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Augusto Botelho

Augusto Affonso Botelho nasceu em 06/01/1886, filho de João Affonso Botelho e Francisca do Lago Botelho, descendência lusa e espanhola, natural de Pernambuco, cidade de Olinda, patrimônio cultural da humanidade.

Na histórica e romântica Olinda e no belo e antigo Recife é que viveu a sua infância e mocidade, em um meio intelectual onde se aprimorava o gosto pelo saber e pelas artes.

Suas irmãs eram exímias pianistas e o pequeno Augusto, desde cedo, já demonstrava a sua habilidade e vocação para o piano. Ele compunha animadas e alegres polcas que muito encantaram amigos e familiares, durante a sua vida. Suas criações musicais, a maioria de improviso, eram em compasso rápido e vibrante, despertando grande entusiasmo e admiração aos ouvintes. Também compunha valsas em ritmos mais calmos e nostálgicos, expressando saudade, enlevando a alma com outros sentimentos mais repousantes e profundos.

Amava a poesia, escrevia em prosa e verso e gostava também de declamar alguns poemas de sua preferência.

Sua vida acadêmica foi na faculdade de Direito de Recife, uma das pioneiras do Brasil, raridade na época. Em conversa, falava ter conhecido grandes figuras como Clóvis Bevilaqua, Gervásio Fioravante e outros de igual importância e de notável saber jurídico.

Fez de Rui Barbosa o seu ídolo. E de seu conterrâneo e contemporâneo de faculdade - Dr. Carlos Xavier Paes Barreto - o seu grande amigo. Foi com o incentivo desse amigo que ele (A. Botelho) deixou o seu torrão natal e veio parar em terras capixabas, com 24 anos.

Continuou a sua vida pública no Estado do Espírito Santo, uma trajetória brilhante de lutas e conquistas, exercendo os cargos de promotor público, juiz e desembargador.

Percorreu muitas comarcas, durante a sua carreira de magistrado, mas em Rio Pardo (Iúna) que encontrou Rosina, a eleita do seu coração, a escolhida para levar ao altar e ser a mãe dos seus filhos. Lá nasceram: Romero, Sylvio, Zita, Sálvio, Iris e Zara. As únicas canelas-verdes, da gema, são Therezinha e Eny.

Finalmente, depois de muitas andanças pelo interior, chegou à capital - a Ilha de Vitória - onde passou a ser o seu local de trabalho, no Tribunal de Justiça do ES, e o seu meio intelectual, jurídico e social.

Para morar escolheu a encantadora e aprazível Vila Velha, cantinho bucólico - no continente - ligado à ilha pela famosa "Ponte Florentino Avidos" ou pela via do pitoresco transporte de bonde e da barca que atravessava o mar da Baía de Vitória, chegando à cidade bem movimentada pelas atrações do comércio, cinemas, restaurantes, hotéis, repartições públicas, bancos e uma infinidade de interesses que Vila Velha, na época, não oferecia aos moradores.

Gostou da pacata e poética Vila Velha e jamais desejou trocá-la por outro lugar.

Seu lazer predileto era o banho de mar na Praia da Costa. Sem estradas, no meio da mata bem agreste, caminhava entre os manguezais, atalhos e chegava lá são e salvo.

Só mesmo o contato com a natureza, a boiada no caminho, o sol, o mar, o vento, para fazer o seu relax das lidas diárias.

De sua casa, na Rua Luciano das Neves, se orgulhava de poder apreciar a belíssima vista do Convento da Penha, marco de fé, referências cultural, histórica, religiosa e turística do Estado.

Razões bem fortes e importantes fizeram de Vila Velha o seu lar e a morada de quase todos os filhos e seus descendentes.

Por: Eny Botelho Baptista (04/2006).

N. R.: A casa onde residiu Augusto Botelho e família, na Prainha de Vila Velha, foi restaurada em abril de 2008.

A cidade lhe prestou homenagem, dando o nome de Av. Desembargador Augusto Botelho à rua localizada na Praia da Costa, paralela à Av. Gil Velozo.

Você pode ver imagens da época em que Augusto Botelho viveu em Vila Velha, e "sentir" como era a cidade na época, com a leitura do livro "Krikati, Tio Clê e o Morro do Moreno". O Autor, Walter de Aguiar Filho, vem a ser neto de Augusto Botelho.

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