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Basílio Daemon

Classificado como o quinto historiador capixaba, na ordem cronológica, por Afonso Cláudio, Basílio Carvalho Daemon merece maior destaque pela sua atuação no jornalismo.

Nasceu no Rio de Janeiro a 8 de fevereiro de 1834. Tendo ficado órfão muito cedo, foi internado num convento, onde chegou a coroinha, mas fugiu e foi assentar praça no Corpo de Permanentes, em cuja instituição pouco demorou. Trabalhando como revisor, em diversos jornais da Corte (foi colaborador de alguns), conseguiu freqüentar os primeiros anos da Faculdade de Medicina. Os conhecimentos que adquiriu, então, lhe valeram a prestar relevantes serviços de socorros, como enfermeiro, às populações de Paty do Alferes, por ocasião da epidemia do cólera morbus, em 1856. Repetiu o mesmo gesto humanitário em Cachoeiro e em Vitória, quando a epidemia de varíola assolou aquelas cidades, nos anos de 1868 e 1874, respectivamente.

De Paty do Alferes, onde contraiu matrimônio, Basílio Daemon transferiu-se para Cachoeiro de Itapemirim. Chegou aos 27 anos de idade, levando pequena mala de socorros de urgência para atendimentos gratuitos e disposição para enfrentar qualquer trabalho. Experimentou as profissões de dentista-ambulante, lavrador, comerciante e topógrafo, tendo adquirido, por compra, umas terras. Foi advogado e professor de primeiras letras, atingindo a presidência da Câmara. A 4 de julho de 1866 inaugurava a imprensa no Cachoeiro, redatoriando o jornal O Itabira. No jornalzinho, de formato modesto, ele iniciou a publicação, em folhetim, do romance “Arcanos”, posteriormente lançado em livro.

Eleito para a Assembléia Provincial, em 1872, Daemon transferiu-se par Vitória e a 31 de outubro daquele ano apresentou projeto para construção da primeira estrada de ferro do Espírito Santo. Dinâmico e combativo, sempre pugnando pelo Partido Conservador, tornou-se proprietário do Jornal O Espírito-Santense, tendo defrontado grandes pugnas políticas com os adversários do Partido Liberal.

Em 1879, Basílio Daemon imprimia na tipografia d’O Espírito-Santense a sua obra de 513 páginas: “Província do Espírito Santo – sua descoberta, história cronológica, sinópsis e estatística”. Nas primeiras páginas vinha colado um retrato seu, ao natural e impressa a dedicatória do livro a Sua Majestade, o Imperador.

Esse livro que Afonso Cláudio classificou de “crônica ao gosto quinhentista”, lamentando que o autor não tenha se orientado pelas normas do alemão Creuser e estendido as investigações ao campo da antropologia, vem servindo a algumas gerações. A sua 1ª parte consta de estudos e esforços para fixar a descoberta do Espírito Santo. A 2ª parte, iniciada cronologicamente em 1504, abrange, até 1879, todos os fatos mais importantes acontecidos em nossa terra capixaba, nesse espaço de tempo. A 3ª e última parte é uma descrição topográfica e estatística, com nomenclaturas.

Livro obrigatório como fonte de pesquisas ficou sendo privilégio de uns poucos bibliófilos que fecham a sete chaves os remanescentes da única edição com medo que o papel se desmanche nas mãos dos leitores descuidados. Está a merecer uma re-edição fac-similada, com notas-ao-pé-da-página. Penso o quanto seria enriquecida a edição com ilustrações e as notas que Mário Freire deixou a lápis, em letra miudinha, no exemplar que possuía.

Basílio Daemon foi Tesoureiro da Alfândega; Procurador Fiscal; Promotor Público; Curador de Órfãos e Bibliotecário da Biblioteca Pública, em Vitória, cargo em cujo exercício veio a falecer, em 1º de dezembro de 1893. Ao seu polimorfo espírito indagador e crítico deve-se acrescentar um pendor de entomologista. A coleção classificada de coleópteros, colhida no Espírito Santo, que ele remeteu para figurar na Exposição de Berlim, foi alvo de elogios.

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