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As guerras imperiais e seus reflexos no Espírito Santo – Por João Eurípedes Franklin Leal

Foto antiga do Porto de Vitória, ainda sem o cais

O Império Brasileiro, em guerra com as Províncias Unidas do Prata (Argentina), necessitava de homens para a luta, mas o recrutamento não estava fornecendo soldados bastantes para a campanha. Em resultado aconteceu na Província do Espírito Santo o episódio que foi denominado “O Recrutamento do Ururau”.

O Ururau era em brigue de transporte, armado com seis bocas de fogo, que próximo a barra da baía de Vitória combateu por hora e meia um barco argentino o “Vencedor de Ituzaingu”. Este barco, logo após, abandonou a área e desapareceu, o “Ururau” por estar variado entrou na baía e Vitória, no dia seguinte, a 31 de maio de 1827, para reparos.

Em Vitória, sempre no dia de Corpus Christi, como era tradicional, realizava-se uma procissão que era sempre acompanhada pela população em geral. Mas o barco “Ururau” estava com a missão de arregimentar homens para guerra no Prata e estava difícil conseguir voluntários.

Assim foi programado que, no momento da realização da procissão, os marinheiros do “Ururau”, ajudados pelos militares do Batalhão dos Henrique, sob ordens de Francisco Antônio de Paula Nogueira da Gama, então Comandante de Armas na Província, cairiam sobre os homens que participavam do cortejo, prendendo-os e levando-os para bordo do barco. Houve uma enorme confusão, muitos homens foram aprisionados e a cerimônia religiosa foi desfeita. O Comandante de Armas da Província, Francisco Antônio de Paula Nogueira da Gama defendeu-se dizendo que cumpria ordens superiores e, para alívio de muitos, permitiu que os filhos de famílias fossem substituídos por escravos libertados, para que estes se alistassem em seus lugares, indo lutar no extremo sul do Brasil. Durante muitos anos deixou-se de realizar a procissão de Corpus Christi em Vitória.

No Segundo Império, quando da questão surgida entre o Império Brasileiro e o Império Britânico chamada de Questão Christie, que em conseqüência provocou o rompimento das relações diplomáticas entre Brasil e Inglaterra, os habitantes da província, patrioticamente, organizaram comissões encarregadas de angariar donativos e fundos que seriam destinados a defesa do Brasil, se necessário fosse.

Com o advento da guerra com o Paraguai, apesar da diminuta da população da Província do Espírito Santo, este enviou, já a 14 de fevereiro de 1865, os primeiros oficiais, soldados, voluntários e médicos. Os voluntários espírito-santenses, no Rio de Janeiro, se juntaram aos fluminenses e chegaram a Montevidéu a 28 do mesmo mês. Na luta este batalhão foi apelidado Batalhão Treme-Terra e era oficialmente o 12º Voluntários da Pátria. Até maio do mesmo ano o Espírito Santo já havia enviado 339 pessoas para guerra, sendo 273 voluntários. Um ano depois este número atingia a cerca de quinhentos combatentes. Barcos, como o “Diligente”, o “Juparanã” eram usados no transporte das tropas e comunicações entre a Corte e o Espírito Santo.

Um dos mais famosos combatentes foi Francisco Xavier de Araújo, apelidado Cabo Princesa, que foi condecorado várias vezes e morreu em combate. O Espírito Santo além de contribuir com homens para a guerra abastecia com madeiras o Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro. Mas, em conseqüência da luta contra o Paraguai, o Espírito Santo viu retardar em quase 10 anos sua ligação telegráfica com o Rio de Janeiro. Os fios do telégrafo já estavam colocados até Cabo Frio, quando a Campanha do Paraguai fez modificar sua orientação, dando preferência a ligação com o sul do Brasil. Só em 1874 foi inaugurado o serviço telégrafo. Foi o barco “Juparanã” que a 27 de março de 1870 chegou a Vitória com a notícia do término da guerra. Na manhã de 28 foram feitos os festejos e a 14 de junho regressaram os primeiros voluntários.

A 1º de março de 1871, por ocasião da comemoração do primeiro aniversário do fim da guerra com o Paraguai, foi criada uma comissão destinada a arrecadar donativos para a construção de uma Casa de Instrução, como era desejo do Imperador Pedro II. Esta Casa de Instrução recebeu sua pedra fundamental, a 23 de março de 1873 e deu origem a Escola Normal do Espírito Santo (depois Pedro II).

 

Fonte: Espírito Santo: História, realização: Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo (IHGES), ano 2016
Coleção Renato Pacheco nº 4
Autor: João Eurípedes Franklin Leal
Compilação: Walter de Aguiar Filho, novembro/2016

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