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Carnaval antigo de Vila Velha

Bloco do Celestial, antigo Clube de Vila Velha, ES

Esta festa tão antiga vem através dos tempos, predominando na preferência do povo brasileiro. O brasileiro tem o Carnaval no sangue e nos três dias dedicados ao Rei Momo, pobres e ricos, pretos e brancos, velhos e moços, não resistem ao som das suas belas marchas e sambas.

O Carnaval de Vila Velha também tem a sua tradição. Logo no seu início as mulheres não se fantasiavam, porém os homens caprichavam para apresentar fantasias caras ou extravagantes, mas com o rosto coberto para que não fossem reconhecidos. Isto era muito importante.

Dentre as fantasias mais sugestivas do Carnaval antigo, podemos destacar o PARAFUSO: homem vestido com saias brancas engomadas, de tamanhos diversos, diminuindo de baixo para cima. Estas saias eram amarradas na cintura e no pescoço. Na cabeça trazia um enorme cone de um metro de altura, fazendo a ponta de um parafuso. O bico do cone era enfeitado com frutas naturais.

Acompanhado por harmônica (sanfona e violão), saía cantando:

“Quem quiser ver o bonito
Venha bem devagarinho,
Venha ver o Parafuso
Na rua Ferraz Coutinho.

Quem quiser ver o bonito,
Com prazer no coração,
Venha ver o Parafuso
Lá na rua do Torrão.

Quem quiser ver o bonito
Saia fora e venha ver,
Venha ver o Parafuso
Até o dia amanhecer.”

Outro tipo interessante do nosso Carnaval do século passado era o MANDU – um homem com uma enorme peneira na cabeça, coberta por um lençol amarrado na cintura, fazendo uma grande cabeça. Da mesma época são as NÚVEIS. Provavelmente esta figura carnavalesca era uma cópia, um pouco alterada, da “nuvem artificial”, referida pelo Padre Antunes Siqueira, no seu livro Esboço Histórico dos Costumes do Povo Espírito-Santense.

Uma grande armação de cipó ou arame, coberta de tarlatana branca forrada de azul, fazendo fofos aqui e ali, presos com pequenas estrelas de papel prateado. Esta espécie de saia ia até o chão de modo a não serem vistos os pés da pessoa. Da cintura saíam duas pernas postiças, dando a impressão de que a pessoa estava sentada sobre as nuvens.

Tocando clarim e tambor, passeava pelas ruas com grande acompanhamento.

Havia ainda o BATE-MOLEQUE, distribuindo vinténs e sequilhos para a molecada que, com ele alternava:

- Ora bate moleque – Bate sim senhor
- Minha barriga é grande – é de samburá
- Ora bate que bate – Bate sim senhor
- Ora bate na mão (Todos batiam palmas)
- Moleques vocês querem sequilhos? – Queremos sim senhor
- Vocês querem dinheiro? – Queremos sim senhor
- Então aí vai...

E jogava vinténs, sequilhos e biscoitos para a garotada que se embolava no arcal na disputa do seu quinhão.

Os MACACOS – que batiam nas crianças com sua grande cauda e assobiavam, dando a impressão de que o assobio era na cauda.

ENTRUDO - bacias d'água eram atiradas em quem passava, bem como “limões de cheiro” feitos de uma camada de cera muito finas e cheio de perfume. Atirados sobre a pessoa escolhida, rebentavam o perfume era derramado.

Já no sábado de Carnaval, às 4 horas da madrugada, saía o ZÉ PEREIRA. Batendo um grande bombo cantavam:

“Viva o Zé Pereira
Viva o Carnavá,
Numa bebedeira
Não deixo ninguém brincá.”
Trá... lá... lá... lá... trá... lá... lá... lá...
Trá... lá... lá... lá... lá... lá...
Trá... lá... lá... lá... lá... lá... lá... lá... lá...
E batia no bombo: bum... bum... bum... Zé Pereira! Bu... bum... bum... bum... Carnavá!

No domingo à tarde, saía a bandinha da cidade tocando pelas ruas; na frente dançavam os máscaras e as “manjubas” (assim chamavam as crianças fantasiadas).

No último dia faziam o “enterro dos ossos” (do carnaval). Carregavam uma espécie de ataúde feito de uma barrica e, dentro desta, um mascarado com uma garrafa na mão, e já “embriagado”, representava a despedida.

Isto era o Carnaval do século XIX na minha querida terra.

 

Fonte: Vila Velha de Outrora, 1990
Autora: Maria da Glória de Freitas Duarte
Compilação: Walter de Aguiar Filho, fevereiro/2013 

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