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Bola cheia em Santa Teresa

A memória mais antiga do futebol teresense está na década de 20 e 30 e depois na famosa década de 50 a 60. Faziam parte da equipe estudantes e funcionários apenas que vez ou outra treinavam porque trabalhavam, muitos no Banco do Brasil. Depois dos jogos era infalível a ida ao Bar Elite, ao Bar do Carleto Pasolini e ao do Frederico Pasolini. Todos se divertiam muito, tomavam uma cervejinha e isso proporcionava um grande convívio. O Clube Canaã também era palco dessas comemorações.

Os times eram bem estruturados, com técnicos, presidentes e diretores. Os clubes elevaram o nome de Santa Teresa. Entraram em campeonatos estaduais e municipais e festejaram muitas vitórias. Tornou-se uma obsessão o comparecimento das torcidas, geralmente familiares, àquele culto esportivo, jogando "fora das linhas", com seus gritos e xingamentos, numa catarse coletiva projetando os traumas da imigração.

As mulheres foram modificando suas vestimentas à medida que participavam da torcida, usando roupas mais esportivas. Os ídolos das torcidas eram venerados e tinham enorme popularidade. A população aclamava seus nomes.

Os torcedores eram de vários tipos e contavam com a grande força das mulheres teresenses. Acompanhavam pais e filhos. Sui generis. D. Judith, M. Paviotti e Arlete Fontana Madeira; jogadores como Fontana, que jogava em Jucutuquara, mas era legítimo produto de Santa Teresa, e seu irmão, Oival-Goli Fontana, com grande talento, mas não chegou a destaque nacional. Além do Teresense, um clube muito importante foi o de Barra do Rio Perdido, e outros também tiveram prestígio, como São Roque, Várzea Alegre, Patrimônio de Santo Antônio.

De acordo com minha visão de criança torcedora, dos oito aos quinze anos, já adolescente, o futebol marcou muito em Santa Teresa. Claro que houve muitos jogadores que ficaram registrados na memória de nossos torcedores pelo estilo talentoso. A paixão era tanta, que nossos jovens repetiam, nos campinhos improvisados da cidade, a mesma história dos campos oficiais. O Itamar, grande jogador, foi de Santa Teresa para o Rio Branco, sempre um artilheiro. Referiam-se a ele como o "tanque que Santa Teresa nos mandou". O seu alto nível do futebol sempre encantou a todos.

O primeiro campo de futebol da Santa Teresa era onde hoje se situa o jardim municipal. Posteriormente, foi construído o campo denominado Ângelo Frechiani, o qual permanece até os dias atuais, no bairro Vila Nova.

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