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Capítulo III - A cidade do Rio de Janeiro pelo Príncipe Maximiliano de Weid-Neuwied

Após pequena estadia no Rio de Janeiro, preparou-se Maximiliano para sua marcha

Como muitos dos viajantes estrangeiros que por aqui estiveram e um pouco do seu tempo doaram com o objetivo de registrar o cotidiano desse “novo” Brasil que surgiu a partir de 1808, Maximiliano dedicou as páginas iniciais a uma descrição da cidade do Rio de Janeiro, passando pela sua exuberância e mudanças estruturais sofridas a partir da chegada da corte.

Foi durante sua estadia no Rio de Janeiro, que Maximiliano teve seu primeiro contato com os índios. Em uma visita organizada por Wilhelm C. G. von Feldner à São Lourenço(70), o príncipe conheceu os remanescentes dos Tupinambás, o que o levou a profundas reflexões sobre o vocabulário e ações dos portugueses frente a tais povos(71).

Após pequena estadia preparou-se para sua marcha. Segundo Maximiliano,

 

graças ao apoio do governo, de cujas disposições liberais tive a prova na benévola atitude para conosco do ministro Conde da Barca, pude ativar os preparativos da minha viagem. Obtive um passaporte e cartas de recomendações lisonjeiras para mim, que duvido se tenham dado iguais aos viajantes que me precederam. As autoridades eram solicitadas a nos prestar auxílio e proteção toda vez que o necessitássemos e a fazer chegar nossas coleções ao Rio, fornecendo-nos, quando pedíssemos, soldados, guias, carregadores, e animais de carga(72).

 

Tendo preparado os itens necessários à jornada e elaborado enfim o programa da expedição, Maximiliano partiu do Rio de janeiro em 04 de agosto de 1815, pois, “por mais agradável que fosse pra mim [Maximiliano] uma longa permanência na capital, não entrava em meus planos estacionar aí por muito tempo”(73), afinal, são “nos campos e nas florestas, e não nas cidades, que a natureza ostenta as suas riquezas”(74). Tendo a sua frente o desafio de desbravar terras até então desconhecidas pelos estrangeiros e, em alguns pontos, temidas pelos portugueses, seguiu acompanhado de Frederico Sellow(75) e George Guilherme Freyreiss(76), que “conheciam muito bem os costumes e a língua da região”(77), além desses, sua comitiva era composta por 10 homens - portugueses, escravos e índios - e 16 muares, que transportavam todo o aparato técnico, mantimentos e espécies coletadas ao longo do caminho.

Maximiliano parte da cidade do Rio de Janeiro, percorrendo e relatando diversas cidades e vilas em território carioca, como citado anteriormente, porém, como a intenção de nos dedicarmos ao caminho percorrido no Espírito Santo, vamos deixar essa análise para estudos futuros. Dessa maneira podemos iniciar a narrativa dizendo que partindo da fazenda Muribeca, às margens do Itabapuana, ele adentrou em terras capixabas entre os dias 02 e 05 de novembro de 1815, iniciando sua jornada em nossa companhia.

 

NOTAS

(70) PHILIPP, Maximilian Alexander. Viagem ao Brasil... Op. cit., p. 27 et. seq.

(71) Ibidem, p. 28 et. seq.

(72) Ibidem, p. 33.

(73) Ibidem, p. 32.

(74) Ibidem.

(75) Naturalista alemão, natural de Potsdan, com data de chegada ao Brasil registrada no ano de 1814. Com muitas de suas expedições iniciais patrocinadas pelo Barão de Langsdorff, receberá mais tarde o título de Naturalista Subvencionado concedido por D. João VI.

(76) Zoólogo, ornitologista e taxidermista. Partindo de São Petersburgo, veio para o Brasil em 1813 para trabalhar sob os auspícios do Barão de Langsdorff. Assim como Sellow receberá o título de Naturalista Subvencionado.

(77) PHILIPP, Maximilian Alexander. Viagem ao Brasil... Op. cit., p. 33.

 

PRODUÇÃO

 

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Governador do Estado do Espírito Santo

 

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Conselho Editorial

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José Antônio Martinuzzo

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Coordenação Editorial

Cilmar Franceschetto

 

Coordenação de Arte

Sergio Oliveira Dias

 

Revisão Ortográfica

Jória Scolforo

 

Projeto Gráfico e Capa

Alexandre Alves Matias

 

Agradecimentos

Grupo de Trabalho Paisagem Capixaba

 

Impressão e Acabamento

Gráfica Dossi

 

Fonte: Viagens à Capitania do Espírito Santo: 200 anos das expedições científicas de Maximiliano de Wied-Neuwied e Auguste SaintHilaire/ 2. ed. rev. amp. Vitória, Arquivo Público do Estado do Espírito Santo, 2018
Autor: Bruno César Nascimento
Compilação: Walter de Aguiar Filho, outubro/2020

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