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Avenida da República (ex-rua da Vala) - Por Elmo Elton

O antigo palacete que abrigou o Club dos Bohemios e também o IHGES, foi demolido em 1977, para a construção do Edifício Domingos Martins (onde fica a atual sede do IHGES).

Primitivamente, tinha começo na Rua do Comércio e terminava na Cleto Nunes. Depois, inaugurado o Parque Moscoso, se estendeu até a praça do Quartel (atual Misael Pena). Recebeu a denominação de Avenida da República a 5 de julho de 1895, sendo o canal, então ali existente, coberto, em 1911, com concreto armado e laje de metal "deployer", sendo autor do projeto o engenheiro Pedro Bosísio, os serviços executados por Serafim Derenzi, mediante contrato firmado entre o Governo e o Sr. Antônio José Duarte. Esse senhor, capitalista, sócio da firma Duarte & Beiriz, comerciante em Iconha, foi o empreiteiro geral de todas as obras construídas no governo de Jerônimo Monteiro.

A parte comercial dessa artéria ia só até a Cleto Nunes, em cuja esquina (onde hoje se acha o cinema Santa Cecília) se construíra amplo barracão, de propriedade do português José Ferreira Bento, nele funcionando o Politeama, cinema que fez época em Vitória, apesar de suas precárias instalações. O Politeama exibia bons filmes, era mesmo freqüentado por pessoas da melhor sociedade vitoriense, sendo que, às segundas-feiras, oferecia uma sessão colosso, — alcunhada por muitos de feijoada —, repetição da matinê de domingo, seguida de um filme de mistério, quando os freqüentadores passavam a ser outros: — estudantes, operários, empregadas domésticas, prostitutas, mormente moradores da Vila Rubim, a fila, para a compra dos ingressos, se alongando por toda a artéria, meninos e rapazolas vendendo, ao redor, balas, pirulitos, amendoim, cartuchos de tapioca com coco, biscoitos sinhá: — Oia o baleiro, ba-lei-ro! Uma preta gorda, madurona, com tabuleiro firmado em armação em X, vendia, frente à portaria do cinema, cocada-preta, coco-queimado, mole, cada porção a 200 réis. Uma sirene, estridente, ali instalada, emprestava como que nova vibração à redondeza.

Nessa mesma artéria comercial ficavam o Café Jaú, a Padaria Sarlo, vendendo os pães mais gostosos da cidade, o Bar Teixeira, a Agência da Chevrolet, a Casa Scall, de móveis, o Armazém Santa Maria, de secos e molhados, a Casa Evaristo Pessoa, de ferragens, A Normalista, papelaria, mais outras firmas, além do prédio. de sólida construção, onde funcionou o Departamento Estadual de Estatística, em cujo andar térreo esteve instalado, por algum tempo, o correio.

Na outra parte da avenida, isto é, a que dá frente para o Parque Moscoso, erguiam-se belas residências, todas com jardins amplos, bem, cuidados. Residiam, aí, entre demais famílias de projeção, o professor Arnulpho Mattos, o maestro Ernesto Strobach, os Sarlo, sendo que, no lugar dessas residências, porque, já agora, todas demolidas, se ergueram modernos edifícios, situando-se, ao termino do logradouro, o prédio do Clube dos Boêmios Carnavalescos. Esse prédio, depois, passou a ser sede própria do instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo. Na década de 70, o IHGES, mediante contrato com firma construtora, permitiu a demolição do imóvel, onde foi construído, então, o Edifício Domingos Martins, em cujo primeiro andar se acha instalada aquela tradicional entidade, fundada em 1916.

 

Fonte: Logradouros antigos de Vitória, 1999 – EDUFES, Secretaria Municipal de Cultura
Autor: Elmo Elton
Compilação: Walter de Aguiar Filho, fevereiro/2017



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