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Baixo Guandu

Baixo Guandu 1953

Diz a história que em 1930, do alto de um morro na margem do Rio Doce, o soldado Aldomário Falcão, sozinho, barrou a entrada de militares mineiros em Baixo Guandu, até ser morto por falta de munição. Os mineiros se dirigiam ao Rio de Janeiro para apoiar a revolução de Getúlio Vargas, mas não receberam autorização para cruzar o território capixaba.

Hoje, um busto de ferro instalado em 1976 no mesmo ponto usado pelo atirador, mantém a lembrança deste capítulo de disputa entre capixabas e mineiros no vale do Rio Doce. O monumento é parte da história de Baixo Guandu. Outros símbolos da cidade, como o casarão da madame Albertina Holz e o cine Alba, estão fora de uso, sofrendo ação do tempo e dos pombos.

Foi no antigo cinema, inaugurado há 51 anos, que o marceneiro, poeta e clarinetista José Gonçalves Pereira, conhecido como Zé Coelho, 69, começou a namorar sua esposa. Seu José é autor do hino da cidade e membro da Lira Guanduense, formada em 1954. “A banda começou como um coro de igreja, eu marcava o compasso”, conta. São 22 integrantes ensaiando duas vezes por semana. “Temos alunos para futuramente substituir algum membro que sair”, conta Gleydson Leal, trompetista e regente da Lira.

Seu José guarda histórias marcantes da cidade. Em um primeiro de abril, Bruno Bafile, dono do Cine Alba, espalhou o comentário que a cantora Ângela Maria faria um show na cidade. “Passaram um aperto nele e depois ele teve que trazer o show”, diz Seu José.

Desativado desde a década de 80, o espaço foi comprado pela prefeitura para abrigar um centro cultural. “Contamos com o apoio da iniciativa privada, mas ainda não é uma coisa certa”, afirma o chefe do departamento de Cultura, Hannelore Piske, respondendo sobre o projeto de restauração, orçado em cerca de três milhões de reais.

A alguns metros do cinema, à margem da ferrovia Vitória-Minas, o casarão da família Holz abrigou no fim de 2006 uma exposição de fotos antigas do município. O prédio também deverá ser restaurado. “Vamos transformar em museu para retratar os imigrantes que colonizaram a região”, diz Hannelore.

Mas a cidade não está parada. Em nove escolas, alunos da rede pública participam do projeto Dó Ré Mi Lá na Escola, que oferece aulas de canto, teclado, flauta e violão. “As oficinas melhoram o comportamento e as crianças ficam mais espertas”, diz Raphaely Fadini, professora de flauta.

Conservando a tradição, os ceramistas Manoel Johanson, 72, e Ailsomar Costa, 45, mantém funcionando a última olaria da cidade. “Não tem concorrência na região. Eu acho que os rapazes não querem sujar a mão de barro não”, diz Seu Manoel, filho de oleiro, enquanto recebe das mãos de Anderson Silva, 15, aprendiz há 8 meses, mais um bocado de barro.

Ailsomar aprendeu o ofício há 25 anos, em São Torquato, fazendo panelas de barro. “A melhor matéria prima do Estado é a nossa”, diz ele, gabando-se da argila encontrada em Baixo Guandu e transformada em vasos, moringas e adornos na Olaria Sapucaia.

As peças produzidas por Manoel e Ailsomar são vendidas para lojas de todo o Estado, mas em Baixo Guandu só são encontradas na olaria. “A gente precisa de mais espaço”, diz o artista plástico Equimar Francisco de Assis, cujas telas são expostas em espaços alternativos, como restaurantes e hotéis. “Aqui falta incentivo”. 

Admirador do pintor surrealista espanhol Salvador Dali e do barroco Rubens, Equimar descreve com orgulho a palheta de cores dos retratos que pinta. “Pra você disputar espaço tem que ser diferente. Uso de 15 a 20 cores em uma pele”, conta. Apesar da carência de espaços em Baixo Guandu, o artista já participou de exposições em Brasília e em Vitória e tem compradores estrangeiros.

Equimar dá aulas de pintura a turmas formadas por uma média de dez alunos, Seu Manoel e Ailsomar ensinam cerâmica ao jovem Anderson, enquanto a Lira forma novos músicos para preservar a tradição. Setenta anos depois de resistir à invasão mineira, os guanduenses se preocupam em manter a cultura local e desta vez contam com mais de um soldado.

COLONIZADORES CHEGARAM NO SÉCULO XIX

Os índios botocudos já habitavam as margens do Rio Guandu quando os primeiros colonizadores tentaram fincar raízes na região, por volta de 1850. A ocupação permanente ocorreu somente a partir de 1866 e se firmou com a chegada de cariocas, mineiros, cearenses, italianos e alemães. Em 1891, a povoação de Baixo Guandu recebeu o status de distrito. Em 1908 foi inaugurado o primeiro ponto de parada da estrada de ferro Vitória-Minas. Em 1935 aconteceu a emancipação político-administrativa de Baixo Guandu, que naquela época pertencia a Colatina. Em 1953 iniciou-se a construção da Hidrelétrica Fritz Von Lutzow, primeira usina do município, inaugurada em 1959. Localizada na região noroeste do Estado, a 186 km da capital, Baixo Guandu tem cerca de 27 mil habitantes e cinco distritos.

 

Fonte: Jornal A GAZETA de 05/08/2007
Compilado por: Walter de Aguiar Filho, nov/2010



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