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Capixabês

Fonte: O maná do céu e a praga da Jocelina
Autor: Jair Santos

O escritor Jair Santos, em seu conto "O maná do céu e a praga de Jocelina", história que se passa na curva de Itapuã, catalogou algumas preciosidades da linguagem capixaba, em especial, os termos do homem do mar. Confira alguns:

A maré riscou - Repontou; deixou o delineamento ou marca do ponto máximo ou mínimo das marés.
A água corre dura – Forma de referir-se à corrente marítima contínua numa mesma direção.
Correr liso - Linguagem local referida ao barco que desliza facilmente sobre o mar. 
Pegar rumo - Fugir; sair; ir embora na linguagem do povo local.
Pesca de caniço - Pescaria parada, com vara, linha e anzol, feita da pedra, da praia ou de qualquer lugar fixo.
Pesca de currico - Pescaria feita de barco em movimento, empregando vara, linha e anzol ou só linha e anzol.
Vento duro - Ventania constante na mesma direção. Vento forte, contínuo e sem rajadas. Referência idêntica à de água dura, acima citada.
Atravessador - Aquele que compra do pequeno produtor e revende com lucro.
Canjerê - Reunião de pessoas, em geral negros, para a prática de feitiçarias; candomblé.
Choça - Choupana; cabana; rancho. 
Cutuba - Bom; inteligente; preparado.
Fazimento - Ato de fazer repetidamente; fazer até aprender.
Garatéia - Anzóis atados na mesma linha de pesca.
Lonjura - Grande distância; longitude. 
Mangangá - Enorme; muito grande.
Mariscador - Aquele que é entendido em caçada ou em pescaria.
Mamado - Desiludido; embriagado; drogado.
Mondonga - Mulher imunda e desmazelada.
Muchá ou muxá - Bolo feito de milho triturado (cangiquinha) e cozido na água com sal para ser comido com café. 
Muxibenta - Cheia de pelancas 
Piquira - Miúdo; pequeno.
Piroga - Embarcação comprida, estreita e veloz, usada por índios.
Pocar - Quebrar, rasgar, estourar, não resistir a um esforço.
Setentrião - O vento norte.
Tiquinho - Tico; pedacinho de qualquer coisa.
Tremelicar - Tremer com freqüência; tiritar.
Vetusto - Muito velho; antigo; respeitável pela idade.

Confira um trecho do conto de Jair Santos:

" Narrativa sobre a pesca da manjuba, vivida por volta de 1940 no Pontal de Itapuã, em Vila Velha, ES. Os personagens são reais e alguns deles ainda estão vivos.

No horizonte o alvor diáfano de mais um lindo dia. A faina dos homens de rede começa antes do arrebol. É muito bonito o alvorecer no litoral capixaba. Itaparica, Praia da Costa, Ponta de Itapuã, Barra de Jucu, Ponta da Fruta... Na alegria de viver, a certeza da harmonia do homem com a natureza engalanada. Tudo está perfeito e o otimismo marca o semblante dos que vêm chegando. O céu vai ficando cada vez mais azul. É tempo de monções, a brisa sopra forte, vindo do nordeste. Vento duro... é o setentrião da saúde: marca característica do clima no nosso litoral. Na estação quente o litoral do Espírito Santo é diariamente visitado por sucessivos cardumes de manjuba. É tempo de peixe farto e muito conhecido de todas as vilas e povoados de pescadores.

Lá fora, no sobe e desce das ondas, os pescadores da barra lançam garatéias desde o escuro da madrugada que findou. O silêncio é quebrado pelo incessante marulhar sobre o baixio distante e pelos pios das gaivotas e das andorinhas do mar.

Nos barracões, homens fortes, de pele acobreada e luzente, dão começo à faina diária. Em aparente desorganização, retiram do barracão a canoa e a rede que devem ficar expostas ao sol, ao vento e também para abrir um pouco de espaço no seu interior. Essas cabanas são os abrigos necessários para a guarda de todos os apetrechos de cada grupo que se dedica à pesca de rede e são construídos na parte mais alta da linha da praia.

A conversa vai ficando animada ..."

Clique aqui para ver o conto completo.

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