identificou. São originárias das Antilhas, e foram levadas para a Índia, e de lá trazidas para o Brasil, quando inclusive em 1808 D. João VI plantou uma, na fundação do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, e daí disseminou para todo o litoral brasileiro do sudeste.

Ali na atual praça Tamandaré, além das palmeiras, havia oitis, ladeando as ruas, que infelizmente foram contadas ao longo dos anos. Na praça Capitão Octavio Araújo na Prainha, existem 8 pés de oitis, que consta que foram plantadas na administração de Eugenio Pacheco Queiroz, que inclusive teria plantado os pés de ficos que existem na Praça da Bandeira e em trecho da rua Antonio Ataíde. Essas espécies, infelizmente passaram ter infestação de lacerdinhas, que infernizaram a vida de muitos por décadas, até terem uma recaída com o surgimento do fumacê de combate ao mosquito.

Eugênio teria plantado uma alameda em “x” com oitis na atual praça Duque de Caxias, que conheci, e também os pés de castanha do maranhão que existem em trecho da rua Antonio Ataíde. Intermediariamente uma ou outra iniciativa ocorria, mormente nas comemorações do dia da árvore, e dessa época existem esparsas espécimes de pata de vaca, castanheiras, pau ferro, jambo e outras.

No final dos anos 50 com a primeira urbanização da Praia da Costa, com o modismo da época, plantaram-se casuarinas (originárias da Austrália), impróprias para a orla, mas lá ficaram por uns 30 anos. As castanheiras foram plantadas em diversas iniciativas. Até no farol de Santa Luzia plantaram equivocadamente casuarinas, como na praça da EAMES.

Pinheiro europeu foi plantado pela Prefeitura em diversas praças, a título de ornamentação, para serem iluminados e formarem árvore de natal no período próprio, e com o tempo foram sendo retirados, pois sofrem com ataque de cupins. Na praça Capitão Otávio Araújo na Prainha, teve de vir o Corpo de Bombeiros, cortar um, que estava para desabar. As espécimes que não pertencem à flora brasileira, não deveriam ser plantadas em espaços públicos, salvo em jardim botânico como mostruário, pois desvaloriza opções tipicamente nacionais.

Por volta de 1985 surgiu em Vila Velha a AVIDEPA, Associação Vilavelhense de defesa de Plantas e Animais, liderada por César Mayer Musso, que passou a divulgar o uso de mudas de árvores de vegetação de restinga, tendo inclusive até hoje um viveiro.

Para as calçadas estreitas de Vila Velha recomendam o plantio de camboatã e outras, que tendo raiz pivotante, não danifica o pavimento, e mesmo porque não desenvolvem muito o diâmetro do tronco, e outras vantagens ecológicas, evitando espécimes invasoras.

Problemas com a fiação da rede pública tem sido outro problema. Com o projeto de urbanização da praia da Costa desenvolvido pelo Governo do Estado a partir de 1990, na orla foram plantadas diversas espécimes, no que tange a árvores, mais nativas de restinga como os abricós.

SOAMAR – Sociedade dos Amigos da Árvore – no final dos anos 60 do século XX e início da década seguinte, o falecido gerente local do Banco do Brasil, Rinaldo Bastos Vieira, liderou a organização da citada sociedade para estimular maior arborização das ruas da cidade. Reclamava que a falta delas desestimulava as pessoas a caminharem principalmente após o almoço se dirigindo para o trabalho, algo que é muito saudável e facilitador da digestão. Era a época que se falava muito no teste de Cooper, e cada um começava a se mexer fisicamente como podia, para preservar a saúde e conter a obesidade ameaçadora.

Então nas ruas centrais da cidade, em comum acordo com a Prefeitura local, conseguiu mudas principalmente de oitis, e plantaram-nas nas calçadas, tendo cada uma proteção metálica, que lembrava um foguete, já que estava no auge da corrida espacial. Dessa época poucas sobreviveram que até aponto quais foram, e todas graças a terem sido regadas diariamente por moradores. As restantes foram mutiladas por vândalos, e com o tempo, as cerquinhas metálicas foram desaparecendo.

Os jardineiros da Prefeitura cuidavam das praças, e foram entrando em extinção, acabando antes de aposentarem meramente como varredores desses logradouros públicos, até surgir alguma substituição, e mais na frente terceirizarem o serviço. O esforço de “Seu” Rinaldo e amigos valeu a pena, e merece ser sempre lembrado.

Quando houve a implantação do estacionamento do parque da Prainha, em 1978 já houve um plantio de razoável número de mudas de árvores, o que se repetiu depois na primeira urbanização do Parque da Prainha, já em 1989. Em sua inauguração o Governador Max de Freitas Mauro plantou uma muda de pau brasil, que não sobreviveu ao descaso e desinformação de administrações posteriores do parque, tendo sido no final a muda atropelada por um caminhão que subiu para levar material para realização de “show”.

Por volta de 1986/1987 com apoio de Clube de Serviço e da Associação de Moradores de Vila Velha Centro, num gesto de ocupação da área do aterro da Prainha próximo das peixarias, houve o plantio das árvores que lá estão, tendo havido a participação do falecido Roosevelt Pessoti, consciente da causa ecológica.

Porém na Prainha, na Praça Tamandaré, das 12 palmeiras, foram morrendo diversas, até atingidas por raios, e assim em 1985 na primeira gestão de Vasco Alves de Oliveira Jr, a PMVV replantou as faltantes, mas por falta de cuidados morreram.

O mesmo se repetiu na breve gestão de Magno Pires da Silva em 1988. Nesse curto mandato, surgiu o primeiro decreto municipal proibindo o corte de diversas árvores situadas na via pública, inclusive das mangueiras do referido “sítio” no cruzamento da rua Castelo Branco com a rua Henrique Laranja, alvo de cômicos e trágicos fatos, que haviam sido originados do ano anterior por conta do célebre envenenamento dessas mangueiras, que é todo um capítulo a parte, com repercussão na imprensa e que custou praticamente uma sucessão político partidária na municipalidade, tudo acontecido na efervescência do surgimento da causa ecológica.

Na inauguração da primeira urbanização do Parque da Prainha, em 1989 replantaram palmeiras faltantes na praça Tamandaré, mas como a Prefeitura não regou de novo, as mudas morreram. Uma caveira de burro parecia existir ali enterrada ... A iniciativa era ótima, mas se não regassem, as mudas não agüentavam...

Depois em 21.9.1992, no dia da árvore, a Ass. de Moradores de Vila Velha Centro, replantou as palmeiras faltantes, com o apoio do infatigável Silmo de Souza Rodrigues, e ainda de um próprio neto de João Tomaz de Souza Jr, o ímpar Átyla de Freitas Lima.

Aas mudas vingaram por conta de rega diária de voluntários entre os próprios moradores vizinhos. Depois houve algumas substituições, e já no segundo mandato de Max de Freitas Mauro Filho, para melhor abrir a continuidade da rua Frei Pedro Palácios, remanejou a 11ª e 12ª palmeira, que vieram a morrer e não foram repostas, mutilando a alameda.

No final do primeiro mandato de Jorge Anders, diversas árvores foram plantadas na Av. Jerônimo Monteiro, no Centro de Vila Velha, e lá estão. Por influência da antiga CVRD diversas mudas de leucênia foram plantadas no município.

Com o surgimento da Secretaria do Meio Ambiente, principalmente no segundo mandato de Max de Freitas Mauro Filho, nas ruas centrais de Vila Velha e na região da Prainha, foram plantadas diversas espécimes e, mormente pata de vaca.

As palmeiras que existem no pátio frontal do Colégio Marista são palmeiras reais (variedade diferente das imperiais) e dessas foram plantadas no Canteiro Central da Rodovia Carlos Lindenberg em célebre tentativa de urbanização geral no segundo mandato de Vasco Alves de Oliveira Jr.

Ao redor do Colégio São José por volta do ano 2000 alguém plantou mudas diversas, mas poucas vingaram. Nessa quadra um pé de flamboyant teve de ser retirado em 2009 já que perigava desabar.

Alguma arborização com sibipiruna existe no lado que dá para a rua Cabo Ayson Simões.

No ano 2000 o então Comandante do 38º BI plantou um “Bosque do ano 2000” bem junto da orla da praia de Piratininga, com evento alusivo que compareci numa manhã.

Em frente do Colégio Marista , na rua, plantaram flamboyant e fui testemunho do vandalismo de passantes que as destruíram só vingando uma que durou décadas. Suas raízes atrapalhavam os transeuntes no trecho próximo de banca de revista (retirada em 2009 na reurbanização da via). No pátio do referido Colégio existem exemplares muito bonitos de castanha do maranhão. Diga-se de passagem que suas bagas são comestíveis depois de cozidas, e que na Guiana Francesa há reflorestamento com essa espécie por conta de que se adapta muito bem em brejos, e tem madeira fibrosa muito boa para a indústria de papelão.

Em alguns locais usaram eucalipto para arborização, a partir principalmente dos anos 50, e a sibipiruna mais a partir dos anos 80.

Fica o relato aberto a internautas que queiram contribuir com correções e valiosos acréscimos.

Por: Roberto Brochado Abreu. Membro da Casa da Memória de Vila Velha. (03/11/2009)

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