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Arquivo Ultramarino

As informações encontradas no Arquivo Ultramarino de Lisboa são tão valiosas que D. Pedro II pagou um historiador para ir a Portugal copiar a mão os documentos. Coube a pesquisadores ilustres, entre eles Gonçalves Dias e Capistrano de Abreu, a função de viajar para a Europa, como bolsista do Imperador, em busca de documentos relativos ao Brasil. Desfazer esse emaranhado de registros sempre foi tarefa difícil.

O trabalho, aparentemente inesgotável, acabou se tornando realidade. Para que isso acontecesse criou-se, em 1995, a Comissão Luso-Brasileira para Salvaguarda e Divulgação do Patrimônio Documental. O objetivo da comissão foi identificar, organizar, microfilmar e trocar entre os dois países os documentos de interesse comum. Assim evitou-se que os pesquisadores precisassem cruzar o oceano ou viajar pelo vasto território brasileiro para obter informações.

Mesmo percorrendo todo o Brasil, a maioria das informações foram encontradas em Portugal, precisamente no Arquivo Ultramarino de Lisboa, que compreende mais de 250 mil documentos. O arquivo ocupa o prédio do Palácio da Ega, originalmente pertencente a família nobre dos Saldanha. O núcleo original da edificação é do século XVI e o palácio teve seus dias de grande glória nas primeiras décadas do século XIX.

Em 1919, foi adquirido pelo governo de Portugal e, a partir de 1926, passou a receber outros arquivos do Ministério das Colônias. Em 1973, foi denominado Arquivo Histórico Ultramarino, integrando-se ao Instituto de Investigação Científica Tropical. O arquivo compõe-se basicamente da documentação originária do antigo Conselho Ultramarino, formado pelo Brasil e outros países que foram colônia de Portugal: Índia, Macau, Timor, Angola, Moçambique, Guiné, Cabo Verde, São Tomé e a Ilha da Madeira.

Até o ano 2000, Brasil e Portugal trocaram cópias de toda a rica documentação histórica de seus principais acervos, facilitando o acesso de pesquisadores à informação. Os portugueses se interessam principalmente por documentos do período de 1808 a 1821, que corresponde à permanência de Dom João VI no Brasil. No caso do Brasil, interessou a documentação anterior a esse período, que registra a própria origem de sua formação e os primórdios de seu desenvolvimento. O Arquivo Nacional, no Rio de Janeiro já tem todo o levantamento de documentos de seu acervo de interesse de Portugal. O mesmo trabalho está sendo realizado por outras oito instituições brasileiras, entre elas a Biblioteca Nacional, o Museu Imperial de Petrópolis, o Arquivo Histórico de Exército e o Serviço de Documentação Geral da Marinha.

Fonte: JORNAL A GAZETA DE 20/07/1998

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