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Carta de convocação da Prefeitura

Carta de Convocação da prefeitura

Um belo dia, recebo um envelope timbrado com identificação da Prefeitura Municipal de Vitória. Endereçado à minha pessoa, trazia um oficio, reproduzido na página à esquerda, com os seguintes dizeres:

Prefeitura Municipal de Vitória

Secretaria Municipal de Serviços Controle da População

Lei n° 32.654 de 12/07/1969

Prezado Munícipe,

Conforme registro do nosso cadastro de controle, verificamos que V. Sa. atingiu o limite de idade previsto por Lei.

Nossos estudos estatísticos indicam que sua idade não oferece nenhuma vantagem para a sociedade. Muito pelo contrário, acarreta uma carga complementar às entidades assistenciais de sua comunidade, bem como o desagrado daqueles que o rodeiam.

Por este motivo, V. Sa. deverá apresentar-se no prazo de 30 dias, no CREMATÓRIO MUNICIPAL DO CEMITÉRIO DE SANTO ANTÔNIO, na Cidade de Vitória, diante do forno n° 5 — Ala Norte, para que possamos proceder a vossa INCINERAÇÃO.

Na oportunidade, V Sa. deverá apresentar-se munido dos seguintes documentos e acessórios obrigatórios:

1 — Carteira de identidade (original);

2 — Protocolo do atestado de óbito em andamento;

3 — Comprovante de pagamento da taxa de cremação (autenticada);

4 — Comprovante do pagamento do IR dos últimos 5 (cinco) anos (original);

5 — Um saco plástico (sem propaganda de supermercado) para as cinzas, com seu CI impresso em silk screen na cor de sua preferência;

6 — Dois metros cúbicos de lenha seca e 18 (dezoito) litros de gasolina de alta octanagem.

Para evitar quaisquer contratempos ou perigo de explosão, fica estipulado que até 48 horas antes do evento V. S. — não devera ingerir bebidas alcoólicas ou mesmo comer repolho ou batata-doce, pois provocam reações incontroláveis de alta periculosidade ao ecossistema.

Antecipadamente agradecemos vossa valiosa colaboração e ADEUS.

Atenciosamente

Subchefe Adjunto Substituto do Assessor do Departamento Controle População

Achei genial a brincadeira e passei a mostrar a todos os conhecidos aquele "documento". Alguns dias depois, fui a um casamento, cuja recepção era no Cerimonial Itamarati. Aproveitando a oportunidade de encontrar com vários amigos, levei a carta.

Dentre muitos que a leram, estava Jorge Correia, um dos donos do cerimonial. Rindo muito, pediu para mostrar para sua esposa Penha, naquele momento nos bastidores, fazendo a coordenação geral. Após algum tempo, voltam os dois, às gargalhadas, confessando, obrigado pela mulher, ter sido ele o autor da brincadeira, agora desmascarado para efeitos futuros.

 

Fonte: No tempo do Hidrolitol – 2014
Autor: Sérgio Figueira Sarkis
Compilação: Walter de Aguiar Filho, março/2019

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