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Cartografia de Vitória e ES

Espírito Santo serviu de território tampão para que as Minas Gerais fossem resguardadas de olhos ambiciosos

Acreditamos que o Espírito Santo não foi bem servido quanto a uma mais elaborada produção cartográfica no que concerne ao lapso temporal aqui estudado, salvo melhor juízo. Dizemos isto porque outras províncias tiveram melhor desempenho nessa questão com as então províncias do Rio de Janeiro e da Bahia e outras mais. En passant, podemos citar entre outras a “Carta Corográfica da Província do Rio de Janeiro” (de 1858) e a “Carta da Capitania do Rio de Janeiro”; “Carta Topográfica – do Rio de Janeiro e da Baia de Guanabara” (de 1730); “Carta Corográfica ou descrição demonstrativa das terras e rios” (de 1754), observações executadas pelo 1º Governador do Mato Grosso, Antônio Rolim Moura; “Carta da Capitania de Goiás” (do 3º quartel do século XVIII); “Carta Geográfica da Capitania de Pernambuco” (de 1807); “Carta Topográfica da Colônia e cidade do Sacramento no Rio da Prata” (de 1731); “Carta do Império” (Carta Geral do Império do Brasil); esta foi apresentada na exposição de Filadélfia, EUA, em 1875 (datada de 1867).

Julgamos que, devido o maior desenvolvimento econômico e político-social de algumas províncias haja contribuído para que elas pudessem usufruir de um mais elevado prestígio, para a consecução de melhores mapas e cartas geográficas e topográficas de seus respectivos territórios.

Até mesmo o número de habitantes da província Espírito-Santense era ainda de pouca expressão. Assim é que Vitória e a província tinham a seguinte população:

Ano: 1824

Vitória

15.038 habitantes e 2.580 casas

Província do ES

35.353 habitantes e 5.274 casas

 

Ano: 1827

Vitória

12.704 habitantes e 2.600 casas

Província do ES

35.879 habitantes e 5.683 casas

 

Os mapas e cartas que analisamos neste estudo mostram que, muitos deles, não passam de croquis cartográficos, tal a pobreza de dados oferecidos, que são devidos, certamente, a levantamentos topográficos e trabalhos cartográficos realizados sem a precisão devida ou sem controle eficiente ou, mesmo, sem nenhum controle.

Outro fato que pode ser aqui repetido, e bem conhecido dos historiadores, é que as Minas Gerais, ricas em ouro e pedras preciosas, foram durante séculos guardadas pelos nossos colonizadores. Ora, o nosso Espírito Santo serviu de território tampão durante muito tempo para as Minas Gerais fossem resguardadas de outros olhos ambiciosos. Para que, então, confeccionar cartas ou mapas ex-Capitania se elas serviam à nobre missão de resguardar os tesouros das Minas Gerais?

 


Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo, nº 61, 2007
Autor:Ricardo Brunow Costa
Compilação: Walter deAguiar Filho, novembro/2011

 

 

LINKS RELACIONADOS:

>> Mapa da Capitania do Espírito Santo – Atlas Manuscrito de 1631 - Parte I

>> Mapa constando o Morro do Morro no século XVI

>> Mapa da Capitania do Espírito Santo – Parte II

>> Mapa do Rio Doce e seus confluentes - Parte III 

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