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Casas antigas guardam histórias e mistérios (1ª parte)

Casa dos Cerqueira Lima

Era meia-noite, o vento soprava forte pelas janelas em um ranger que dava arrepios. De repente, ao olhar para o alto, um vulto surgiu. Seria aquela senhora, morta há alguns anos atrás com o filho, que resolveu voltar para buscar o tesouro de pepitas de ouro, dólares e muitas jóias, que até hoje está desaparecido? Na casa abandonada, os mistérios desafiam os mais corajosos que ainda teimam em visitá-la. Essa história poderia ser apenas mais um conto ou roteiro de um filme de terror ou suspense. Apesar do exagero, pertinente ao imaginário humano, a narração funesta pertence ao cotidiano de muitos capixabas. Basta dar uma volta pelo Centro da cidade para esbarrar em casas antigas, quase centenárias, que guardam recordações a altura de qualquer filme de Hitchcok.

No “tour do terror”, a primeira parada está em uma encruzilhada: esquina das ruas São Gonçalo e Muniz Freire, na Cidade Alta. É a antiga casa que pertenceu à família Cerqueira Lima, onde foram assassinados em abril de 1996, Célia Maria Cerqueira Normanha, 46, em condições no mínimo estranhas e confusas. Só após quase um ano de desaparecimento dos dois, a polícia capixaba conseguiu provar a culpa do advogado de Célia no crime. Homem de confiança de Célia, o advogado planejou o assassinato – eles foram asfixiados e enterrados como indigentes – de olho em um cofre com US$ 600 mil e jóias.

O casarão agora passa por restaurações, pois será a sede da administração regional do Centro. O mistério que envolveu o caso Normanha pode não ser o único no local, pois segundo a prefeitinha Lilia Mello, a casa foi apoio da antiga Igreja da Misericórdia, onde está a Assembléia Legislativa. “Quando rebaixaram a rua ao lado da Assembléia acharam várias ossadas, o que indica que o terreno onde está a casa pode ser um antigo cemitério”, fala. Para desvendar parte disso tudo, será feita uma escavação arqueológica no local. 

 

Fonte: Jornal A GAZETA de 05/11/1999
Pesquisa: Casa da Memória do ES
Compilação: Walter de Aguiar Filho, agosto/2011

 

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>> Casas antigas guardam histórias e mistérios (2ª parte)



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