As Timbebas - Praínha

Editor: Roberto Abreu - publicada: 19/08/2011

Praínha - Timbebas 1936

Timbeba é uma palavra de origem indígena por certo relacionada a matacões, que são pedras de formato arredondado encontráveis à beira mar, perto de uma rocha maior, como um morro, ou colina por exemplo. Pois bem, na Prainha de Vila Velha havia as Timbebas que ficavam entre o cais dos padres e a encosta do Convento, onde Bernardino Monteiro quando governador abriu acesso rodoviário até o quartel do exército.

Quando foi feita essa via, executaram ali um muro de arrimo que foi encobrindo aos poucos as Timbebas.

Formava um local pouco freqüentado, muito sujo, onde a maré quando enchia trazia alguns detritos.

Enfim, eram matacões da encosta do morro do Convento chegando no mar. Na maré baixa propiciava a cata de alguns mariscos como o budigão. Baseado em foto do início do século XX, Dona Zezé de Edward eternizou em óleo sobre tela o recanto das Timbebas.

Ali outrora aproveitando a praiazinha que se formava, havia pequenos estaleiros e ficavam também algumas canoas do Convento.

Daí a suposição de que um túnel haveria desembocando por ali perto no início da mata, onde passa a Alameda Soldado Admilson Soares, que é o acesso rodoviário do quartel.
Esse túnel de fuga sairia perto do campinho do Convento. Em caso de alguma ameaça de ataque pirata (como já havia ocorrido), os frades teriam como escapar e embarcar embaixo, na enseada da Prainha e ir, por exemplo, de canoa para o Convento de São Francisco em Vitória (que já existia antes do surgimento do Convento da Penha, em 1651).

Tal túnel precisa ser alvo de pesquisa arqueológica. Ubaldo Senna conta que o pai dele tinha um carrinho de mão que emprestou a um amigo que trabalhava na abertura da via em meia encosta (hoje acesso asfaltado ao exército), então um dia contou que acharam uma passagem que parecia um túnel e de lá saíam morcegos. Ubaldo ainda menino chegou a ir lá e lembra que viu uma passagem que dava para entender como possível de ser usada como um túnel.

Entre maio e outubro de 1960, eu às vezes ia nas Timbebas a alguns passos depois do cais. Como o mendigo apelidado de Sapo Seco andava muito por lá, acabava afugentando as crianças e muitos usavam as pedras como biombo para dar vazão às necessidades fisiológicas, afastando as pessoas do local.

Então, o DNPVN (Departamento Nacional de Portos e Vias Navegáveis) decidir fazer uma dragagem barata para aprofundar o canal de acesso ao porto de Vitória, e decidiu lançar a areia retirada na Prainha, começando por aterrar as Timbebas engolindo também o cais dos Padres.

Hoje quem vai ao estacionamento do Ginásio de Esportes do 38º BI vê o que restou das Timbebas com algumas pontas de matacões aparecendo junto ao arrimo da via de acesso ao exército.

Na terceira página de A Gazeta em meados de outubro de 1960 há matéria com o título “Acabaram com a praia de Frei Palácios”. E fala justamente do aterro da Prainha iniciado com uso da monstruosa draga “Ster”.

No litoral brasileiro há mais de uma referência a Timbebas como aparece também repetido Piratininga, Prainha e Vila Velha. São toponímias de mesmo uso idiomático de situações semelhantes.

As Timbebas que conheci já estavam em degradação motivada pela urbanização, mas de qualquer forma era um recanto pitoresco que não teremos mais retorno. É uma pena.

Fonte: Roberto Brochado Abreu. Membro da Casa da Memória de Vila Velha.

 

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